The Magicians – 2ª temporada – Saídas absurdas

Série mantém ritmo inventivo de antes, mas abre brechas para saídas absurdas

As implicações de governar um reino encantado; as consequências de um estupro divino; as regalias de uma divindade entediada; e o estágio do luto da não aceitação da perda. Estes são alguns dos principais temas abordados em The Magicians – 2ª temporada, esta que é uma das produções jovens mais criativas dos tempos atuais.

Se assemelhando mais a dramaturgia ramificada de Game of Thrones, onde cada personagem segue seu próprio arco e subtrama (isso aconteceu de maneira mais dosada antes, mas agora vira regra), a segunda temporada de The Magicians não perde a qualidade dos diálogos (ágeis e certeiros) nem da expansão de mitologia (Fillory é muito bem explorada, assim como as regras de sua gênese), por outro lado, os personagens estacionam em seus dilemas pontuais, dando voltas no próprio rabo, mesmo que essas ações gerem consequências, na maior parte das vezes, bastante interessantes.

The Magicians - 2ª temporada

The Magicians – 2ª temporada

De um lado temos Quentin em luto por Alice. Ela morre logo nos primeiros episódios, depois da investida contra a Besta, que ela consegue finalmente destruir ao se transformar em magia pura. Sua morte, porém, não é tão sentida (menos ainda por outros personagens). E justamente por essa condição além vida em que ela se encontra e das inúmeras aparições ao longo do seriado, até sua esperada ressurreição.

Penny tem as mãos restauradas, mas amaldiçoadas por um tempo e como este é um personagem que não pode ficar quieto, logo ele está assumindo um compromisso eterno com a Biblioteca e depois descobrindo um câncer mágico, enquanto Kady segue em mais sequências de ação, como uma das magas mais consistentes da trama. Eliot e Margô continuam seus alívios cômicos, agora ganhando contornos sombrios em um reino ameaçado, tanto pelo viés político, quanto pela decadência da natureza local.

The Magicians - 2ª temporada

Mais personagens

É Margô, porém, quem mais comete erros nesse segundo ano, com decisões absurdas e impensadas, que não justificam uma burrice da personagem (que nunca foi burra), errando apenas porque o roteiro a quer errando. Então, toda a subtrama envolvendo as fadas, o que a princípio gera cenas de horror interessantes, depois se converte em uma ameaça vazia para a terceira temporada, em um gancho incomparável do que foi feito antes (quando Julia havia partido com a Besta).

Fen é carismática e os demais súditos rendem bons momentos, mas a solução cômica e sexual para a crise política se resolve da maneira fácil demais. O roubo no banco guarda um dos melhores momentos da temporada, com os principais personagens reunidos em uma missão quase impossível.

Por outro lado e, novamente, é com Julia Wicker que a série retoma as rédeas. Todo seu arco, desde o princípio, segue o mais fundamentado e fortalecido por uma narrativa densa, que a vida é podre mesmo com magia. Depois de ser estuprada no final da temporada anterior por um deus enganador, a maga entra num caminho de vingança, que envolve se aliar a um grande vilão e perder a alma, contribuindo a todo momento para o andamento do enredo.

Existem muitas intrigantes promessas para o futuro da série, que agora em sua segunda temporada, tal qual rolou com Supernatural por anos, parece estacionar em terreno seguro, enquanto brinca com autorreferências e fica se parodiando, mas precisa dar novos passos a seguir para retomar sua rica dramaturgia.

The Magicians - 2ª temporada

Nome Original: The Magicians
Elenco: Jason Ralph, Stella Maeve, Olivia Taylor Dudley
Gênero: Drama, Fantasia, Mistério
Produtora: Groundswell Productions, NBC Universal Television
Disponível: SyFy, Amazon Prime Video

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