Críticas

Todo o Dinheiro do Mundo vale o preço

A história do sequestro de Paul Getty III

Ambientado nos anos 70 e baseado em uma história real, Todo o Dinheiro do Mundo conta a história do seqüestro de Paul Getty III, neto do bilionário John Paul Getty.

Getty foi um dos primeiros homens a conseguir uma fortuna maior a 1 bilhão de dólares, tornado assim, toda a sua família um alvo fácil para o seqüestro. Paul Getty III, que no filme é chamado de Pequeno Paul, aparece no filme como o neto favorito de Getty, o que torna ele não só um alvo fácil, mas também o alvo perfeito para o crime.

A primeira coisa que chama atenção no filme é a fotografia, praticamente todas as cenas tem imagens lindas, especialmente as que mostram Roma ou a Inglaterra, os dois lugares onde o filme se passa.

A história do filme também é extremamente interessante, isso se deve, claro, a habilidade do roteirista, mas também do fato de que a história verdadeira é incrivelmente impressionante. O filme escolhe retratar essa história de uma maneira fragmentada. No começo, o telespectador acompanha o ponto de vista de Paul Getty III (Charlie Plummer) e explica não só quem ele é, mas também quem é seu avô (Christopher Plummer) e como ele se tornou o homem que é hoje. E é através dos olhos do neto que conhecemos o bilionário nos seus momentos mais íntimos e embora com os outros, ele pareça um homem duro e sem coração, as cenas do avô e do neto, mostram uma personalidade diferente.

Quando Paul é seqüestrado, o telespectador começa a ver a história do ponto de vista de outros personagens, como sua mãe (Michelle Williams), o homem que o avô contrata para ajudar e resolver a situação (Mark Wahlberg), dos sequestradores e claro do ponto de visto do avô.

Todos esses pontos de vista mostram características diferentes para cada personagem, e mais que isso, mostram que a mesma pessoa pode ser diferente dependendo de com quem ela está lidando e assim, os personagens se tornam realistas.

O filme se passa em 1973, e outra coisa que chama a atenção é a ambientação. Tanto a maquiagem, quanto os cabelos refletem bem a década que retratam. Já o figurino, que mistura perfeitamente a moda dos anos 70 e 60 não passa a impressão de os personagens estarem usando fantasias, como acontece com alguns filmes da época, as roupas usadas no filme parecem exatamente com roupas que aparecem em fotos ou filmagens do período. Acompanhando isso, a trilha sonora também é composta de sucessos das décadas de 60 e 70, como Time Of The Season e Wild Horses.

Talvez por serem inspirados em pessoas reais, todos os personagens do filme apresentam dualidades, ninguém é completamente bom ou completamente mal, mesmo Paul Getty III, que é a vitima é apresentado como um garoto festeiro e encrenqueiro, o bilionário, que junto com o neto se torna um avô bonzinho, pode ser inescrupuloso e egoísta e até um dos sequestradores (Romain Duris), mostra seu lado humano conforme vai se apegando a Paul III.

O filme é relativamente longo (2h15), o que poderia ser um ponto negativo, mas o filme não se torna cansativo, muito pelo contrario, tornando-se cada vez mais interessante e angustiante, fazendo com que essas duas horas nem sejam sentidas.

O elenco está ótimo, de uma maneira geral. Christopher Plummer, que interpreta John Paul Getty, foi inclusive, indicado ao Oscar de Melhor ator coadjuvante, a atuação de Mark Wahlberg também chama bastante atenção e o seu personagem sofre uma mudança dramática na segunda parte do filme.

Todo o Dinheiro do Mundo

Baseado em uma história real, mas que mais parece ficção, Todo o Dinheiro do Mundo vale e muito, o preço do ingresso do cinema.

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Fernanda Cavalcanti

Formada em cinema, apaixonada por literatura, divide seu tempo livre entre ler, escrever e dançar. Gosta especialmente de terror, mas lê/assiste de tudo. Também escreve para o blog Além da Toca do Coelho.

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