Anime Friends 2017, confira o que mudou no evento

O aumento dos preços levanta a seguinte pergunta: será que vale?

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Fãs de animes e mangás do país todo ficam mais atentos ao calendário quando chega essa época do ano, o motivo é um dos maiores eventos do gênero que ocorreu nos dias 07, 08, 09 de Julho e que reúne atrações especiais, convidados e cosplayers. No evento, uma atmosfera nerd paira no ar e por todos os lados é possível conferir pessoas vestidas com seus personagens favoritos, a voz das celebridades do palco ecoando pelo local, a luta constante com os canudinhos do Muppy pelo líquido sagrado e as famosas filas, que nem estavam tão grandes.

O evento sobre o tempo

Na primeira edição do Anime Friends, cerca de 22 mil pessoas compareceram ao evento realizado em 2003, mas o grande “boom” de popularidade aconteceu na segunda edição, em 2004, com 32 mil visitantes. O que podemos dizer é que o cenário era completamente diferente do atual. O espaço era curto para abrigar a quantidade de pessoas que vinham, de diferentes partes do país, para um dos poucos eventos que permitia estar entre os seus. Se você gostasse de jogos, campeonatos estavam rolando e era possível discutir o assunto com outras pessoas, desconhecidas, vorazmente. Essa categoria se estendia do RPG e aos Cardgames, que junto com alguns Boardgames decoravam as mesas gerando olhos analíticos nos curiosos que passam.

Você tem um Animekê ali, um palco de eventos aculá e muitos estandes, oferecendo produtos que poucos tinham, inclusive animes em DVD, em um período onde a internet não era tão difundida assim. Os cospobres passeavam tranquilamente pelo evento como reis, os grandes projetos geralmente surgiam em disputas que envolviam outros países da América Latina. Era um evento criado pela comunidade e facilmente bancado por ela, lembro como amigos lojistas comentavam sobre como seus produtos haviam acabado nos primeiros dias, principalmente os exclusivos.

Plaquinhas para lá, abraços grátis para cá. Ano passado o evento completou 13 anos e estivemos por lá para conferir mais sobre o evento:

Nos últimos anos as reclamações foram várias: valores, espaço e atrações. O preço do ingresso passou a integrar a casa dos três dígitos tornando o evento menos acessível, algumas edições do evento aconteceram em locais onde a mobilidade era prejudicada, assim como o conforto e a questão de que se vale a pena ir ao evento começou a surgir na cabeça do público.

Compensa ou nem pensa?

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Vamos começar por onde dói, no bolso. O ingresso foi de R$10 reais para $ 80 reais, gerando em vários momentos de sua evolução a dúvida de se esse valor se justificaria com a melhora na qualidade do evento. A questão é que muita coisa mudou de lá para cá: a quantidade de pagantes de meia entrada aumentou, para controlar isso foi aderido um sistema de doação de alimentos, que nivela o acesso ao evento sobre diferentes públicos, porém, aumenta o valor do ingresso, gerando uma visibilidade ruim para o público que vê o valor de R$160 reais em um ingresso.

A coisa não para por aí! O público de animes sofreu um aumento gigantesco pela viabilidade dos serviços digitais e no evento isso soma-se com a popularidade dos super-heróis, seguindo essa ideia, até mesmo League of Legends se mostrou em peso pela comunidade e isso faz com que o evento tenha que fazer alguns ajustes para manter sua raiz e ainda consiga agradar a esse novo público ao qual se estende. Oferta e procura, com mais gente interessada no evento, o preço sobe.

Para resolver o problema da muvuca o evento passou por diversos locais diferentes e a situação oscilou, até finalmente chegar em um espaço que comporte a quantidade de pessoas interessadas. Esse ano o Transamerica Expo Center permitiu que o público do Anime Friends desfrutasse do evento em um local coberto, condicionado e espaçoso, o que mostra um grande avanço na comodidade oferecida aos fãs de animações japonesas.

As atrações do evento ganharam a presença de profissionais dos e-sports, youtubers e criadores de conteúdo, que somavam-se aos estandes de marcas que ofereciam produtos e interações para os participantes. Esse ano o evento contava com um palco com atrações de cosplays e exibições, um palco de shows e um palco com karaokê. Esse ano você ouvia música de anime e tokusatsu de todos os lados e se olhasse bem, ia perceber que com a mudança aquisitiva do público, houve um aumento na quantidade de cosplayers e na qualidade dos mesmos.

Estandes com videogames antigos foram montados, fazendo a alegria dos mais nostálgicos. Para aqueles que gostam de novidades, estandes da Playstation e Xbox também marcaram presença, trazendo os últimos lançamentos para galera testar. Um palco com demonstrações de lutas de ringue fez a alegria da galera, enquanto a casa do terror assustava quem entrava e quem por perto passava, seja pelos monstros e maquiagens bem feitas, seja pelo fato da atração ser paga.

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Aliás não era só essa, muitas atrações eram pagas e poucas atrações permitiam uma interatividade bacana entre a galera, material que poderia ser facilmente compensado com o contato entre as pessoas, que ocorre claro, mas de maneira diminuta com a galerinha do kawaii. Em alguns espaços faltavam cadeiras para o pessoal sentar oferecendo duas opções: disputar cadeiras dos espaços de exibições ou sentar no chão mesmo. O entardecer forçaria a segunda escolha, forrando áreas do evento com pessoas que não pareciam se preocupar com isso.

Um espaço para crianças surgiu, o que deve ter levado a criançada a loucura e os pais ao delírio, principalmente por sua localização, ao lado das lanchonetes, facilitando aquela pausa para o lanche. As lanchonetes por sua vez apresentavam diversas opções, inclusive algumas novas que saem dos clássicos japoneses e fast-foods e preços condizentes em quase todas as lanchonetes. Ainda mais, do lado de fora do evento, o espaço possuía restaurantes que podiam e foram utilizados pelos visitantes da feira, abrindo ainda mais o leque gastronômico para quem passou o dia todo se divertindo.

As bandas deixaram de ser covers e esse ano foi possível conferir Asian Kung-Fu Generation, T.M. Revolution, Blanc7, todas responsáveis por trilhas de animes, no palco, pertinho dos fãs brasileiros em uma oportunidade rara.

Com esse conjunto, o evento mostra que evoluiu sua receptividade e com a atmosfera otaku no ar conseguiu trazer ainda mais opções para quem gosta do estilo e que deixa saudades na hora de ir embora. O Anime Friends deixou de ser um evento que reúne uma galera seleta e passou a ser um evento que comporta e abriga os fãs do estilo, é sair da garagem e começar a tocar em grandes palcos e consequentemente, isso tem um preço.

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E você? O que achou do Anime Friends 2017?

Luan Bião
Sou co-fundador da parada e hoje responsável pela infraestrutura, pelos projetos, códigos e por manter o barco andando. Por isso, você vai me ver em quase todas as áreas aqui do site, desde do jornalismo das matérias até as edições de vídeos e podcasts. Acredito que um dia vou conseguir reunir o time dos sonhos e buscar o One Piece e já estou chegando perto.

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