Tieta do Agreste, de Jorge Amado
Romance com personagens fortes
Antonieta – conhecida como Tieta – vive em uma pequena cidade da Bahia. Aos 17 anos, depois de ser denunciada pela irmã Perpetua, Tieta é expulsa de casa por se encontrar com o namorado. Ela vai embora e nunca mais fala com ninguém da família.
25 anos depois, Tieta retorna à cidade, agora rica, e rapidamente chama a atenção de todos os moradores. Ela agora recebe um bom tratamento de todos que antes a rechaçaram, inclusive de sua própria família. Até que os segredos de Tieta e de toda a cidade começam a aparecer.
Personagens femininas em Tieta do Agreste
Assim como outros livros de Jorge Amado, este também tem uma protagonista feminina extremamente forte. Tieta pode começar o livro como uma menina indefesa e assustada, mas evolui muito com o tempo.
O leitor não acompanha os 25 anos em que Tieta passou na cidade, mas quando a encontramos novamente, temos a mesma sensação que os habitantes de onde ela foi expulsa: ela é bem sucedida, rica e tem o total controle da sua vida.
Ela é descrita como muito bonita desde o começo do livro mas, quando adulta, é sedutora e já parece dona do seu corpo, da sua vontade e de sua sexualidade. Para além de Tieta, o livro também apresenta Perpetua, a irmã de Tieta. Perpetua é descrita como feia, amarga, egoísta e invejosa.
É claro que a descrição de Perpetua é machista e a ideia da mocinha que é bonita e da vilã que é feia parece saída de um conto de fadas mas, mesmo assim, Perpetua ainda é uma personagem feminina forte.
Tieta do Agreste tem uma série de personagens e eles são relativamente bem desenvolvidos, mas a trama se desenvolve basicamente entre as personagens das irmãs, que são opostas em todos os sentidos.
O livro não só tem uma protagonista feminina forte, como também tem uma antagonista feminina forte, mesmo que ela faça coisas que não são exatamente agradáveis ou corretas.
O progresso VS. O atraso
Um assunto que a obra traz à tona é a modernização, não só da cidade, como também dos pensamentos das pessoas. A trama começa em uma cidadezinha do interior da Bahia, que é atrasada ao ponto de parecer razoável que uma menina de 17 anos seja praticamente escorraçada porque manteve relações sexuais com um namorado. Tieta, no entanto, vai viver na cidade grande depois que é expulsa e volta quase como um fantasma do natal passado, provando que conseguiu se dar bem apesar de tudo.
A cidadezinha que ela deixou para trás continua a mesma, e os moradores ainda tem o mesmo pensamento. Assim, Tieta chega trazendo a modernidade da cidade grande, com roupas chiques e muito dinheiro e é aceita.
Embora ela tente se acostumar ao ritmo da cidade, fica claro que ela não se encaixa mais – ou talvez, nunca tenha se encaixado – e que é impossível que a cidade se mantenha a mesma depois da sua volta. Essa é outra questão que aparece com frequência nas obras de Jorge Amado, que sempre apresenta obras que circundam entre o progresso que já se avizinhava e o atraso que parece rondar os seus cenários.
Hipocrisia
Outro tema que aparece em Tieta do Agreste é a hipocrisia, que aqui está presente entre os membros da cidade, especialmente os mais conservadores. Tieta é expulsa da cidade porque manteve relações sexuais com um namorado, seu nome foi amaldiçoado e sua família passou a fingir que ela nunca existiu.
Quando ela volta, está rica e parece uma “mulher respeitável”, que se casou e mantém seu próprio negócio, por isso, a cidade a aceita de braços abertos. A hipocrisia já começa aí, uma vez que todos, inclusive sua família que a expulsou, parecem felizes em recebê-la, agora que ela é uma mulher rica.
Mas, para além disso, os moradores da cidade, que se comportam como santos, são cheios de segredos que vão de inofensivos, embora chocantes, a questionáveis e perigosos. Amado apresenta, por exemplo, personagens que se portam como bastiões da moral e do bom costume e não são nada disso.
O leitor sai de Tieta do Agreste com a certeza de que o suposto “crime” de Tieta e a vida que ela teve depois que saiu da cidade não são problemáticos, diferentemente dos segredos dos habitantes que vão surgindo com o tempo.
Tieta do Agreste na mídia
Como boa parte das obras de Jorge Amado, Tieta do Agreste ganhou algumas adaptações.
Em 1989, Tieta do Agreste virou uma novela da Rede Globo, estrelada por Betty Faria, Cláudia Ohana e Joana Fomm. Já em 1996, Tieta chegou aos cinemas com o filme Tieta do Agreste, dirigido por Cacá Diegues e com Sônia Braga e Marília Pêra no elenco.
Tieta do Agreste tem vários aspectos que são comuns nas obras de Jorge Amado, mas apresenta uma trama nova e diferente, que vai agradar não só os fãs do autor, mas também o público em geral.