Justiça Jovem, originalidade em uma das melhores animações da década

Justiça Jovem é uma das melhores séries animadas da década e prova isso sabendo reutilizar o Universo DC com criatividade, um roteiro primoroso, personagens cativantes e respeito aos ícones, sem desperdício de episódios, onde cada elemento tem propósito, nunca é gratuito e vai refletir mais adiante.

Apesar de emprestar o nome dos quadrinhos, os produtores Greg Weisman e Brandon Vietti criam aqui algo novo e único, fazendo bom uso de todo o Universo DC para compor uma narrativa singular. Emprestando grandes momentos das HQs, equilibrando fanservice (sem nunca exagerar, mas com aquela entrega que emociona) com tramas próprias que sempre impactam (justamente pelo fã esperar algo que já conhece do original e ser surpreendido com a inventividade da produção), reunindo um time enxuto, com funções complementares e não repetidas, dentro de uma equipe que funciona com espírito de jovem adulto na medida certa.

A qualidade da animação é formidável. O traço lembra o de Avatar, e tecnicamente é quase impecável. Existe também um equilíbrio que alterna entre a atmosfera teen de Jovens Titãs, e os plots mais adultos de Liga da Justiça, mas com uma identidade muito própria, o que gera algo novo.

A série acerta ao afastar a Liga da Justiça dos problemas (sempre com justificativas plausíveis), para manter o foco na garotada, mas nunca sem supervisão de um adulto (como acontecia bizarramente em Jovens Titãs). Sendo assim, vemos Batman designando “missões menores” (que em muitos casos se provam ainda piores) para os sidekicks, enquanto deixa um membro da Liga como tutor (geralmente de segundo escalão, valorizando assim caras legais como Capitão Átomo, Shazam e até Canário Negro), em um cenário improvável, mas funcional, no tal Monte da Justiça. O legal ainda é que mesmo assim, a famosa Sala de Justiça, e a Torre de Vigilância, mantém sua devida função em momentos específicos do enredo.

O elenco orna organicamente e traz problemas, qualidades e outros desafios próprios, e é esse aprofundamento um dos motivos (senão o maior) de sucesso da série, que respeita todos em campo — principalmente na primeira temporada, mais redonda e mais emocionante que a segunda, que apesar da alta qualidade que atinge depois, tem um começo truncado. A nossa dublagem, apesar de alguns pecados (como a troca de vozes de coadjuvantes por episódios, ou até mesmo repetição de vozes num mesmo episódio) acerta em cheio ao também respeitar seu público. Temos o Superboy com a mesma voz do Clark da série Smallville; o dublador de todas as versões do Exterminador retornando aqui; e não nos esqueçamos do Superchoque! (além de quase todo o elenco da Liga, etc). Por isso, definitivamente, opte pela versão dublada. Será uma experiência prazerosa!

Sim, existem pequenas falhas, como o não desenvolvimento da Moça-Maravilha (se considerarmos que praticamente todos os principais jovens, pelo menos aqueles treinados pelos grandes ícones, receberam background, ela também merecia um próprio), a gratuidade da Esfera Robótica (que até é justificada e acaba servindo como veículo-B da equipe) e do mascote Lobo, que em dado momento meio que é esquecido. Mas nada disso empobrece a riqueza da série, que faz valer cada momento, sabendo utilizar outros personagens, sem desvalorizar os já consagrados, algo que é muito bem feito na segunda temporada, com Impulso, Besouro Azul e Ricardito (mas quem diabos é Mal Duncan e Lacustre?), além de flertar com outras figuras bacanas, que são uma cereja no bolo bem-vinda.

Os vilões são outro grande trunfo da história. Sabendo usar cada personagem com o devido respeito, a série distribui bem seus terrores, mas sem deixar a humanidade deles de lado — e ainda assim, consagrando Lex Luthor como o maioral, pelo menos até a chegada de Darkside, que terá de ficar pra futura e tão esperada terceira temporada.

Justiça Jovem

A produção jamais subestima a inteligência de seu público e sabe abordar temas e metáforas de maneira funcional na narrativa (o "vício" de Superboy pelos escudos; o descontrole da Miss Marte nos ataques psiônicos; a decadência do Arqueiro Vermelho após sua revelação; as mortes de heróis, reais ou não etc), dosando com pontuais e ótimos momentos de bom humor e homenagem aos outros ícones do Universo DC, concebendo aqui algo que consegue ser ainda melhor do que qualquer quadrinho da editora.

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