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Musicais: Cabaret, o filme de 1972

Sinopse: Berlim no início da década de 30. O nazismo ascendia em velocidade impressionante, mas a maioria das pessoas ainda não tinha noção do terrível poder que aquela força política teria num futuro bem próximo. Sally Bowles (Liza Minnelli), uma sonhadora jovem americana que canta no cabaré Kit Kat, se apaixona por Brian Roberts (Michael York), um escritor bissexual. Ambos se envolvem com Maximillian von Heune (Helmut Griem), um nobre alemão. Quando Sally fica grávida, Brian a pede em casamento e declara não se importar com a paternidade da criança. Mas o futuro lhes reserva outro destino.

Fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-12/

Originalmente baseado em um conto de Christopher Isherwood, Cabaret foi posteriormente transformado em um musical para a Broadway e em 1972, ele foi adaptado para o cinema, com direção de Bob Fosse, um mestre dos musicais, estrelado por Liza Minnelli, Joel Grey e Michael York.

A trama de Cabaret é livremente inspirada na experiência do próprio Isherwood, que morou em Berlim no período pré-guerra. Nessa época, Berlim era o ápice da liberdade e da expressão sexual e os Cabarets eram comuns.

Esse é um dos assuntos mais latentes no filme. Cabaret, como o próprio nome indica mostra o dia a dia do Kit Kat Club, um clube em Berlim aonde conhecemos diversas personalidades, entre elas o Emcee (Joel Grey) e a cantora e dançarina americana, Sally Bowles (Liza Minnelli), que se apaixona por Brian (Michael York), um inglês, que veio a Berlim, segundo ele, para dar aulas de inglês.

Tudo no filme é muito ambíguo, ninguém fica sabendo exatamente qual é o trabalho de Sally dentro do Cabaret ou de onde ela tira o dinheiro para comprar suas coisas, e nem a própria Sally sabe se ela se interessa mais por Brian ou por Max von Heune (Helmut Griem), um alemão rico que parece disposto a sustentá-la. Brian também parece não saber muito bem o que ele quer, assim como ninguém sabe porque Brian resolve ir para Berlim ou qual a sua orientação sexual. O próprio Emcee é uma figura quase andrógena, que aparece de terno e de lingerie em momentos alternados.

Michael York e Liza Minelli em cena do filme

Isherwood é um nome famoso da literatura LGBT e Cabaret é repleto de personagens não-binários.

O filme também tem algumas histórias secundárias que são tão interessantes quanto a história de Sally e Brian, como a de Fritz Wendel (Fritz Wepper), um judeu disfarçado de cristão que está apaixonado por Natalia Landauer (Marisa Berenson), uma rica judia, que vem sofrendo preconceito com uma frequência assustadora.

Cabaret se passa no período pré-segunda guerra e o filme toca nessa tecla a todo momento, seja na estética, que lembra muito a estética do cinema expressionista alemão, que surgiu na mesma época e que usava o terror como uma forma de falar sobre a mudança que o mundo estava prestes a enfrentar, ou no exército da juventude Hitlerista cantando Tomorrow Belongs To Me no meio de um piquenique de Sally, Brian e Max, ou no palco do Cabaret, quando Emcee aparece de cinta liga e com um bigode que faz alusão a Hitler. O filme mostra claramente que toda aquela festa que vemos no Cabaret está prestes a acabar.

A montagem do filme também é interessantíssima, e muito do que acontece na trama do filme é visto no palco como número musical. Em uma cena que Brian apanha dos soldados nazistas, o diretor mistura as cenas da surra com uma cena de dança no Kit Kat Club. As músicas, todas do musical da Broadway, também são incríveis e se destacam: Mein Herr, Willkommen, Money, Money, Two Ladies e claro, Cabaret. Para quem se assusta com a ideia de assistir um musical, Cabaret é um bom lugar para começar já que os números musicais acontecem em sua maioria no palco (com exceção de Tomorow Belongs To Me) e não é nem plausível fazer aquela reclamação clássica de “mas por que eles tão cantando no meio da rua?”.

Joel Grey no papel que lhe rendeu o Oscar de melhor ator coadjuvante

Liza Minnelli é sem dúvida a pessoa que mais chama a atenção no elenco. Ela preparou a personagem com a ajuda de seu pai, Vincent Minnelli, diretor de musicais como Gigi e Agora Seremos Felizes (esse estrelado por Judy Garland, a mãe de Liza) e levou para a casa o Oscar de melhor atriz em 1973. Joel Grey, que reprisou o seu papel na Broadway, ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante e Bob Fosse, por sua vez, ganhou o Oscar de melhor diretor. Além desses, Cabaret também ganhou o Oscar de Edição, Direção de Arte, Fotografia, Mixagem de Som e Trilha Sonora.

Ainda hoje, Cabaret continua sendo montado pelo mundo. Em 1987 a peça ganhou o seu primeiro revival na Broadway, em Nova York, com Joel Grey mais uma vez como Emcee e Alyson Reed, como Sally. Em 1998, isso aconteceu de novo dessa vez com Alan Cumming como Emcee e Natasha Richardson como Sally, e em 2014, Cumming reprisou seu papel em outra montagem, que teve uma longa lista de Sallys, como Michelle Williams, Emma Stone e Sienna Miller. O mesmo aconteceu em Londres, que fez seu primeiro revival de Cabaret em 1986 e em 1993 repetiu o feito, também com Alan Cumming no papel de Emcee. Aqui no Brasil, Cabaret ganhou uma montagem em 2011, com adaptação de Miguel Falabella, com Claudia Raia no papel de Sally e Jarbas Homem de Mello, no papel do Emcee.

Infelizmente não podemos assistir a peça na Broadway, então nos resta assistir ao filme, que por si só é uma obra prima.

Nome original: Cabaret

Ano: 1972

Elenco: Liza Minnelli, Michael York, Helmut Griem, Joel Grey, Fritz Wepper, Marisa Berenson

Gênero: Drama, Musical

Direção: Bob Fosse

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Fernanda Cavalcanti

Formada em cinema, apaixonada por literatura, divide seu tempo livre entre ler, escrever e dançar. Gosta especialmente de terror, mas lê/assiste de tudo. Também escreve para o blog Além da Toca do Coelho.

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