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Estreia da Semana: Desejo de Matar

Desejo de Matar é o remake do filme de mesmo nome de 1974, estrelado por Charles Bronson, que por sua vez é inspirado em um livro escrito por Brian Garfield e publicado em 1972.

No remake, acompanhamos a história de Paul Kersey (Bruce Willis), um médico bem sucedido, casado com Joanna (Elizabeth Shue) e pai de Jordan (Camila Morrone), que está prestes a ir para a faculdade. No dia do aniversário de Paul, enquanto ele atende a uma emergência no hospital, bandidos invadem sua casa e acabam atacando tanto Joanna, quanto Jordan e depois escapam. Quando Paul percebe que a polícia não tem a menor ideia de quem são os criminosos e que a violência continua aumentando em Chicago, ele resolve fazer justiça com as próprias mãos.

Desejo de Matar funciona mais ou menos como uma versão masculina de Doce Vingança, onde a violência vai aumentando e ficando mais gráfica conforme o tempo vai passando, então, é claro que o filme não é uma boa pedida para quem não lida muito bem com sangue ou cenas de tortura. Embora o filme esteja classificado como ação, ele fica bem no limite do gore em algumas cenas, em um cinema que é bem típico de Eli Roth (de O Albergue e Grindhouse).

E o que parecia uma boa idéia nos anos 70, quando foi lançado o filme original, hoje já não funciona tão bem e alguns momentos do filme podem não combinar muito com o mundo fincado no politicamente correto de hoje. Por outro lado, algumas pessoas podem de fato se reconhecer na revolta de Paul e até compreender o que ele está fazendo, mas a ideia de olho por olho pode ser uma porta perigosa de se abrir em tempos tão extremos.

Bruce Willis em cena do filme.

O longa tenta falar sobre a violência que assola o planeta e usa isso como justificativa para as ações do protagonista, mas a reflexão é bem rasa e ao invés de jogar o holofote sobre todo o sistema, isso acaba ficando de plano de fundo para a busca pessoal de Paul pelos bandidos que atacaram sua família.

O roteiro do filme funciona bem, embora não tenha nada de inovador ou diferente de outros filmes parecidos e use de algumas soluções simples para justificar algumas situações. Os diálogos são cheios de piadas que estão ali, certamente para desanuviar o tema que é pesado, mas que não aterrissam muito bem e fica bem claro durante o filme que o único propósito da produção são as cenas de tiroteios, torturas e violências.

A edição chama a atenção, embora tenha os cortes rápidos típicos de filmes de ação, em alguns momentos a tela é dividida em duas cenas diferentes, uma que mostra Paul exercendo sua profissão e, outra que mostra Paul exercendo o seu hobby, o de justiceiro.

Paul e sua família.

Bruce Willis funciona bem no papel, mas nem a sua atuação, nem a do resto do elenco chamam atenção especialmente, mesmo porque não existe muito espaço para isso, o filme está mais preocupado com as cenas de ação.

Desejo de Matar certamente vai satisfazer os fãs do gênero, com suas cenas de ação constantes e com um roteiro relativamente bem construído que justifica todas as situações do filme, mas para o resto da audiência é um filme mediano, que pode entreter por algum tempo.

Desejo de Matar entra em cartaz no dia 10 de Maio.

Desejo de Matar

Data de lançamento: 10 de maio de 2018 (Brasil)

Elenco: Bruce Willis, Vincent D'Onofrio, Elisabeth Shue, Camila Morrone, Dean Norris

Gênero: Ação, Crime, Drama

Produtora: MGM

Distribuidora: Imagem Filmes

Direção: Eli Roth

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Fernanda Cavalcanti

Formada em cinema, apaixonada por literatura, divide seu tempo livre entre ler, escrever e dançar. Gosta especialmente de terror, mas lê/assiste de tudo. Também escreve para o blog Além da Toca do Coelho.

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