The Witcher – 1ª temporada, falta foco e ritmo

Visualmente impecável, falta foco e ritmo à produção inconstante

A showrunner Lauren Hissrich havia prometido que a nova série da Netflix seria uma adaptação dos livros de Andrzej Sapkowski e menos próxima dos jogos, que são uma fanfic que se passa após os eventos literários (ainda que uma boa e elogiada fanfic). O que vemos por aqui em The Witcher, porém, é uma obra que não se decide para qual lado pender. Assim, fica o tempo todo no meio do caminho.

Os contos e romances de Sapkowski são a mais pura “farofa fantástica”. Com uma simplicidade saborosa de se ler, as histórias são concisas com missões fechadas, que pontuam sobre a mitologia maior aqui e ali. Portanto, era esperado que os episódios fossem mais redondos e objetivos, quase procedurais, com o bruxo realizando suas tarefas pelo Continente. Enquanto isso, tramas paralelas iam se desenvolvendo pelas beiradas.

Não foi o que aconteceu. De genial mesmo, temos uma divisão do tempo em três períodos (o passado com Yennefer, o presente com Geralt de Rívia e o futuro com Ciri), onde em algum ponto vão se encontrar, o que confere originalidade na construção linear a narrativa da série.

The Witcher
Freya Allan é Ciri

The Witcher

E por conta disso também, vem as falhas da produção, já que Geralt perde espaço demais para outros personagens e plots que vão correndo ao mesmo tempo, interrompendo cenas de ação em prol de uma história mais fragmentada por episódio, ao longo dos 8 episódios, com uma hora cada – alguns, como os dois primeiros, soam cansativos.

Ritmo é outro problema. Com a inconstância das várias tramas, o ritmo sobe e desce o tempo todo, ora segurando nossa atenção, ora nos perdendo por vários minutos. A partir do terceiro episódio, o ritmo melhora, justamente porque a história dos personagens fica mais redonda, as missões mais intensas e o público finalmente começa a se prender à série, mas a falta de foco ainda é presente até o último capítulo, quando o protagonista mal aparece e quando um grande momento acontece, vem desprovido de emoção ou impacto, não gerando gancho algum para a já comprovada segunda temporada.

The Witcher
Anya Chalotra é Yennefer

Erros e acertos

É claro que essa exaltação ao protagonismo feminino promovido por Hissrich é louvável e temos ótimos momentos com Anya Chalotra e Freya Allan (muito mais atrizes que qualquer outro do elenco) como Yennefer e Ciri respectivamente, cada qual com suas subtramas, que vão ganhando corpo e momentos impressionantes à medida que a história avança.

A falha se dá não nesse destaque certeiro, mas sim na maneira como uma trama interfere na outra, não permitindo que os momentos de um personagem se desenvolvam por completo antes de abrir as cortinas para o próximo. Por isso, quando vemos a incrível batalha de Geralt contra a estrige, não queremos ser interrompidos para ver qualquer outra cena. Esses cortes prejudicam o material o tempo inteiro. É a falta de foco que derruba The Witcher vez ou outra.

Com figurinos bem feitos, cenários deslumbrantes e uma direção de arte inspiradíssima, todo o visual da produção é suntuoso, saturado e lindo de ver, com CGi competente, quase se aproximando de um filme de baixo orçamento em Hollywood. As sequências de lutas (como aquela de espadas no primeiro episódio) ou de grandes batalhas entre exércitos (como a do último) são extremamente bem feitas e podem ditar novos rumos para cenas do tipo daqui em diante.

E Henry Cavill é Geralt of Rivia

O elenco

O elenco diverso não faz feio e traz, provavelmente, muitos rostos conhecidos principalmente pelos jogadores dos games, enquanto desenvolve o worldbuilding e a mitologia desse mundo. Henry Cavill assume a galhofa e a canastrice de seu protagonista, não conseguindo ir além da tabuada dos sete. A história cresce ao redor do trio dos personagens principais, mas a perda de holofotes do bruxo é evidente, detalhes esses que precisam ser consertados na segunda temporada, se a Netflix intenciona pela sobrevivência da série.

The Witcher é assim um entretenimento escapista e decente, que não tem vergonha do que é, enche os olhos à primeira vista, mas ainda precisa aparar muitas arestas.

The Witcher

Nome Original: The Witcher
Elenco: Henry Cavill, Freya Allan, Anya Chalotra
Gênero: Ação, Aventura, Drama
Produtora: Netflix
Disponível: Netflix

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