Christine, de Stephen King

Uma história de terror sobrenatural que marcou época e um dos maiores clássicos de Stephen King

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Sinopse: “Arnie Cunnigham é um jovem estudioso, mas sua falta de carisma e seu excesso de espinhas prejudicam a popularidade com os colegas. Dennis Guilder é seu único amigo e protetor ocasional, além de ser o astro do time de futebol. Até que um dia Leigh Cabot, a nova aluna do colégio, é conquistada por Arnie e… desejada por Dennis. Um clássico triângulo amoroso, que só não se completa porque Christine vigia os três adolescentes. Um quarto personagem, uma dama perversa que levará a trama por uma trilha de sangue e vingança. Tomada por um ódio implacável, Christine zela pela posse de Arnie. Porém, não é uma rival comum. Com sua carroceria vermelha e branca, é um velho Plymouth Fury 1958 que seduz Arnie de forma absoluta. Quando Arnie se dedica febrilmente a restaurá-la, Dennis e Leigh começam a suspeitar que o preço dessa crescente obsessão pode ser alto demais. Em pouco tempo, ele e Christine se transformam, e as calmas ruas de subúrbio vão sendo lavadas em sangue. Há algo maligno solto pelas estradas de Libertyville, e Dennis é o primeiro a descobrir a verdade – Christine está viva.”

Fonte: contracapa do livro

A história se passa nos Estados Unidos, no subúrbio de Pittsburgh, entre o verão de 1978 e a primavera de 1979. Ou seja, em poucos meses testemunhamos a transformação de um garoto nada popular e espinhento em um arrogante rapaz obcecado por seu carro e que conquista a garota mais bela da escola.

Pra começar, Stephen King fez algo que eu acho que eu faria se fosse escrever um livro: começar cada capítulo com o trecho de uma música! Talvez pareça meio bobo, mas acho muito divertido pesquisar músicas, e no caso desse romance, as músicas citadas em sua maioria são da década de 1950 (época em que Christine, o carro, foi montado), contendo também algumas canções das décadas de 1960 e 1970, época em que acontece a narrativa.

christineA história é contada em três partes. A primeira é narrada por Dennis e se chama DENNIS – CANÇÕES SOBRE CARROS PARA ADOLESCENTES. Começa com “Somethin’ Else” de Eddie Cochran. Ele conta sobre sua amizade desde a infância com Arnie e ficamos sabendo como são suas famílias e como se comportam. É nessa parte também que Arnie vê Christine pela primeira vez e fica obcecado pelo automóvel. Porém, ele (ela) já tem 20 anos de idade e está totalmente destroçada. Arnie literalmente se apaixona pelo carro mesmo assim e o compra, por uma pechincha, de seu antigo dono, um senhor boca suja chamado LeBay, que logo em seguida morre subitamente.

Pra ficar uma leitura ainda mais interessante, eu achei uma playlist no Spotify com as músicas citadas no livro! Tem no YouTube também! Muito legal! Além de Eddie Cochran, você ouvirá muitas canções dos Beach Boys, Chuck Berry, Beatles, e Bruce Springsteen.

Assim como os leitores ouvindo as músicas, os personagens do livro também fazem verdadeiras viagens no tempo quando estão dentro de Christine. Um tanto assustador para uns, porém revigorante para Arnie. O perdedor que apanhava na escola começa a ganhar mais autoconfiança e segurança enquanto restaura seu novo (antigo) carro em uma garagem estilo Faça-Você-Mesmo.

Desconfiado pelas mudanças em seu amigo, Dennis começa a investigar o passado de Christine e de seu antigo dono, LeBay, e acaba descobrindo coisas aterrorizantes que o fazem perceber que seu querido amigo de infância pode estar em grande perigo. Há um histórico sombrio de mortes e violência ligado à Christine.

A segunda parte se chama ARNIE – CANÇÕES DE AMOR PARA ADOLESCENTES e é contada por um narrador onisciente, porque Dennis sofreu um acidente num jogo de futebol e está de castigo no hospital todo engessado. Arnie está namorando agora com a garota mais bonita do colégio, Leigh. Só que ela não se sente nem um pouco à vontade quando está dentro de Christine, e acredita até que o carro tenha ciúmes dela e que seja capaz de matá-la. Claro que ela e Dennis vão se juntar para tentar tirar Arnie dessa enrascada que é seu Plymouth Fury 1958.

Mesmo com esse nome “Canções de amor”, as músicas continuam mencionando carros, até porque para Leigh, carros são garotas. E qual garoto nunca se apaixonou por uma caranga, né?

Christine sofre um terrível ataque dos valentões da escola, que destroem tudo que conseguem e inclusive um deles faz cocô em cima do painel da bela dama de quatro rodas. Isso enfurece Arnie e enfurece também a própria Christine, que se restaura misteriosamente e busca por vingança. Ela não deixa barato e espalha muito sangue pela cidade.

Leigh, apavorada por conta de Christine, percebe as mudanças em Arnie, o que leva o casal a brigar feio e ela acaba então se aproximando de Dennis. Não é à toa que ouvimos muitos blues nessa parte…

Na terceira e última parte voltamos com a narração de Dennis. CHRISTINE – CANÇÕES DE MORTE PARA ADOLESCENTES. Só que aí eu contaria o fim da história e isso não tem graça, certo?

É incrível que o livro tenha sido publicado em 1983 e no mesmo ano foi lançado o filme de John Carpenter, Christine – O Carro Assassino. Eu acabei assistindo o filme primeiro porque tinha (ainda tem – e sem data para ser removido do menu) no Netflix, mas logo depois li o livro. Não tenho do que reclamar. É uma ótima adaptação! Claro que tem suas diferenças com o livro, qual adaptação que não tem uma coisinha ou outra, né, mas a história ficou muito boa na tela e John Carpenter é outro mestre, assim como King.

Livro e filme utilizam músicas para contar sua história. No filme, as músicas são outras, mas a pegada é a mesma. A abertura do filme tocando “Bad to the bone” é sensacional! O rádio de Christine só sintoniza uma estação que toca constantemente Rock ‘n Roll, o que para os amantes do gênero musical, torna a experiência de Christine muito mais divertida, tanto assistindo quanto lendo. Recomendo muito!

AVALIAÇÃO
Editora: SUMA DE LETRAS Edição:Ano: 1983 Assunto: Literatura americana. Romance. Idioma: PORTUGUÊS Encadernação: BROCHURA Altura: 23cm Largura: 16cm Comprimento: 3cm Complemento: Lista de músicas com as devidas permissões de uso Número de páginas: 609
Veri Luna é fotógrafa, videomaker, formada em audiovisual, ama cinema, livros e comida.

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