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Crítica: TOC – Transtornada Obsessiva Compulsiva

Em TOC – Transtornada Obsessiva Compulsiva, Kika K (Tatá Werneck) é uma atriz que está em novelas, campanhas publicitárias e é idolatrada por milhões de fãs. Mas por trás das aparências, está em crise com sua vida pessoal e profissional. Enquanto lida com as limitações de seu Transtorno Obsessivo Compulsivo, Kika se depara com Felipão, um fã obsessivo (Luis Lobianco), um namorado galã sem noção (Bruno Gagliasso) e os compromissos profissionais marcados pela exigente empresária (Vera Holtz).

Em muitos aspectos, TOC é uma grata surpresa. Para uma produção que se vende como comédia, o longa de Paulinho Caruso e Teo Poppovick merece créditos por tentar ir além do riso fácil e piadas escrachadas, uma postura frequente nas comédias do cinema brasileiro. Ao invés disso, o filme se propõe a retratar de forma crítica e sensível as dificuldades do mundo das celebridades, no Brasil, com as quais Tatá Werneck parece se identificar bastante.

Desta forma, o que parecia ser uma história clichê totalmente sem conteúdo aprofundado, acaba se tornando um drama relativamente bem desenvolvido com a dose certa de humor, que equilibra a interação entre os personagens e impede que o filme fique muito pesado. A premissa por si só é mais ousada do que grande parte das produções do gênero no país, mas, lamentavelmente, TOC acaba não se mantendo firme em sua ousadia.

O longa chega a um ponto em que, talvez pressionado em atender as demandas comerciais, acaba ridicularizando e desrespeitando seus personagens ao tentar impor o riso em momentos que pediam sensibilidade e compreensão. Uma das cenas de maior comoção na trama, em que Kika está fragilizada e desabafando sobre suas dificuldades, acaba tendo seu tom melancólico interrompido por uma decisão fútil do roteiro em inserir uma piada sobre a maneira “engraçada” como a personagem chora.

Já em outras cenas, a produção se mostra autocrítica e metalinguística ao colocar diálogos em que os personagens de Tatá Werneck e Daniel Furlan discutem a qualidade do cinema nacional, o padrão de beleza do mundo do entretenimento, a figura do ator como uma pessoa real (e não só um rosto para estampar propagandas) e a noção que muitos têm de que atores são desprovidos de inteligência.

Por conta de tudo o que foi citado, o filme acaba se tornando uma experiência confusa. É possível ver indícios de que os roteiristas e diretores buscavam sair do óbvio, mas o resultado visto na tela se mostra incoerente diante daquilo que se pretendia. A lição que se pode tirar de TOC é que o cinema nacional, e, mais especificamente, a comédia nacional, tem, sim, potencial para se renovar, mas precisa se desprender do atual modelo comercial e ser mais firme em suas propostas artísticas.

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Sarah Lyra

Jornalista, viciada em séries, apaixonada por cinema. Acompanha anualmente as principais premiações e adora cinema indie, principalmente o latino americano.

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