Jason Bourne (2016)

Pra que, né?

Afastado da CIA há 10 anos, o agente Jason Bourne retorna ao campo de batalha para enfrentar uma rede sinistra que utiliza tecnologia e terror para se manter no poder.

Ignorando o último filme, que nem ao menos trazia o astro da franquia, este quinto longa busca repetir as fórmulas da trilogia de sucesso, mas sem a mesma empolgação. E existe outro elemento que se evidencia aqui: a produção não se justifica e não se faz necessária. Nem os fãs, nem o diretor ou o ator, estão verdadeiramente interessados em mais um corre-corre do agente desmemoriado. Só o dinheiro fala mais alto.

Pela primeira vez sem se basear em um livro de Robert Ludlum, o diretor Paul Greengrass reassume a co-roteirização também, retornando com sua câmera trêmula, para gerar um Bourne com apenas 25 falas, muitos socos, vários tiros, mas pouco a acrescentar.

Jason Bourne – Trama

Em uma trama pós-Snowden, que tenta dar continuidade aos eventos anteriores, principalmente do terceiro filme, replicando inclusive algumas figuras. Julia Styles, antes uma coadjuvante fixa, aqui introduz apenas um papel trágico, como Franka Potente já havia protagonizado anteriormente, a medida que, com isso, Alicia Vikander assuma a figura dúbia dentro do sistema, que vai combater ao mesmo tempo que ajudar o ex-agente. Aqui, Brian Cox é substituído por Tommy Lee Jones em papel semelhante. E como gatilho da trama, troca-se a busca desesperada pelo passado, por uma nova descoberta, envolvendo o pai do protagonista, com um vilanesco Vincent Cassel apenas operante, mas pouco inspirado e o retorno, é claro, de Matt Damon ligado no automático.

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Vincent Cassel

Esboçando fazer uma discussão sobre segurança nacional que passe por temas de anarcoativismo, excessos de vigilância e invasão de privacidade institucionalizada.

Jason Bourne carece de substância, ainda que não seja um filme fraco, já que sua cinematografia se mantém, principalmente nas duas grandes cenas de ação (uma no início, na Grécia, e outra em Las Vegas), o que ressalta uma curiosidade absurda também: de que seus personagens, sejam figuras à margem da lei, milionários ou agentes de campo, só transitam entre metrópoles e jamais em qualquer cidade que orbite os grandes cartões-postais.

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Por outro lado, sabemos do que Greengrass é capaz com sua câmera nervosa, e não há nada aqui em termos de ação ou narrativa que sirva de evolução em relação à trilogia original. A evolução estaria justamente na atualização da discussão política, que o filme é incapaz de articular. O diretor faz parecer que está realizando um suspense político complexo: seus personagens se comportam com a frieza e os movimentos calculados, mas essa crença existe apenas em sua intenção, pois não é o que chega até o público.

Dessa maneira Jason Bourne, acaba sendo um entretenimento como qualquer outro sem importância, daqueles para domingos chuvosos, sem qualquer aprofundamento relevante (que a franquia se propunha antes), ou um escapismo verdadeiramente frenético (como os Missão Impossível tão bem realizam), sendo só mais do mesmo, mas evidenciando algo que já tinha ficado claro no terceiro filme de 2007: de que Bourne precisa se aposentar. Deem paz ao homem, por favor.

Jason Bourne (2016)

Nome original: Jason Bourne

Elenco: Matt Damon, Tommy Lee Jones, Alicia Vikander, Vincent Cassel, Julia Stiles, Riz Ahmed

Direção: Paul Greengrass

Gênero: Ação, Thriller

Produtora: Universal Pictures

Distribuição: Universal Pictures

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Douglas MCT

Douglas MCT já escreveu para os gibis da "Turma da Mônica", roteirizou o desenho animado "Galera Animal" da TV Globo, participou do enredo do game "Chico Bento" para as redes sociais, é autor dos quadrinhos “Edgar Alan Corvo”, "SUPER" e “Hansel&Gretel”, e dos livros "O Coletor de Almas" e da série "Necrópolis".

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