Verão em Rildas, um filme universitário

Rio das Ostras...

No início do verão, um grupo de estudantes em Rio das Ostras resolve produzir coletivamente um festival de artes. Entre trabalho e festas, vivem as tretas e as delícias da vida universitária numa cidade pequena. No entanto, a repercussão equivocada de um evento universitário provoca uma grande polêmica nas mídias sociais e afeta diretamente as suas vidas.

A galera de Rio das Ostras…

Galera na praia, violão, flauta e um baseado. Um não, alguns. Estudantes do curso de Produção Cultural da Universidade Federal Fluminense, diante da viagem de pós graduação de um deles, decidem realizar um festival de artes na rua da faculdade para celebrar e se despedir do amigo, que vai ficar dois anos em Londres pois ganhou uma bolsa de estudos.

A galera
A galera

A maior parte dos estudantes chega a Rio das Ostras para sua primeira experiência de morar sem a família. Por isso, dividem-se em repúblicas e criam um forte ambiente de convivência entre si, com a troca de experiências diversas diante do desafio de residir numa cidade nova para cursar uma faculdade. Os estudantes do curso de Produção Cultural se vêem diante de um desafio maior: como desenvolver estudos nas diversas áreas propostas pelo seu curso (produção artística, antropologia, gestão pública etc) numa cidade com relativamente poucos equipamentos culturais?

O festival…

O Festival Ostras Coisas foi produzido pelos estudantes que participaram da produção de Verão em Rildas, realizando-se no dia 23 de janeiro de 2016. Neste dia, apresentaram-se em frente à UFF de Rio das Ostras artistas como Dil Fonseca, Arnaldho de Sá e MxOxV e bandas como Smooth e Crianças, além de uma participação especial de Jards Macalé, ator, cantor e compositor brasileiro.

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A polêmica…

A última apresentação do festival foi uma performance que causou polêmica na cidade. Intitulada pelos usuários conservadores da internet como “Xerek Satânik”, a apresentação trazia pessoas peladas, pedaços de carne, velas e representações como rituais satânicos e inclusive uma bandeira sendo inserida nas partes íntimas de uma garota. Não, essas imagens não são mostradas no filme, mas são discutidas de forma sincera pelos alunos e professores. Eles debatem com isso sérias questões em torno da UFF, como a falta de recursos, a violência contra a mulher, etc.

Explicando…

Xerek Satânik foi um nome criado pelos próprios estudantes para uma festa que se realizou em maio de 2014. Seguida ao encerramento de um curso que se dedicava a estudar o tema “Corpo e resistência”. Também foram os estudantes que propuseram convidar o Coletivo Coyote para apresentar uma performance ligada à proposta do curso no meio da festa. A performance consistiu na inserção de uma bandeira na vagina da performer, seguida pela costura da vagina, encerrando-se com a bandeira sendo arrancada e queimada na frente do público. Fotos dessa performance foram publicadas nas redes sociais sem os devidos esclarecimentos, gerando interpretações afoitas sobre possíveis rituais satânicos. Este evento e a recepção midiática a ele marcaram uma geração de alunos da UFF, a geração que se apresenta nesse filme.

O Festival que rolou na UFF de Rio das Ostras
O Festival que rolou na UFF de Rio das Ostras

Ou seja, o que vemos na tela não são atores, e sim os próprios alunos do curso que uniram a história da performance a um roteiro que trazia jovens estudantes curtindo a vida em Rio das Ostras. Por isso as atuações são tão amadoras. Me perdoem a sinceridade, mas desde o primeiro momento em que um dos jovens abre a boca, já fica claro que eles não são atores profissionais.

Atuações

As atuações são forçadas, as falas foram decoradas e não interpretadas. Pelo menos o filme traz pontos interessantes, como o jovem que vive do tráfico de maconha, mas que na verdade vende os seus poemas; o casal que será separado devido à bolsa de estudos do rapaz,;a burocracia que se deve enfrentar ao solicitar auxílio à prefeitura para se realizar um festival, por menor que seja; os altos índices de estupro em Rio das Ostras, etc.

Mas existem também muitas imagens jogadas, alguns diálogos inaudíveis por conta do som externo. A chuva que se sobrepõe ao áudio, entre outras situações que provavelmente foram colocadas ali para criar uma certa poesia no filme. Porem tudo isso acabou tornando o filme que tem apenas 70 minutos numa longa viagem cansativa.

Verão em Rildas

Nome original: Verão em Rildas

Elenco: Alice Gorman, Dayane Benício, João Ribeiro, Matheus De Martini, Carlos Escaleno, Tamiris Eusébio De Souza

Direção: Daniel Caetano

Gênero: Documentário, Drama

Produtora: Duas Mariola Filmes

Distribuição: Cavídeo

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Veri Luna

Veri Luna é fotógrafa, videomaker, formada em pedagogia e audiovisual, ama cinema, livros, comida e gatos.

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