Os Invisíveis, baseado em uma história real

A2 Filmes e Mares Filmes apresentam: um filme de Claus Räfle

Os Invisíveis – Quatro jovens judeus sobrevivem ao Terceiro Reich em plena Berlim, vivendo tão imprudentemente expostos que se tornam “invisíveis”.

Berlim, fevereiro de 1943: o Partido Nacional-Socialista declara a capital do Reich “livre de judeus”. Neste momento, milhares de judeus conseguiram se esconder dos olhos dos perseguidores.

Em 1943, os nazistas declararam que não haviam mais judeus em Berlim. Mas 7.000 viviam escondidos. 1.700 sobreviveram. Esta é a história de quatro deles.

Destes, perto de 1.700 sobreviveram aos horrores da guerra em Berlim. Os Invisíveis conta as histórias de quatro dessas testemunhas contemporâneas.

Hanni Lévy, que acaba de completar 17 anos, perdeu os pais. Graças ao seu cabelo tingido de loiro, ela é praticamente invisível para seus perseguidores e pode passear pela cidade.

Cioma Schönhaus também foi para a clandestinidade e leva uma vida aventureira, tornando-se um falsificador de passaportes, trabalho por meio do qual ele salva a vida de dezenas de outros judeus.

Eugen Friede se junta a um grupo de resistência que distribui folhetos antigovernamentais.

Ruth Arndt e uma amiga, durante o dia, sonham com a vida na América, ao passo que, à noite, elas fingem ser viúvas de guerra e servem comidas gourmet do mercado negro no apartamento de um oficial nazista.

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Eugen Friede é abordado na rua para que costure direito sua estrela judaica

Para o ministro da propaganda Joseph Goebbels, declarar Berlim “livre de judeus” foi um sucesso. Isso significava que quem não tivesse escapado a tempo seria deportado para campos de concentração.

Vocês entendem o absurdo que isso representa? Escapar do que? Como é possível que um grupo de loucos possa dizer se você tem o direito ou não de ir e vir em sua própria terra? Se você tem o direito de existir?

Viver com o medo perpétuo de ser descoberto

O diretor Claus Räfle criou uma trama sensível e comovente a respeito deste capítulo sombrio da história alemã.

Como as entrevistas com os verdadeiros sobreviventes foram filmadas, ele teve a oportunidade de nos apresentar as pessoas reais: quatro idosos dispostos a revirar esse passado em posição ativa contra o esquecimento de suas histórias.

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Cioma Schönhaus tem habilidades artísticas que usa para falsificar documentos

Os Invisíveis

Um filme que mistura a interpretação dos atores com os depoimentos das pessoas reais, que viveram os horrores da guerra e foram perseguidos simplesmente por serem judeus.

A mudança na fotografia nos momentos encenados e nos depoimentos gravados é clara, mas não estraga a experiência do filme. É inclusive reconfortante ver que os protagonistas da história sobreviveram para nos contá-la, mas como todo filme que retrate a 2ª Guerra Mundial. Qualquer outro conflito estúpido que a humanidade tenha embatido, saímos do filme revoltados e tristes.

Os personagens

São indivíduos muito jovens que são forçados desde cedo a assumir responsabilidade por si mesmos e pelos outros, vivem fugindo e se escondendo pelos cantos.

Eugen Friede (Aaron Altaras) só pensa em garotas, mas é obrigado a se tornar politicamente engajado. Sua mãe é judia, mas casou-se com um homem cristão, o que, por causa das leis de miscigenação, faz com que somente ele deva usar a estrela de Davi em suas roupas.

Hanni (Alice Dwyer) é uma moça tímida que pinta o cabelo para se mesclar às outras garotas e usa o cinema da cidade como refúgio, conhecendo inclusive a moça da bilheteria que lhe dá abrigo em sua casa.

Cioma (Max Mauff) é ousado e não tem medo das autoridades. Finge ser um empregado da fábrica de armas e consegue se livrar da deportação. Com suas habilidades artísticas, ele se torna um falsificador de documentos, dando a centenas de judeus de Berlim uma nova identidade.

Ruth (Ruby O. Fee) está rodeada de amigos na mesma situação que ela, que se escondem com a ajuda de bem-intencionados berlinenses cristãos que desafiavam as ordens das autoridades, tendo inclusive um emprego na casa de um oficial das forças armadas.

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Se fingir de viúva era uma alternativa

Fatos históricos

A exclusão, difamação e privação dos judeus na Alemanha começou imediatamente após os nazistas tomarem o poder, em 30 de janeiro de 1933. O genocídio nazista dos judeus da Europa tirou a vida de aproximadamente seis milhões de pessoas. Após 1941, a maioria das quais foi baleada ou assassinada com gás venenoso.

Recomendo a leitura do quadrinho MAUS, que aborda essa história assustadora de forma diferente, onde judeus são ironicamente desenhados como ratos.

Räfle (que é diretor, produtor e roteirista do filme) não está interessado em retratos fictícios exagerados. Este é seu primeiro longa-metragem, e sua veia documentarista o faz permanecer fiel aos fatos.

Com Os Invisíveis, o cineasta faz uma contribuição significativa para o cinema histórico. As breves declarações dos verdadeiros protagonistas contribuem com poder, autenticidade e ritmo adicionais ao enredo.

Ele diz que “se um filme é capaz de ter uma mensagem, a principal mensagem de Os Invisíveis não é a de absolvição geral, mas sim de reconciliação.

Os Invisíveis entra em cartaz no cinemas no dia 04 de outubro.

Os Invisíveis

Nome original: Die Unsichtbaren

Elenco: Max Mauff, Alice Dwyer, Ruby O. Fee, Aaron Altaras

Direção: Claus Räfle

Gênero: Biografia, Drama, História

Produtora: Look! Filmproduktion, Cineplus

Distribuição: A2 Filmes e Mares Filmes

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Veri Luna

Veri Luna é fotógrafa, videomaker, formada em pedagogia e audiovisual, ama cinema, livros, comida e gatos.

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