O declínio de Game of Thrones

No último domingo foi ao ar – oficialmente – o sexto episódio da sétima e penúltima temporada de Game of Thrones. Como de costume no hit da HBO, o penúltimo episódio da temporada contém os acontecimentos mais importantes e inesperados. Porém, desde que a série se distanciou dos livros, os eventos não estão sendo assim tão inesperados.

Spoiler is Coming! Se ainda não assistiu ao episódio mais recente da sétima temporada e não quer ter spoilers, salve o texto para depois.

O último episódio é uma síntese de todos os problemas que a série vem apresentando, mas até então nós “ignorávamos”. Nele se confirmou uma das teorias mais polêmicas da internet sobre o Dragão de Gelo que será utilizado pelo Rei da Noite para “equilibrar” a grande guerra que se aproxima. Visualmente, a cena é linda e enche o espectador de sentimentos diversos, porém, ao analisa-la friamente (sem trocadilhos),  ela existe apenas para isso: pelo espetáculo!

Ao final da quinta temporada, a série concluiu todos os eventos já apresentados através da obra de George R. R. Martin, criador d’As Crônicas de Gelo e Fogo. Uma vez que o show não pode parar, os produtores do programa, David Benioff e D. B. Weiss, se reuniram com George Martin para descobrirem quais seriam os desfechos das principais tramas e seus respectivos personagens. A partir daí, os produtores assumiram as rédeas criativas da história e escreveram os roteiros da sexta e sétima temporada, sem envolvimento de Martin como consultor ou escritor como de costume.

A mudança é nítida! A sexta temporada começou com um novo ritmo: mais acelerado e mais focada em concluir arcos ao invés de desenvolve-los. As viagens entre as várias áreas do reino se tornaram mais rápidas e os núcleos começaram a convergir e mesclar ou sumir. A conclusão da sexta temporada deixou isso claro ao resolver uma trama crescente e complexa ao melhor estilo Deus Ex Machina: explodindo geral e o rei cometendo suicídio!

A sétima temporada veio para potencializar essas soluções pobres de roteiros e minar mais núcleos (Beijos, Tyrells! Abraço, Dorne!) para focar nos atuais protagonistas. Estaria tudo bem, se Game of Thrones fosse mais uma série blockbuster convencional com protagonistas claros e definidos, mas não era! O destaque do show estava justamente em fugir do molde convencional. O foco era a narrativa ao invés de personagens principais. Qualquer coisa podia acontecer e personagens queridos eram eliminados sem piedade, desde que para fortalecer a narrativa.

As adaptações do conteúdo são necessárias quando se converte um conteúdo literário para a TV, porém a série perdeu sua coerência e criatividade! Apesar de fantasia, ela sempre teve o cuidado de construir os temas sem causar estranhamento ao público, sempre com foco nas intrigas políticas. Hoje, personagens de peso já não possuem diálogos interessantes ou condizentes com a personalidade desenvolvida para eles até aqui. Já os personagens secundários somem sem qualquer explicação ou menção (Fantasma enfim ficou invisível e foi esquecido? Euron se afogou?).

Não bastasse o descuido com personagens, os vários núcleos e tramas secundárias estão morrendo. O núcleo de Dorne foi extinto. O ciclo de Sam na Cidadela já foi encerrado, depois de um longo desenvolvimento para ele chegar até lá. E, o que é pior, os fatos que suportam toda a história e, até então, eram os grandes segredos da série, estão sendo jogados ao espectador de qualquer maneira, como se para “eliminar” a lista de itens que o George Martin passou aos produtores: Os pais do Jon e sua linhagem verdadeira, o reencontro de Tyrion e Jaime, a volta do Gendry, reencontro dos Starks, Dragão de Gelo, cura da Escamagris de Sir Jorah, são alguns dos exemplos.

O último episódio foi o ápice dos problemas de roteiro e falta de desenvolvimento lógico da história! Westeros diminuiu drasticamente seu tamanho, a comunicação através dos corvos se tornou instantânea e o romance Malhação está no ar. Todos esses acontecimentos podem ser, de fato, os mesmos que acontecerão nos livros, porém falta aos produtores da série a habilidade narrativa de Martin para conecta-los e construir uma história envolvente e crível, dentro do universo estabelecido.

Game of Thrones está voando (Na velocidade de um dragão!) para sua conclusão e precisa decidir se quer ser boa ou popular! Considerando seu desenvolvimento atual, ela logo perderá seu posto ao lado de clássicos como Sopranos e Breaking Bad para ir dividir lugar no mural de lamentações com Smallville e House of Cards.

O último episódio da temporada vai ao ar no próximo domingo, 27/8, na HBO às 22:00 e que o Senhor da Luz nos ilumine, pois o final poderá ser escuro e cheiro de terrores!

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