A Morte Te Dá Parabéns

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No filme, uma escrota universitária chamada Tree morre de uma forma assustadora e acorda novamente na manhã do dia em que morreu. Em um primeiro momento, ela pensa estar vivendo um grande déjà-vu, mas logo percebe que as coisas são mais sérias, embarcando em uma jornada para descobrir a identidade do assassino e conseguir, assim, se libertar desse fluxo de repetições. A produção se aproveita para brincar com diversos clichês dos filmes de terror de um jeito bastante espontâneo.

O longa começa acertando com sua protagonista, uma verdadeira “Menina Malvada”, babaca e que pouco se importa com os outros — ainda que adiante na trama isso se justifique de maneira bem humanizada. Jessica Rothe está acima da média e consegue entregar mais do que apenas bons gritos (e ela tem garganta, hein), emocionando e divertindo na mesma medida. Com uma personagem assim, puxando o carro tão bem, o restante do filme se faz com a premissa criativa. A figura “baby face” do assassino também é bastante efetiva, uma mistura meio louca de Ghostface (de Pânico) com o serial killer de Dia do Terror (Valentine).

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Christopher Landon, que já escreveu três dos Atividade Paranormal e dirigiu um deles, entrega aqui uma direção virtuosa e cheia de personalidade, usando e abusando dos clichês do gênero totalmente a favor do seu enredo, sem nunca permitir que abramos algum bocejo durante a sessão, em uma história dinâmica, tensa, engraçada e com pequenos segredos, que vão se revelando a medida que a trama avança. Outra surpresa da produção, fica por conta de Scott Lobdell, famoso roteirista de quadrinhos (eu li toda sua fase a frente dos X-Men nos anos 90), que em A Morte Te Dá Parabéns é o inspirado roteirista, responsável por revigorar esse subgênero do terror para uma nova geração que muito provavelmente vai se identificar com alguns dos personagens.

Não sei, mais uma vez, se minha obsessão por slasher movies e terror num geral me levou a sacar a identidade do assassino em menos de meia hora de filme, mas acredito que a surpresa seja válida no clímax, ainda que a justificativa deste seja fraquíssima e não tenha me convencido. Outro ponto baixo, foi o mal aproveitamento dos danos que Tree sofre e traz consigo cada vez que retorna pro dia 18 daquela segunda-feira. O subplot é logo esquecido, dando apenas um falso alerta de que essas repetições carregam consequências. Mas nada disso estraga a experiência.

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Sem apelar para sustos fáceis, ainda que não economize nos gritos, o longa jamais necessita de gore, de litros de sangue jorrando e tripas voando para se mostrar eficiente — ele funciona mesmo sem que elas surjam a todo momento (mas sim, as mortes feias estão lá, de alguma forma), apostando mais em interessantes técnicas de iluminação e uma exagerada sonoplastia.

O mérito de A Morte Te Dá Parabéns está em conseguir misturar filmes de repetição do tempo (que além do citado na história Feitiço do Tempo, ainda temos Meia-Noite e Um e No Limite do Amanhã etc) com slasher movies (o clássico Sexta-Feira 13, Lenda Urbana e o icônico Pânico etc), sem a arrogância de se levar mais a sério do que o necessário, entregando, assim, um filme de terror essencialmente divertido, do tipo que se tornou raro desde o fim da ótima safra entre o fim dos anos 1990 e a primeira metade dos anos 2000. Filmaço!

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Douglas MCT
Douglas MCT já escreveu para os gibis da "Turma da Mônica", roteirizou o desenho animado "Galera Animal" da TV Globo, participou do enredo do game "Chico Bento" para as redes sociais, é autor dos quadrinhos “Edgar Alan Corvo”, "SUPER" e “Hansel&Gretel”, e dos livros "O Coletor de Almas" e da série "Necrópolis".