Raio Negro, até quando ser herói?

A violência é parte da estrutura orgânica na qual as cidades se erguem, quando consegue sobrepor as outras coisas, a violência inicia um efeito dominó fazendo com que as pessoas e a justiça se tornem uma coisa só, alimentando um senso de esperança nos mais fracos e um senso de vingança naqueles que possuem poder, nesse caso, Cress Williams chega como um raio, ou melhor, o Raio Negro que se vê diante de uma realidade complicada, uma onda exponencial de crimes e abusos que estão ocorrendo em sua cidade e mais recentemente, com a sua família.

Aposentado, o Raio Negro combateu o crime algum tempo atrás e depois de uma promessa para sua esposa, decide por um fim a dor e sofrimento causado pelo uso do seu alter-ego, passa então se dedicar a um colégio e acaba se tornando diretor. Tudo corre bem até que uma de suas filhas se envolve com um afilhado da mafia local e resolve raptá-la. Com a polícia constantemente desrespeitando nosso protagonista e os bandidos conduzindo a cidade a ruína, o rapto das garotas é somente a faísca para despertar o super herói e trazê-lo de volta ação, junto a doses de drama familiar e racismo.

Se a CW carrega nomes como Arrow, Flash, Supergirl e Legends of Tomorrow, é compreensível que ela saiba trabalhar com séries de heróis, nesse caso a experiência nos trás uma série que não surpreende, que não trás nada de muito diferente, mas que é bem feita. Atende aquilo que propõe e oferece isso na dose certa, assim, o seriado encontra folga para movimentar assuntos polêmicos enquanto constrói o retorno do herói e o seu lançamento para milhões de pessoas que nunca ouviram falar do personagem.

Em um país onde a miscigenação não enraíza na cultura, ser negro é embaçado. Há quem diga que esses elementos só recriam e trazem à tona um racismo que deve ser esquecido, em paralelo não dá para esquecer o que se vive, aí Raio Negro recebe uma carga e pauta para muito assunto. O aumento do tráfico organizado e a formulação de novas drogas são novos velhos assuntos, até agora o vilão não tem poderes, Tobias Baleia, líder da facção 100, é essencialmente mau. E me parece que não é preciso muito mais que isso.

No episódio piloto somos apresentados a família de Jefferson Pierce, que vive uma separação conturbada depois de tantas noites chegando banhado a sangue e que tem duas filhas adolescentes sendo que uma delas parece que herdou poderes enquanto a outra parece que não vai parar de aprontar tão cedo. Mais energia para a série, que parece fugir do clássico um vilão toda semana e parece querer seguir um ritmo similar ao das séries da Netflix, Jessica Jones e Luke Cage.

A série nos trás um interessante efeito para as mensagens de celular e alimenta o sentimentalismo pelo herói com vídeos das pessoas que conhecem a identidade de nosso herói, incentivando ele ao longo dos anos a retornar o combate ao crime.

Claro que a emissora usou seus recursos: os efeitos elétricos vistos em Flash foram importados e passados por várias sessões de anil, a armadura do Arqueiro Verde faz aquele esquema Kevlar like Batman e um murro do “negão”, é um belo de um murro bem dado. A cereja do bolo vem com a declarada atualização da roupagem do nosso protagonista por parte deu seu amigo alfaiate que parece uma fusão tripla de Alfred, Kingsman e Cisco. O que ele tem de armadura falta nos golpes elétricos a longa distância, mas calma lá também né?

Mesmo Pierce se segurando até o último momento o que vemos é o despertar de uma força destruidora, raivosa e em busca de justiça, saber que ele já fez isso antes e parou é o que dá aquele frio na barriga. Você seria assaltado se pudesse impedir? Até quando você ocultaria sua verdadeira identidade para proteger sua família? E quanto a esperança que alimentaria pessoas frágeis que rodeiam esse domo de segurança que você constrói em volta de si? Essas perguntas estão na série, mas você não vai lê-las.

Em um período de Viola Davis e Oprah, o Raio Negro é uma boa adição da CW e uma expansão do leque de super-heróis na ativa e provavelmente vai levantar muitas discussões por aí. Black Lighting seria a Raio Preto ou Raio Negro? Ou você achou que eu não ia deixar minha contribuição? 😀

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Luan Bião

Analista de informações e especialista em tecnologia, ficou tanto tempo preso no laboratório que tornou sua memória volátil, por sorte, nanorobôs mantém os registros de suas experiências direto na nuvem e o resultado filosófico você confere aqui no Vitamina Nerd.

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