Ash vs Evil Dead, motoserra e escopeta

Em Ash vs Evil Dead a história continua os eventos do primeiro e icônico filme de 83 (mas parece desconsiderar suas continuações), usando da mesma estética e estilo, incluindo aí flashbacks com cenas do longa, que colaboram para a compreensão maior da série (não é crucial, mas se você tiver assistido ao filme antes, mais rica fica a experiência).

Resumindo, Ash seguiu sua vida, morando em um trailer, trabalhando de balconista (na loja onde surgem seus dois adoráveis coadjuvantes, Pablo e Kelly), em uma rotina devassa, que culmina com ele lendo o Necronomicon completamente chapado, libertando assim o mal novamente no mundo.

Munido de sua motosserra alocada na maneta e de uma escopeta, nosso herói improvável possui um dos visuais mais legais da cultura pop e tem um estilo todo próprio de lutar, serrar e atirar, que solidificam sua personalidade, também absurdamente brega, um disparador de frases constrangedoras, algo que Bruce Campbell faz com a mesma maestria de 30 anos atrás.

Lucy Lawless estreia com suas piruetas de Xena no papel de Ruby, uma personagem filha de alguns dos falecidos do filme de origem, que depois assume outra figuração. Confesso que tudo ao redor dela ficou bem confuso pra mim. É como se tivessem esquecido de dar um background a personagem e justificar melhor seus objetivos, que mudam duas vezes no decorrer da trama.

Sam Raimi continua por trás de tudo, dirige o primeiro episódio, ditando assim o estilo do que vem a seguir, tão bem executado pelos demais diretores, que brincam com câmera subjetiva e outros ângulos ousados pouco tradicionais para as telinhas, dando um ar cinematográfico para a produção.

É impressionante a criatividade do roteiro, que expande a mitologia e traz novos e interessantes elementos para a série, sem nunca escolher um caminho fácil. Além de inventivo, Ash vs Evil Dead também não perdoa seus personagens, dando várias baixas ao longo dos 10 episódios… só para trazê-los de volta como mortos do mal, em maquiagens toscas realmente horripilantes (e que deixa mais da metade dos filmes de terror por aí no chinelo), usando vez ou outra algum efeito especial igualmente tosco, que orna na produção.

Com muito, muito sangue, cara feia e criatividade, Ash vd Evil Dead é um sopro de originalidade neste mar de pastiches. Por isso, larga tudo o que tiver fazendo e vá assisti-la no Netflix.

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Douglas MCT

Douglas MCT já escreveu para os gibis da "Turma da Mônica", roteirizou o desenho animado "Galera Animal" da TV Globo, participou do enredo do game "Chico Bento" para as redes sociais, é autor dos quadrinhos “Edgar Alan Corvo”, "SUPER" e “Hansel&Gretel”, e dos livros "O Coletor de Almas" e da série "Necrópolis".

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