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As Crônicas de Frankenstein

Em As Crônicas de Frankenstein, Sean Bean vive John Marlott, um detetive que investiga uma série de crimes em Londres durante o século XIX, de um assassino de crianças, que parece estar se inspirando no livro de Mary Shelley para tentar reviver os mortos. A trama ainda esbarra em disputas entre a legalidade médica, de cirurgiões ilegais, e fornece todos os clichês do gênero policial: o trágico protagonista que perdeu esposa e filha, a vítima que estabelece uma conexão íntima, o vilão que explica o plano final, os suspeitos óbvios, os crimes paralelos que tiram a atenção principal, o bode expiatório, a garotinha perdida etc.

De ritmo lento e em algumas vezes cansativo, a série por outro lado acerta na ambientação e figurino, que evidenciam a crueza do subúrbio londrino e das figuras à margem da lei, meio que em contraste com a burguesia e as autoridades. O de sempre sim, e você já viu isso antes, mas é tão bem feitinho, que compensa a morosidade de algumas sequências.

Do elenco, somente Bean se salva mesmo, fazendo uma figura passiva e extremamente cansada, que é difícil de decifrar, mas o mais certo de classificar seria como “pobre coitado”. Vanessa Kirby e Anna Maxwell Martin até demonstram potencial, mas ambas tem pouco tempo de tela para maior desenvolvimento (e Shelley é esquecida pelo roteiro próximo do final, assim como algumas ideias a respeito de um enforcamento não-público, que depois acaba sendo, mostrando uma inconstância constante no enredo, que incomoda). Os demais atores são penosos, principalmente Richie Campbell, Tom Ward e Robbie Gee, que interpretam de maneira involuntariamente caricata e acabam atrapalhando muitas vezes as cenas em que aparecem.

Outro problema são as sequências de ação, pobres e pouco criativas, que dão certa vergonha alheia. No mais, a história flerta com o realismo fantástico (mais ainda com a ficção científica possível da época) e tal flerte acaba se convertendo no desfecho, de maneira positivamente inesperada, o que abre portas curiosas para uma segunda temporada, da qual não faço ideia do que esperar.

As Crônicas de Frankenstein

As Crônicas de Frankenstein tem apelo no título, apesar das precaridades de roteiro e ação, e ainda que siga a cartilha do gênero, se desprende dele no final para desbravar uma trama um tanto quanto bizarra, portanto, bem-vinda. Veremos.

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Douglas MCT

Douglas MCT já escreveu para os gibis da "Turma da Mônica", roteirizou o desenho animado "Galera Animal" da TV Globo, participou do enredo do game "Chico Bento" para as redes sociais, é autor dos quadrinhos “Edgar Alan Corvo”, "SUPER" e “Hansel&Gretel”, e dos livros "O Coletor de Almas" e da série "Necrópolis".

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