A Cidade dos Piratas, baseado na obra de Laerte

As tirinhas do jornal ganharam vida

A Cidade dos Piratas mescla a jornada de transição da artista e do diretor, que encara a morte após ser diagnosticado com câncer. Cria-se, então, um abismo caótico entre ficção e realidade na animação mais louca de todos os tempos.

Uma das obras mais polêmicas de Otto Guerra, o longa faz uma mistura underground e caótica entre ficção e realidade sobre as vidas particulares de Laerte Coutinho e Otto Guerra. Assim, o filme é construído por meio de uma série de referências dos quadrinhos da Laerte, e do cinema do próprio diretor. Além disso, busca através da história do Brasil, inclusive fatos da história recente, fazer uma reflexão sobre a arte, a cultura pop, e política.

A Cidade dos Piratas

Dessa forma, vemos Laerte, Otto Guerra, os Bandeirantes, os Piratas do Tietê, a equipe do filme, todos em formato animado. Além desses, há participações especiais de um certo Minotauro, de Fernando Pessoa e políticos e pessoas frustradas. Com vozes especialmente cedidas por Marco Ricca, Matheus Nachtergaele, entre outros.

A Cidade dos Piratas

Entre muitas metáforas e histórias confusas, temos Marco Ricca como o político homofóbico, que tem um medo paranoico que o mundo inteiro se torne gay. E o personagem de Matheus é um homem casado que se veste de mulher e posa para um escultor.

Otto Guerra animado

A animação é desenvolvida a partir dos personagens dos quadrinhos Piratas do Tietê, que passam a ser rejeitados por sua criadora quando ela se afirma transgênero, assumindo sua identidade feminina. “Para a Laerte, Os Piratas e outros universos de sua criação, ficaram superados. Ela dizia que os Piratas funcionavam nos anos 80, mas que hoje ela considera eles machistas. Eu também concordava que suas criações mais recentes eram muito melhores. O projeto do filme iniciou em 1993, evidente que o mundo evoluiu e tratamos de nos adaptar a essa nova fase da autora.”, diz Otto Guerra.

Com uma trilha sonora divertida, A Cidade dos Piratas traz à tona assuntos polêmicos, políticos e referentes à sexualidade das pessoas. Entretanto, a animação é confusa e meio sem pé nem cabeça. São tantas histórias acontecendo ao mesmo tempo, que realmente parece que estamos lendo as tirinhas do jornal.

A Cidade dos Piratas
Marco Ricca dá vida a um político homofóbico

As mentes criativas

Otto Guerra, o diretor, é um dos pioneiros da animação autoral no Brasil. Ele criou a Otto Desenhos Animados, que se tornou uma das produtoras de animação mais importantes do país. É o único diretor com quatro obras na lista dos 100 filmes mais importantes da animação brasileira definida pela ABRACCINE. Entre suas obras temos Rocky e Hudson: Os Caubóis Gays (1994); Wood e Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’roll (2006); Até que a Sbórnia nos Separe (2014).

Laerte Coutinho é uma das quadrinistas mais conhecidas do Brasil. Começou sua carreira nos anos 70 fazendo o personagem “Leão”. Nos anos 80 lançou a revista “Piratas do Tietê” com a Circo Editorial e “O Tamanho das Coisas”. Foi colaborador de jornais e revistas como O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, Veja e Isto É.
Em 2010 revelou publicamente sua opção pelo crossdressing e em 2012 fundou a ABRAT, Associação Brasileira de Transgêneros.

A Cidade dos Piratas é um longa metragem de animação muito maluco que certamente te tira da realidade e te traz de volta a todo momento, nos fazendo refletir, rir e sair da sessão com várias dúvidas. O filme entra em cartaz dia 31 de outubro.

A Cidade dos Piratas

Nome Original: A Cidade dos Piratas
Direção: Otto Guerra
Elenco: Laerte, Otto Guerra, Matheus Nachtergaele, Marco Ricca, Marcos Contreras, Luis Felipe Ramos
Gênero: Animação, Comédia
Produtora: Otto Desenhos Animados
Distribuidora: Lança Filmes
Ano de Lançamento: 2018
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