Crítica: Homem Aranha – De Volta ao Lar

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Vou começar o texto fazendo algo que não gosto e nem sei fazer direito: ser autoritário. Mas, sim, esqueça tudo o que você já viu sobre Homem Aranha nos cinemas e tome como referência essa nova franquia estrelada pelo Tom Holland. Considere as franquias anteriores (Sam Raimi, com Tobey Maguire e  Mark Webb, com Andrew Garfield) apenas como versões beta onde os erros foram corrigidos e algumas ideias novas foram estimuladas, e deram certo.

Não é novidade que a Marvel pegou o jeito da coisa e tornou os seus filmes um “filmaço” repartido em episódios de 2:00 cada. Os acontecimentos em cada filme novo conversam e se entrelaçam com muita coerência com os filmes até então lançados e criam realmente um ambiente único, e o ato de contar histórias de super heróis toma um novo formato (em defesa, sem substituir os quadrinhos).

Se a aparição do Cabeça de Teia em Capitão América: Guerra Civil já foi o suficiente para apagar toda a história catastrófica dos filmes anteriores, Homem-Aranha: De Volta ao Lar prova que realmente podemos tirar da cabeça (mas não da história, infelizmente) os fracassos anteriores e ter um novo fôlego de esperança para se divertir realmente com as aventuras do Amigão da Vizinhança.

Nessa nova sequência, vimos um Peter Parker (Tom Holland) portador dos poderes aracnídeos por pouco tempo, e acompanhamos as suas desventuras para “pegar os macetes” de como ser o Homem Aranha. As sequências que tomam um ar super cômico, mas fugindo de ser um “pastelão”, aproxima o espectador do lado cômico e “cara de pau” de Parker quando veste o mando do Aranha, característica essa que sempre foi marcante nos quadrinhos e animações, mas que teve a fórmula completamente mal trabalhada nas franquias anteriores para o cinema – tornando o herói chato, quando não simplesmente sem graça quando tentava ser engraçado (me refiro aqui aos filmes do Sam Raimi).

Michael Keaton, vestindo o manto de abutre, conquistou o seu lugar no hall dos super vilões do cinema com uma atuação convincente tanto como abutre, quanto um pai amoroso e preocupado que tem como interesse apesar sustentar a família. Alguns fans dos quadrinhos poderão se sentir lesados pela motivação do vilão não ser a mesma dos quadrinhos, mas a forma como o vilão é trabalhado, vale a pena se deixar levar para não perder toda graça que o filme proporciona.

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Um medo bastante recorrente de algumas pessoas era de que o Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) roubaria a cena e tornaria o Homem Aranha apenas um pupilo de fraldas – o que, para alívio desses, não acontece. O Homem de Ferro entra em cena como mentor , e até tenta controlar os atos do herói, mas Peter tem a consciência de que com grandes poderes vêm grandes responsabilidades e decide por si só fazer o que é certo. Podem respirar aliviados.

As cenas de ação são realmente empolgantes, apesar do visível excesso de CGI em algumas cenas que tiram um pouco do ritmo fazendo o espectador mais atencioso e crítico pensar “espera aí, isso aí não tá muito bem feito, não” – mas nada que desabone por completo o filme.

Os personagens coadjuvantes entram realmente para somar na qualidade do filme, não sendo usados apenas para completar o elenco, como visto em diversos filmes por aí. Ned Leeds (Jacob Batalon), é o amigo nerd de Parker que realmente tem uma relevância para a trama, assim como Liz Allen (Laura Harrier), o par romântico do herói, não entra para ser a mocinha indefesa e mais um rostinho bonito no cinema.

Homem-Aranha: De Volta ao Lar é mais um acerto da Marvel e mostra mais uma vez a confiança que podemos sentir cada vez que ficamos cientes de uma nova produção da marca.

Silvio Lelis
RPGista saudosista que acredita em uma nova ascensão do RPG de mesa em um futuro não muito distante.

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