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Grandes Esperanças, de Charles Dickens

Grandes Esperanças (Great Expectations) – No começo conhecemos o infortúnio de Pip, o narrador que vive aterrorizado pela irmã mais velha que, após a morte dos pais, o criou com “mão de ferro”, bordão para a maneira rígida e por vezes violenta com que trata o filho de criação e também o marido, o ferreiro Joe Gargery. Sua vida começa a mudar com o inesperado convite para que passe a visitar Miss Havisham, uma mulher rica da aldeia, e seja companhia de sua filha adotiva, Estella. Pip imediatamente tem uma queda pela garota, sentimento que se transformará em amor durante a vida adulta e o conduzirá à imoralidade.

A vida de Pip sofre uma reviravolta ainda maior quando, já se preparando para o ofício de ferreiro, recebe a visita de um advogado, que anuncia que o jovem é herdeiro de uma fortuna. Após abandonar a família para viver em Londres, Pip passa a desprezar sua vida anterior, tentando tornar-se digno de se casar com Estella, que, no entanto, não se interessa por seus sentimentos.

Fonte: Amazon

Charles Dickens é provavelmente, um dos escritores mais famosos da Inglaterra. Ele escreveu mais de 30 livros, entre eles Um Cântico de Natal, Oliver Twist e David Copperfield e já foi adaptado para o cinema e para a televisão centenas de vezes.

Grandes Esperanças é seu último livro, escrito em 1861, e conta a história de Pip, um garoto criado de maneira rígida pela irmã mais velha, depois da morte dos pais dos dois. Um dia, Pip é convidado para fazer companhia a Miss Havisham, uma mulher muito rica e que não sai de casa há anos. Nas tardes em que passa com ela, Pip conhece Estella, sua filha de criação, por quem ele se apaixona, embora não seja correspondido. Pip sabe que não tem chances com Estella, já que está destinado a ser um ferreiro, como seu cunhado, então, ele recebe a notícia de que ganhou uma fortuna de um doador misterioso.

Grandes Esperanças é um clássico da literatura mundial

Mas isso não faz da obra um livro chato ou entediante, muito pelo contrário, a leitura prende o leitor muito rápido e flui muito tranquilamente, especialmente quando você se apega ao protagonista. É uma ótima escolha para desmistificar a ideia de que todo livro clássico é, automaticamente chato. Por ter sido escrito em 1861, a história retrata uma época que não vivemos e que a única maneira de se conhecer é através da literatura.

O livro fala de como funcionava a sociedade inglesa da época: os pobres tinham a vida pré-determinada desde o nascimento e a interação com os ricos era quase inexistente. Mesmo depois que Pip se torna rico e estuda, ele ainda assim não é bom o suficiente porque é um “novo rico” e não tem os modos vindos do berço. O livro pode se passar na Inglaterra de 1861, mas muito dessa hierarquia ainda se reflete nos dias de hoje.

Como todas as obras de Dickens, o livro é repleto de personagens interessantes, como o cunhado de Pip, que parece mais compreensivo e mais compassivo com o menino do que sua esposa, que é parente de sangue de Pip, Miss Havisham, uma mulher solitária e rica que precisa da companhia de Pip, mas mesmo assim se sente no direito de humilhá-lo devido a sua origem, o misterioso benfeitor de Pip, o próprio Pip, que faz tudo que está ao seu alcance para mudar seu destino e ser (e se sentir) digno do amor de Estella e claro, Estella, a grande paixão de Pip, que, criada por uma mulher tão dura, é incapaz de sequer reconhecer o que é o amor.

Anne Bancroft, Ethan Hawke e Gwyneth Paltrow no filme de 1998
Anne Bancroft, Ethan Hawke e Gwyneth Paltrow no filme de 1998

Embora Pip seja o protagonista, e nós acompanhemos o livro do seu ponto de vista, Estella é a grande personagem do livro, é por causa dela que toda a ação no livro acontece. Pip, vindo de uma família pobre e sem a criação devida para ser marido de Estella, tenta de todas as formas se tornar o homem ideal para ela e automaticamente, para Miss Havisham. Dessa maneira, ele passa de um garoto inocente e humilde para um homem que está disposto a renegar o seu passado, perdendo assim, boa parte do que faz o leitor gostar dele, a princípio. Em uma parte do livro, Pip diz que Estella “Esteve em cada linha que já eu li (…) Você esteve em todos os projetos que eu fiz desde então” e ela realmente está em todas as palavras do livro.

De qualquer maneira, é impossível não simpatizar e não torcer por Pip, já que o acompanhamos desde sua infância até sua vida adulta, nos momentos bons e nos momentos ruins. Isso também torna a leitura prazerosa, você não quer largar o livro até descobrir o que vai acontecer com Pip.

Outra coisa que prende o leitor são os mistérios que cercam a história, já que no plano de fundo, várias outras coisas acontecem: a identidade do benfeitor de Pip é um mistério que perdura a história toda, assim como o que levou Miss Havisham a ser do jeito que é.

A ideia de coincidências do destino, quase uma recorrente na obra de Dickens, também aparece nesse livro, e no final, tudo se junta de maneira perfeita, deixando o leitor boquiaberto.

Outra adaptação, essa de 2012
Outra adaptação, essa de 2012

O livro também nos lembra que as coisas mudam e que nada permanece no mesmo lugar, que mesmo com as coincidências, o destino pode ser alterado, mas que isso pode mudar a personalidade de uma pessoa, de uma maneira que talvez não tenha volta e que a bondade pode vir do lugar menos esperado, o que também funciona com a maldade.

Grandes Esperanças já foi adaptado para o cinema 9 vezes, mas acredito que os dois filmes mais conhecidos são o de 1998 e o de 2012. A adaptação de 2012 é extremamente fiel ao livro e funciona muito bem, especialmente para as pessoas que gostaram muito do livro. Já a de 1998 é uma versão modernizada da obra, se passando nos anos 90, onde 09 é um artista pobre que tem os estudos pagos por um benfeitor misterioso. Essa versão também é interessante e a prova irrefutável de que embora o livro seja um clássico, a história é atemporal.

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Fernanda Cavalcanti

Formada em cinema, apaixonada por literatura, divide seu tempo livre entre ler, escrever e dançar. Gosta especialmente de terror, mas lê/assiste de tudo. Também escreve para o blog Além da Toca do Coelho.

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