Maria Antonieta, um livro de Antonia Fraser

Um novo ponto de vista sobre a última rainha da França

Em Maria Antonieta, a historiadora Antonia Fraser explana a vida da famosa rainha francesa, ao mesmo tempo que fala sobre o contexto da época em que ela viveu e apresenta uma visão diferente de quem foi a rainha.

Este livro inspirou o filme de mesmo nome de Sofia Coppola.

Maria Antonieta

Nascida em 1755, na Áustria, Maria Antonieta era a décima quinta filha de Francisco I do Sacro Império Romano-Germânico e Maria Teresa da Áustria e logo foi prometida a Luís XVI, o delfim da França.

Retrato de Maria Antonieta
Retrato de Maria Antonieta

Ela saiu da Áustria aos quatorze anos para se casar e teve que deixar para trás tudo que conhecia e tinha, inclusive seu cachorro. Sua vida na França não foi nada fácil. Ela era detestada pelo povo, que acreditava que ela interferia no governo para dar vantagens à Áustria e, mais tarde, foi acusada de gastar demais.

A dificuldade de seu marido, que na época do casamento não era muito mais velho que ela, de consumar o casamento, foi outro problema que perseguiu a futura rainha. Ela foi considerada difícil, pouco atraente e culpada pelas ações de Luís XVI. E sua suposta inabilidade de conceber um herdeiro foi assunto em toda corte.

Ela virou rainha em 1773, aos dezoito anos, e os gastos da corte, pelos quais ela recebeu a culpa diversas vezes, foram um dos motivos que impulsionaram a revolução francesa, que em 1792 deporia o reinado de seu marido, acabando com o regime monarquista na França e prendendo Maria Antonieta e seus filhos na torre do templo. Ela foi guilhotinada em 1793.

Kirsten Dunst como Maria Antonieta, no filme de 2006
Kirsten Dunst como Maria Antonieta, no filme de 2006

A rainha de Fraser

Depois de sua morte, Maria Antonieta ganhou uma certa fama que fez com que seu nome e partes de sua história trespassassem séculos. Ela é lembrada pelos figurinos extravagantes, que lançavam moda em Versalhes, mas que causavam revolta na população, que passava fome e pela polêmica frase: “Se não têm pão, que comam brioches”, que ela supostamente teria dado como a resposta a população que clamava por comida.

O livro de Fraser vai em outra direção. Apresenta Maria Antonieta desde seu nascimento, descrevendo detalhes de sua infância e adolescência interrompida, e passa por seus anos em Versalhes. É natural que o leitor se apegue a ela, uma vez que a “conhece” desde pequena e que vê de perto todos os percalços e problemas a qual ela é submetida. É verdade que Antonieta, como boa parte das mulheres nobres daquela época, teve sua vida interrompida quando foi jogada em um casamento forçado e potencialmente desastroso aos quatorze anos, e que na corte francesa, ela suportou uma série de pressões e demandas, mas também é impossível negar que ela vivia em uma bolha, enquanto o povo francês não tinha comida e pedia por uma vida melhor.

Uma mulher desprezível?

A mulher foi demonizada desde o momento em que chegou à França, acusada de influenciar o reinado de seu marido, gastar mais dinheiro do que devia e não se esforçar o suficiente para produzir um herdeiro. Com os anos, ela ganhou a fama de estar tão completamente deslocada da realidade que achava plausível que os franceses que não tinham pão, comessem brioches, um tipo de pão ainda mais caro.

Fraser parte do princípio que Maria Antonieta nunca disse essa frase e que ela não era tão alienada assim, o que, é claro, impossível de provar. Outros historiadores defendem a ideia de que Maria Antonieta não é a única culpada e nem o estopim para a revolução francesa, é certo que ela gastava muito dinheiro, mas a revolução era uma ideia que vinha germinando há um tempo e o governo de Luís XVI não foi o mais opulente que a França já teve.

Joely Richardson interpretou a rainha em O Enigma do Colar
Joely Richardson interpretou a rainha em O Enigma do Colar

Esta obra tem uma vantagem sobre outros livros que tratam da mais famosa rainha francesa: ele, pelo menos, tenta humanizar sua figura, o que é interessante, uma vez que, da mesma maneira que é possível que a rainha tenha sido uma alienada que só se importava com roupas, sapatos e festas, também é possível que ela tivesse a sua própria noção de política. Fraser defende que muito mais do que uma rainha terrível que pouco se importava com seu povo, Maria Antonieta era uma adolescente perdida, cercada por pressões, e que descontava suas frustrações em compras.

A moda

Outro assunto que sempre vem à tona quando se fala da rainha é a sua relação com a moda. E esse é outro aspecto que Fraser tenta desmentir no livro.

A rainha é sempre retratada como uma mulher segura de si e que tinha tanta certeza do que fazia que era capaz de ditar moda não só na França, como também em boa parte da Europa. Porém, segundo a autora, aquela que chegou à França era uma menina tímida e insegura, que só queria agradar seu marido e manter a Áustria em boas graças com o seu novo país. A moda e o estilo foram questões que ela desenvolveu com o tempo.

Diane Kruger em Adeus, Minha Rainha
Diane Kruger em Adeus, Minha Rainha

O seu gosto por moda é geralmente classificado como “futilidade” por pessoas que analisam sua vida, mas a impressão que fica é que existe uma falta de contextualização. Primeiro é preciso lembrar que Maria Antonieta era uma mulher vivendo no século XVIII e que, portanto, não tinha muita voz. Faz sentido que ela fosse buscar a sua própria maneira de se expressar, ela não é a primeira e nem a última rainha a se expressar através da forma de se vestir. A corte francesa era, de maneira geral, uma corte extremamente ligada em aparência e consequentemente, em moda. Diferentemente do que se pensa nos dias de hoje, a moda não era interesse exclusivo das mulheres e uma prova disso eram as vestimentas exuberantes de Luís XV, o antecessor de Luís XVI e Maria Antonieta.

Muito mais do que roupas

A moda é, de maneira geral, considerada fútil, porque durante muito tempo foi diretamente ligada às mulheres, como se as escolhas de roupas, maquiagens e penteados fossem alguma questão para as mulheres ricas se distraírem enquanto seus maridos tomavam decisões importantes. Ignora-se, no entanto, que a moda é uma maneira de se expressar e de demonstrar ideias tão boa e tão influente – ou até mais – quanto qualquer outra.

Isso justifica os gastos absurdos de Maria Antonieta, enquanto a França passava fome? De maneira nenhuma, mas tira de cima dela a fama de fútil e obcecada por moda.

Cena de Marie-Antoinette reine de France
Cena de Marie-Antoinette reine de France
Maria Antonieta na mídia

É justo dizer que ela é a rainha francesa mais famosa de todas, talvez porque tenha sido a última ou talvez por sua vida marcada por polêmicas e escândalos, por isso, é natural que exista uma série de representações dela na mídia.

A mais famosa é o filme de Sofia Coppola, “Maria Antonieta”, onde Kirsten Dunst interpreta a rainha. O longa é bem fiel ao livro de Fraser e tem como intenção desmistificar a ideia pré-existente sobre a sua figura. Como no livro, é impossível não simpatizar com a rainha.

Jane Seymour em La Révolution française
Jane Seymour em La Révolution française

Ela também já foi personagem de livros, músicas e filmes. Além do filme de Sofia Coppola, Maria Antonieta também aparece em O Enigma do Colar, que retrata a história real de um golpe dado por uma jovem aristocrata (Hilary Swank) e Adeus, Minha Rainha, que aborda uma suposta relação amorosa entre Maria Antonieta (Diane Kruger) e a Duquesa de Polignac (Virginie Ledoyen), uma das melhores amigas da rainha.

É impossível saber com exatidão quem foi Maria Antonieta e qual a sua culpa completa na revolução francesa, mas o livro de Fraser mergulha a fundo na vida da rainha e traz um ponto de vista diferente e um pouco mais humano para uma figura tão infame.

Nome Original: Maria Antonieta
Autor: Antonia Fraser
Editora: Record
Gênero: Biografia
Ano: 2001
Número de Páginas: 574

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