BLEACH, a adaptação Netflix do mangá e anime

BLEACH é a adaptação do mangá e anime de sucesso feita pela Netflix. Consegue ser um filme competente de ação, que funciona independentemente do quão você conheça a mitologia original.

Seguindo os modelos bem estabelecidos de live-actions recentes baseados em animes, BLEACH é tão bom quanto a trilogia de Rurouni Kenshin. E decerto comete menos deslizes que a adaptação de Fullmetal Alchemist. Traz atores que muito se parecem com os personagens originais, sem que soem como cosplay. Nisso, o figurino acerta com um tom crível de fantasia urbana mais orgânica. Enquanto a fotografia colabora com a narrativa em tomadas dinâmicas e ângulos que emulam sequências de ação do anime sem qualquer estranheza. Temos um belo trabalho de luz e sombras, atmosfera fria, incluindo enquadramentos incisivos, em uma história que adapta o primeiro arco do mangá e do anime.

Sôta Fukushi é Ichigo Kurosaki
Sôta Fukushi é Ichigo Kurosaki

BLEACH

Menos caricato do que uma produção dessas pede, o elenco não brilha, mas também não desaponta. As atuações são bem encaixadas, principalmente de Sota Fukushi, que consegue entregar um Ichigo ainda mais carismático do que o original. No outro espectro, Hana Sugisaki também não desaponta, com uma Rukia servindo como o coração do longa.

Contamos ainda com uma direção firme pelas mãos de Shinsuke Sato, que entende o terreno que está adaptando. Mas que compreende, acima de tudo, que precisa atingir um novo público, alheio à série de origem (que não teve uma boa resolução nos últimos anos). Então, narra aqui uma história redondinha, com começo, meio e fim bem resolvidos. Com um gancho mais emocional do que cínico e até que bem sacado, o que finda a sessão de maneira satisfatória.

Ichigo e Rukia em BLEACH
Ichigo e Rukia em BLEACH

Ainda que alguns momentos sofram com elipses tacanhas e confusas, no geral o filme consegue funcionar de maneira satisfatória. Contando com efeitos especiais suntuosos (as criaturas sobrenaturais, sobretudo Grand Fisher, são de encher os olhos e nunca fazem feio em ação com elementos reais do cenário), BLEACH é um bom live-action, que pode seguir ditando os rumos de como realizar uma produção respeitada no gênero.

Bleach

Douglas MCT

Douglas MCT já escreveu para os gibis da "Turma da Mônica", roteirizou o desenho animado "Galera Animal" da TV Globo, participou do enredo do game "Chico Bento" para as redes sociais, é autor dos quadrinhos “Edgar Alan Corvo”, "SUPER" e “Hansel&Gretel”, e dos livros "O Coletor de Almas" e da série "Necrópolis".

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