Crítica: Valerian e a Cidade de Mil Planetas

Fantasia e ficção em uma mistura cheia de amor

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Baseado na HQ dos anos 70, Valerian é uma obra de ficção científica que inspirou muitas histórias nos anos seguintes, inclusive o famoso Star Wars. Agora em 2017, Valerian recebe uma adaptação cinematográfica intitulada Valerian e a Cidade dos Mil Planetas, dirigida por Luc Besson, presente em obras como O Quinto Elemento e Lucy, 13º Distrito e Cão de Briga, e que dessa vez mistura inúmeros elementos na tela com tecnologia 3D, transformando o filme em um composto artístico interessante, mas talvez exagerado de mais. Mas calma lá, vamos do começo.

A corrida interplanetária avançou muitos anos diante da nossa realidade, apresentando a formação de uma base espacial chamada Alpha, modular, que permite que outras espaçonaves se conectem a ela, possibilitando o crescimento, compartilhamento e no fim desses anos todos, já no presente, uma aliança de criaturas advindas de inúmeros planetas, costumes, culturas e formas (mesmo todas elas assumindo o preceito humanoide) e até então, só alegria.

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Esse ritmo de união é contraposto com os resíduos de uma guerra que circunda um planeta habitado pelos Pearls, uma raça pacífica que vive em comum com a natureza e que terá que enfrentar um grande desafio quando a existência de seu lar é ameaçada. De um grito de socorro de uma dessas vítimas surge então nosso protagonista, o agente federal Valérian (Dane Dehaan), que acorda no meio de uma praia artificial em sua fantástica nave Alex rumo a mais uma missão. Ao seu lado e fiel, Laureline (Care Delevingne) ganha destaque quando no filme as cenas transitam entre ambos e insiste em criar um laço romântico enquanto tenta manter as características dos personagens, elemento que na HQ chegou a ter um impacto diferente, mudando até o seu título para Valérian e Laureline, mostrando que os criadores da história original dessa ficção científica perceberam uma maior aceitação da dupla do que para o invencível Valérian.

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Os fantásticos cenários que vão lembrar as cidades de O Quinto Elemento e Blade Runner, ganham sua originalidade quando navegamos pela grande base interplanetária, em meio a inúmeros ecossistemas, criados pelas criaturas que ali passaram a viver. A interação entre elas e suas diferenças, entre robôs especialistas em tecnologia até geleias sensíveis especialistas em neurociência, a galáxia é grande demais para ser expressa em um filme mas Valerian e a Cidade dos Mil Planetas chega muito perto do que seria a união de tantas formas de vida.

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Grande parte da comédia do filme fica por parte das criaturas existentes e o trio de dedo duros que surge faz questão de aparecer na hora certa, uma vez que a relação de impotência aliada a soberania humana, em um sentimento de corrupção e poder que vai lembrar o lado negro da força, acaba ficando saturada com o General Okto Bar (Sam Spruell) e o Comandante Arun Fillitt (Clive Owen) que depois de inúmeras cenas agindo de maneira caricata, acaba não convencendo e cansando. Essa característica se estende a grande parte dos elementos, desde o figurino até as ações humanas, lembrando o filme Tropas Estelares e formando uma sátira da humanidade enquanto a incita.

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Todo aquele conjunto de informações que o filme oferece ao espectador converge para uma palavra: o amor. Sentimento que é trabalhado na dupla principal e na relação dela com os Pearls, que evolui muito melhor do que a relação com a raça humana. A história traz elementos originais e interessantes para os fãs de ficção científica: o multiplicador infinito, o uniforme de batalha, as pistolas geradoras de campos… e a lista é grande, incluindo destaque nessa composição Bubble (Rihanna), com sua apresentação fantástica em meio a transformações.

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Valerian e a Cidade dos Mil Planetas é uma obra que mistura fantasia e ficção, ação e romance e toda essa mistura gera uma falta de carisma para quaisquer um dos lados que você olhe do filme, fãs de ciência podem não ficar muito contentes assim como aqueles que preferem filmes que valorizam seus heróis, deixando a parte da explicação de lado e mostrando um monte de ação. Trabalhando no meio termo de tudo isso Valerian é uma adaptação arriscada, com tantas misturas como os seus mil planetas mas que vai continuar sendo o que é, quer você tenha se divertido ou não.

Luan Bião
Sou co-fundador da parada e hoje responsável pela infraestrutura, pelos projetos, códigos e por manter o barco andando. Por isso, você vai me ver em quase todas as áreas aqui do site, desde do jornalismo das matérias até as edições de vídeos e podcasts. Acredito que um dia vou conseguir reunir o time dos sonhos e buscar o One Piece e já estou chegando perto.