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Jumanji: Bem Vindo à Selva, a modernização de um clássico

Originalmente baseado em um livro, publicado em 1981, Jumanji virou filme pela primeira vez em 1995, e logo depois, virou um série animada. Existia também a idéia de fazer uma continuação para o filme de 95, mas depois de algumas confusões com o estúdio, acabaram adaptando outro livro do mesmo autor, Zathura. O fato é que o filme original marcou uma geração e ainda hoje é lembrado.

Essa nova versão, que estréia no dia 8 de Janeiro, não é um remake, portanto não usa o livro como base, mas utiliza o cenário e todo o imaginário que envolve a terra de Jumanji.

No longa, quatro adolescentes (um nerd, uma garota excluída, uma garota popular e egoísta e um atleta) acabam indo parar na detenção, por motivos diferentes, e enquanto limpam uma das salas da escola, encontram um vídeo game da década de 80, com um jogo já acoplado nele. O jogo em questão é justamente Jumanji. Os quatro resolvem jogar e como já era de se esperar, vão parar na selva de Jumanji.

A idéia de transformar o jogo de tabuleiro tão característico em um jogo de vídeo game, que a principio não parece boa, na verdade, é uma boa forma de modernizar o filme e deixar ele mais próximo da audiência atual, que talvez nem tenha contato com jogos de tabuleiros. E se o fato de o jogo ser digital tira algumas das possibilidade de ação que apareciam no primeiro filme (como os perigos que apareciam, dependendo da casa em que o peão parava), ele também abre a porta para vários outros recursos.

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Por isso o filme tem uma linguagem parecida com a de vídeo game e usa muitas das “leis” que já conhecemos, como a possibilidade de uma certa quantidade de vidas e a idéia de fases que devem ser ultrapassadas, que já é uma técnica comum em roteiros de filmes de aventura e aqui só é dito de forma mais explicita. Isso torna o filme muito divertido e fácil não só de  acompanhar, mas também de compreender, afinal de contas, todo mundo já jogou vídeo game, pelo menos uma vez na vida.

Outra coisa muito legal do filme se passar dentro de um vídeo game é que quando jogamos vídeo games assumimos alter egos, em Jumanji, os adolescentes quando entram no jogo, se tornam os personagens que escolheram, então, o nerd, Spencer (Alex Wolf), se torna o herói do jogo, o corajoso e forte, Dr Smolder Bravestone (Dwayne Johnson), a garota excluída, Martha (Morgan Turner), se torna a lutadora, Ruby Roundhouse (Karen Gillan), o atleta, Fridge (Ser’Darius Blain) se torna o zoólogo, Mouse Finbar (Kevin Hart) e a garota popular, Bethany (Madison Iseman) se torna o professor Shelly Oberon (Jack Black).  Esse recurso não só é útil para que os personagens possam evoluir até o final do filme, utilizando as fraquezas e as forças de cada um desses alter egos, mas também é responsável pelos momentos mais engraçados do filme, especialmente os protagonizados por Jack Black, interpretando Bethany.

O elenco do filme funciona muito bem, ele é composto basicamente por comediantes e por atores que levam jeito para a comédia e conseguem acompanhar os outros e é fácil perceber que existe química entre os atores e que eles estão bem integrados. Dwayne Johnson consegue levar o filme, sendo protagonista e os atores coadjuvantes estão muito bem em seus papeis, deixando o longa divertido.

Outra coisa muito interessante do filme é que ele consegue tirar sarro dos filmes do gênero, usando vários dos clichês de filmes de aventura, como piada. As roupas da personagem de Karen Gillan, que foram criticadas quando saíram as primeiras fotos do filme, são um dos clichês que o filme acabava subvertendo e questionando.

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O fato do filme se passar na selva, facilita a fotografia do filme. O longa é cheio de paisagens bonitas, com muito verde e isso tudo é muito bem construído através de efeitos digitais, que nesse caso, não ficam exagerados e vão agradar os fãs de efeitos especiais.

O filme é um pouco longo e no começo, antes dos adolescentes irem parar na detenção, o telespectador pode ficar um pouco perdido, ainda mais já conhecendo o resto do elenco do filme, pois o filme apresenta diversos personagens um atrás do outro, sem dar muitas explicações e as cenas em que eles finalmente, pegam as detenções, parecem um pouco repetitivas e quase esperadas depois que o segundo adolescente recebe a bronca, mas o filme engrena muito bem depois que eles entram no jogo.

Embora ele reverta algumas das leis do universo que nos foram apresentadas no filme original, se o telespectador for assistir o filme, abandonando a idéia de que esse filme deve ser igual ao de 95, a chance de diversão é muito alta.

Divertido, moderno e feito para as audiências atuais, Jumanji: Bem Vindo á Selva é uma boa pedida para o período de férias de 2018 e é um ótimo chamariz não só para uma possível nova saga, mas também para o filme original.

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Fernanda Cavalcanti

Formada em cinema, apaixonada por literatura, divide seu tempo livre entre ler, escrever e dançar. Gosta especialmente de terror, mas lê/assiste de tudo. Também escreve para o blog Além da Toca do Coelho.

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