Crítica: Altas Expectativas

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Altas Expectativas que entra em circuito no dia 7, é baseado na história de Gigante Léo, que também protagoniza o filme.

O longa conta a história de Décio (Gigante Léo), um treinador do Jockey, que precisa superar sua deficiência física e de Lena (Camila Márdila) uma jovem que acaba de perder o pai e precisa cuidar do café que herdou e de um irmão mais novo, também  portador de deficiência física. O filme é uma comédia romântica, que segue muitos dos clichês desse gênero, mas ele é inovador no sentido de colocar um protagonista portador de nanismo.

O elenco é de uma maneira geral muito bom e parece ter uma ótima química. Eu gostei especialmente tanto da atuação de Gigante, que é divertidíssimo em várias partes do filme e da atuação de Maria Eduarda de Carvalho, que interpreta a Joquete que Décio treina. Ela faz perfeitamente aquela amiga que é irritante, mas que todo mundo gosta mesmo assim. Além disso, os dois funcionam muito bem juntos e você acredita na amizade dos dois durante o filme todo.

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A relação dos personagens de Gigante e Maria Eduarda também é muito importante para a história, já que um ajuda o outro a superar as suas dificuldades.

O humor do filme funciona bem nas partes que estão inseridas dentro do roteiro, porém tem algumas cenas que mostram Gigante fazendo Stand Up Comedy, que embora tenham piadas divertidas tiram um pouco da fluidez do filme. Talvez pudéssemos ver ele no palco de uma maneira que estivesse inserida no roteiro.

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Como eu já mencionei, o filme utiliza vários clichês de comédias românticas, que são bem fáceis de reconhecer, mas que não tornaram o filme cansativo ou repetitivo, justamente porque o filme trata de outros temas como inclusão e superação. Embora o filme se foque mais na relação de Décio e Lena, os personagens tem seus objetivos particulares para resolverem.

Algumas das situações que aparecem no filme soam, sim um pouco forçadas, mas isso não é nada que não aconteça também com comédias românticas produzidas nos Estados Unidos, o único problema que eu vi no roteiro é que no meio do filme, ele fica um pouco parado, mas logo que Décio e Lena começam a se conhecer melhor, ele engrena.

No começo, o filme mostra algumas cenas que são sonhos de Décio com Lena, embora a primeira cena tenha ficado clara para mim como sendo um sonho, isso não aconteceu em todas. Teve um momento específico que eu achei que era um pesadelo e na verdade, tinha mesmo acontecido, mas eu demorei um tempo para perceber isso e como era uma situação relativamente importante na história, fiquei um tempinho perdida.

Os aspectos técnicos do filme são bons, a trilha sonora casa muito bem com o tema e com as cenas.

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Outra coisa que eu achei interessante no filme foi que diferente de vários filmes do gênero que dão a entender que aquilo é um conto de fada, onde tudo vai ficar perfeito para sempre, esse filme deixa isso meio em aberto, mas depois dos créditos vemos algumas cenas do próprio Gigante com a esposa e podemos tirar nossas próprias conclusões.

Para mim, a coisa mais importante do filme foi o fato de focar em um protagonista que nunca é explorado no cinema, a não ser que seja como de motivo de riso e zombaria. Talvez o roteiro nem precise ser maravilhoso, só precise, pela primeira vez, dar voz para esse protagonista.

Além das cenas de Gigante com a esposa, depois dos créditos, tem mais uma cena, então, é bom ficar até o final.

Divertido e interessante, Altas Expectativas é uma comédia romântica diferente que merece ser assistida.

Avaliação
Fernanda Cavalcanti
Formada em cinema, apaixonada por literatura, divide seu tempo livre entre ler, escrever e dançar. Gosta especialmente de terror, mas lê/assiste de tudo. Também escreve para o blog Além da Toca do Coelho.