BGS: Experiência com o Playstation VR

A que passo anda a tecnologia da realidade virtual?

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A realidade virtual (VR em sua sigla em inglês) chegou, e na minha opinião, chegou para ficar. Lá no final de 2013 adquiri o primeiro kit de desenvolvimento do Oculus Rift (dk1), uma das primeiras plataformas disponíveis para realidade virtual, e nesses 4 anos a tecnologia avançou, e muito.
Muitos já devem ter tido a oportunidade de testar o tão falado mundo da realidade virtual no Virtual CardBoard ou semelhantes, plataforma para android onde você acopla um dispositivo no celular. Esse dispositivo é composto basicamente de um par de lentes que irão separar a imagem gerada no celular e garantir que cada olho irá ver apenas uma das metades da tela do celular. Com a imagem separada em cada olho temos a estereoscopia, e graças aos sensores do aparelho celular o software pode mapear a posição da sua cabeça e gerar a imersão. Devo dizer que o CardBoard me proporcionou a pior experiência VR que já tive. Mesmo comparado ao meu velho kit dk1 de 2013, levando em conta a resolução ampliada do aparelho android em comparação aos fracos 1280×800 (640×800 em cada olho) do dk1, a imersão é quase nula. A sensação não é a de “estar” dentro do ambiente virtual, mas sim de estar com uma tela presa a sua cabeça. Alguns podem querer se aventurar no CardBoard e experimentar a sensação da realidade virtual, especialmente pelo baixo do custo da plataforma – é possível encontrar dispositivos por aproximadamente R$ 100,00 – mas infelizmente será uma experiência muito aquém das demais.

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BGS, PlayStation e VR

Na BGS tive a oportunidade de testar a demo do jogo Resident Evil 7 no Playstation VR e a experiência me surpreendeu. Já faz um tempo que o jogo foi lançado, mas o foco aqui é outro. Logo ao iniciar a Demo, a equipe da Sony pergunta se estou conseguindo ler bem os textos da interface do jogo. Perfeitamente! A resolução é muito boa, 960×1080 por olho, com taxa de atualização até 120hz. Os textos são nítidos, levemente embaçados quando posicionados na extremidade inferior do óculos, mas talvez isso possa ser regulado nos ajustes físicos do óculos ou calibração no console, nada que incomode.
A demo começa em uma sala de uma casa velha. Testo os controles. Chama a atenção o analógico direito do controle, ele não faz uma rotação suave da cabeça do personagem, mas uma rotação mais brusca, girando uns 30° aproximadamente. Mas lembre-se que estamos com um óculos com captura de movimento, então você usa o analógico para rotações maiores, as mais leves você faz com sua própria cabeça. Acredito que isso seja uma medida para evitar o vr sickness, aquele enjoo provocado quando o seu cérebro percebe um conflito entre o que você vê e a posição espacial que ele calcula usando seu labirinto ósseo. Já senti isso algumas vezes com o dk1, mas não senti desconforto físico algum durante os cerca de 15 minutos da demo. É importante saber como será quando jogarmos por 1 hora, 2 horas, 3 horas seguidas, mas infelizmente o tempo da demo foi curto. Continuando com o jogo: ando em volta, aproximo da parede, olho ao meu redor. É simplesmente a melhor imersão que tive até o momento. Me sinto no Holodeck da Enterprise, aqueles objetos estão simplesmente materializados bem na minha frente! A qualidade gráfica é incrível.

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Começo a investigar a casa. É estranho, pois no mundo real estou sentado em uma poltrona bastante confortável, mas no mundo virtual estou caminhando, e me sinto de fato caminhando naquele ambiente. Mexo em algumas gavetas, fuço alguns armários. Entro em uma sala repleta do que parecem ser uns bonecos de vudu pendurados. Entro na cozinha, tem uma panela grande em cima da mesa. Abro a panela. Há comida dentro da panela, e baratas. Vasculho a casa. Encontro uma fita k7, e me lembro que na sala onde o jogo inicia tinha uma TV com um videocassete. Volto para a sala e coloco a fita no aparelho. Um filme começa, e ao invés de simplesmente assistir a sequência, eu, o jogador, sou enviado para dentro do filme para “assistir” ao vídeo em primeira pessoa. Esse é um momento que acontece uma coisa bem legal. Estou acompanhando mais dois homens, investigando a casa onde estou, em algum momento no passado próximo. As duas figuras humanas, ali na minha frente, se mexendo, conversando, do meu tamanho, em 3D, são perturbadoramente reais! Já ouviu falar no abismo estranho (uncanny valley)? O abismo estranho é uma sensação de desconforto ou de repulsa, prevista por cientistas da área de robótica, que é causada por máquinas ou simulações virtuais que se comportam de forma MUITO humana, mas falta algo. O que senti acredito ter sido algum nível do abismo estranho… e achei incrível! Investigamos um pouco a casa, e logo depois de achar um desses dois homens morto em uma passagem secreta, o pessoal da Sony bateu no meu ombro dizendo “seu tempo acabou”. Saí com aquele gosto de quero mais.
Que coisa incrível é a experiência de realidade virtual em seu atual momento. A sensação de imersão é ímpar. Os equipamentos – bons – infelizmente ainda são caros, mas acredito que 2018, talvez 2019, serão os anos de consolidação da tecnologia no mercado. Quem sabe até o início da próxima década não seja comum irmos à casa de um amigo ou parente, ligar o vídeo game e dizer: holodeck, iniciar!

Jonathan Diego
Programador, colecionador de jogos de tabuleiros, mergulhador, inventor de garagem e oficial do império galáctico. Sou apaixonado por física, astronomia, tecnologia, games e cinema. Desejo um dia criar uma Inteligência Artificial capaz de subjugar a humanidade.