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Constantine, um mais do mesmo sobrenatural

O grande problema de Constantine, é que uma década antes surgiu Supernatural. A proposta é a mesma, os temas são os mesmos e as resoluções, idem. A diferença é que a história dos irmãos Winchester ainda tem mais personalidade, muito carisma, uma trilha sonora cativante e pelo menos 15 temporadas de respaldo para acertos e erros.

É louvável sim, que um canal como a NBC, tenha tentado realizar algo como Constantine, mas falta tempero à série, falta um monte de coisa pra ela ter se tornado um diferencial entre outros genéricos de Supernatural, entre eles Grimm e Van Helsing. Acaba que ficando no mais do mesmo, até mesmo porque a opção da produção foi por retratar o personagem da questionável fase dos Novos 52, localizando suas aventuras nos EUA, em vez de utilizar Londres como um coadjuvante, tal qual é em seus melhores quadrinhos.

Matt Ryan e Claire van der Boom
Matt Ryan e Claire van der Boom

Matt Ryan está ótimo na pele do bruxo inglês, do figurino a fuça, entregando uma dedicação evidente para tentar construir e consolidar uma persona marcante, algo que ele quase consegue, mas o roteiro nem sempre colabora. E longe do enredo ser ruim, ele é apenas mediano, com apenas dois momentos bons em todos os 13 episódios. Séries procedurais quase não colam mais nos dias de hoje e ter entrado de cabeça nesse formato, só deixou a aparência de Constantine ainda mais genérica diante do sucesso de Supernatural.

Com exceção do esquizofrênico piloto, que lembra demais o filme bacana de 2005, mas que de forma alguma deveria ecoar aqui, os demais episódios variam de qualidade, tendo entre os destaques o background que justifica Chas, e aquele em que Constantine precisa arrebentar um selo de proteção pra ajudar uma freira. No mais, muita coisa antes estabelecida, não se sustenta ou é esquecida pelo caminho, como por exemplo o passado de Zed com seu pai, ou alguns dos recursos do bruxo (que ele tira da cartola, mas não mantém na consistência, por isso muitas vezes isso evoca um desconfortável deus ex machina). Harold Perrineau está completamente perdido na história e praticamente não serve pra nada — mas é curioso ver como a NBC se preocupou em não fazê-lo um novo Castiel.

As tramas sobrenaturais são até bacanas, mas é impossível não dizer que já não a vimos antes (em Supernatural, talvez?). Brujeria, a vilania-mor, não tem rosto (fora o único twist no final, que dá cara a coisa), por isso fica tudo muito abstrato e não dá pra entender se a série quer seguir por missões aleatórias ou com um enredo maior como pano de fundo. Falta amarra em muita coisa, ainda que pelo menos o drama de Constantine se faça real depois de Newcastle com Astra e outros paranormais, algo que volta e meia retorna para assombrá-lo.

Constantine (2014-2015)

Distante dos quadrinhos de Hellblazer, Constantine é uma série bem intencionada, mas jamais consegue escapar da sombra do genérico e entretem somente enquanto se assiste. John já teve sua vez, mas a TV não é o palco para ele.

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Douglas MCT

Douglas MCT já escreveu para os gibis da "Turma da Mônica", roteirizou o desenho animado "Galera Animal" da TV Globo, participou do enredo do game "Chico Bento" para as redes sociais, é autor dos quadrinhos “Edgar Alan Corvo”, "SUPER" e “Hansel&Gretel”, e dos livros "O Coletor de Almas" e da série "Necrópolis".

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