Shazam! Fúria dos Deuses

Uma das coisas que eu gosto bastante em filmes de cultura pop é o evento que eu mesmo chamo de “referência de ator presente”. Por exemplo: quando O Homem de Ferro chama o coitado do Thor Gordo de “Lebowski”. Isso traz a ideia que “O Grande Lebowski” é um filme cânone do MCU, então talvez Tony Stark deveria ter ficado com a pulga atrás da orelha lá no primeiro filme, ao ver as semelhanças físicas do vilão Obadiah Stane com o próprio Lebowski, já que ambos são interpretados pelo mesmo ator (Jeff Bridges). Algo semelhante acontece em “Shazam!: Fúria dos Deuses“, quando Shazam menciona a franquia “Velozes e Furiosos” para a personagem de Helen Mirrren, que interpreta a mãe dos irmãos Shaw na franquia.

Talvez essa falta de percepção do herói pode ser atribuída a um outro fator de destaque: o Shazam é um tanto burro.

Inteligência de Salomão

O primeiro Shazam!, lançado lá em 2019, é meio esnobado pelos fãs de filmes de herói… Ele foge muito do padrãozinho DC de fazer filme escuro e pesado, então talvez seja esse um dos motivos. Mas o tom divertido vai muito de acordo com os gibis do antigo Capitão Marvel – que teve que mudar de nome para Shazam, porque parece que Marvel já era uma marca registrada no universo dos quadrinhos, quem diria? Há até uma piada espertinha no filme sobre esse caso.

Fúria dos Deuses

Porém, uma das críticas mais sensatas sobre o filme é que o protagonista é intelectualmente defasado, o que não é condizente com o personagem, que supostamente deveria ter adquirido a inteligência de Salomão.

Durante anos minhas justificativa para esse “deslize” é que o rei Salomão talvez nem fosse tão inteligente assim. Eu mesmo li a Bíblia atrás de respostas e, apesar de um indubitável senso de justiça e fidelidade a Deus, Salomão não demonstra essa notável sabedoria. Ele enriqueceu pra cacete e vinha gente de todos os cantos ouvir o que ele tinha a dizer, mas isso não necessariamente era sinônimo de inteligência. Pode ser que ele tenha sido o primeiro coach.

Na história mais marcante do rei, ao ter que decidir com quem ficaria uma criança da qual duas mulheres alegavam ser a mãe, Salomão pediu que buscassem uma espada e cortassem o guri no meio. No final tudo deu certo, mas imagina os custos de terapia que a criança não teve que arcar pelo resto da vida.

Fúria dos Deuses parece repetir o problema, abraçando a mesma estupidez de Salomão. Mesmo sem uma resposta definitiva à questão da ignorância do protagonista, é legal ver essa crítica ser constantemente citada no decorrer do filme. E o fato dela ser porcamente justificada não interessa muito, já que é justamente essa burrice extraordinária que dá o tom a boa parte da comédia no filme. Então tá tudo bem.

Talvez Shazam pudesse até ser mais inteligente se fosse interpretado por outro ator, já que Zachary Levi recentemente demonstrou como consegue ser burro em um único tweet, contestando a eficácia da vacinação.

Fúria dos Deuses

Fúria dos Deuses: Game of Thrones

A referência supracitada à franquia “Velozes e Furiosos” fica clara desde a primeira cena: Shazam 2 é um filme família. Família é o tema dos heróis e família é o tema dos vilões. Se Dominick Toretto assistisse ao filme, ele comentaria um “pega leve nesse negócio de família aí, pessoal”.

A referência mais pop do filme, porém, seria com outra franquia: Game of Thrones. Porque além de colocar em guerra duas famílias, uma delas tem um dragão.

Essas referências externas funcionam bem dentro da comédia de Shazam, mas o humor do filme não consegue ir muito além disso: as piadinhas são fracas e não funcionam como deveriam. É uma pena, principalmente contando o fato de que a direção segue nas mãos do divertido David F. Sandenberg, que também dirigiu o primeiro filme. Não que sua experiência com comédia seja extensa, afinal ele é conhecido pelos seus filmes de terror, mas seu canal de youtube é bem legal e o cara sai contando dos bastidores de Hollywood. David também faz uma ponta bem curta e inútil no filme, o easter egg tá lá para quem quiser procurar.

Mesmo com essa deficiência cômica, é uma obra longe de ser ruim. Dentro do novo cronograma da gestão de James Gunn do DCU ele não entrega muita coisa. Justo: o filme provavelmente já estava pronto e nosso menino Gunn não conseguiu atuar de verdade nele. Porém, a cena de meio dos créditos é puro suco de James Gunn: não tenho a menor dúvida de que foi escrita pelo novo chefão da DC, tanto pelos personagens usados, como por conter as melhores piadas do filme. Tem cena pós-créditos também depois dessa, mas não tão boa.

Fúria dos Deuses não muda muita coisa no vindouro Universo de heróis DC, mas dá algumas dicas e esperanças de um mundo melhor. Nada mal para um herói meio esnobado, porém adorado pelas pessoas certas: o ex-BBB Marcelo Dourado já declarou que acha Shazam mais “maneiro” do que o Superman. Eu estou realmente ansioso é pela crítica de Dourado sobre o segundo filme.

Shazam! Fúria dos Deuses

Nome Original: Shazam! Fury of the Gods
Direção: David F. Sandberg
Elenco: Zachary Levi, Grace Caroline Currey, Helen Mirren, Rachel Zegler, Lucy Liu
Gênero: Ação, Aventura, Comédia
Produtora: Warner Bros., DC Entertainment
Distribuidora: Warner Bros. Pictures
Ano de Lançamento: 2023
Etiquetas
Botão Voltar ao topo
Fechar