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B: The Beginning – Original Netflix

Tecnicamente impecável, com design de personagens bem executado e uma animação com movimentos fluídos e bem próximos do real, este novo anime da Production I.G, dividido em 8 episódios de meia hora, busca atingir dois públicos: os fãs do gênero policial/detetive, e os de ficção científica com porradaria delirante e pirotécnica. E ainda que eu seja o público de ambos, confesso que só o primeiro gênero de B: The Beginning realmente me fisgou.

Dividindo o protagonismo entre dois personagens: Flick, um homem melancólico e gênio dos enigmas à lá Sherlock Holmes, que se afastou da polícia há 8 anos, após o assassinato da irmã mais nova, que ele nunca deixou de investigar; e Koku, um rapaz gentil que se revela um super-humano em busca do passado e de salvar seu amor.

Ao redor dessas duas figuras, temos o ótimo elenco humano, com a hacker, o velho policial, a dupla da lei que diverte pela dicotomia, a mocinha com iniciativa, o delegado boa-praça e alguns outros que se mostram suspeitos. Enquanto que na parte fantástica, contamos com um grupo de vilões coloridos superpoderosos, responsáveis pela gratuidade de efeitos especiais que pouco acrescentam ao enredo.

A trama é bastante instável e isso se deve justamente por ambos os gêneros nunca conversarem muito bem, o que fica parecendo que tudo envolvendo a nave Moby Dick (um nome gratuito pra uma nave que não serve pra nada) e a turma do Market Maker é forçado e jamais funciona pra valer, incluindo aí umas profecias furadas, um romance que nunca compramos e vilões que se sobrepõe aos outros em plot-twists falhos. Honestamente, eu desligava o cérebro e parava de prestar atenção nas cenas dos super-seres.

Fora isso, o enredo funciona bem no mistério policial (o terceiro episódio e o penúltimo são maravilhosos nesse sentido) e com as revelações de desfecho, ainda que os longuíssimos monólogos (que chegam a ocupar quase dois episódios finais) reflitam que esta obra seja produzida exclusivamente para consumidores de animes, e não para qualquer público fora da caixa (como Akira o é, por exemplo). Flick é um porre, mas se faz compreensível no meio do caminho, e Lily é apaixonante a sua maneira. Por outro lado, Koku é genérico e nunca consegui me ver torcendo por ele ou por seu draminha besta.

O cenário misto também é bizarro, pois a cidade-reino lembra muito o sul da Itália, enquanto a maior parte dos personagens carregam nomes ingleses (com exceção dos 4 principais e alguns vilões, que são orientais). De qualquer maneira, o worldbuilding não é o forte do anime, que investe mais na arte do que na consistência, mas ainda sim fornece um entretenimento na medida.

B: The Beginning

Nesta série de anime, os cientistas esperam que "novos seres humanos" criem a paz universal, mas eles são sequestrados por um grupo maligno com planos muito diferentes.

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Douglas MCT

Douglas MCT já escreveu para os gibis da "Turma da Mônica", roteirizou o desenho animado "Galera Animal" da TV Globo, participou do enredo do game "Chico Bento" para as redes sociais, é autor dos quadrinhos “Edgar Alan Corvo”, "SUPER" e “Hansel&Gretel”, e dos livros "O Coletor de Almas" e da série "Necrópolis".

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