Mame – Uma relação quase maternal

Quando o pai de Patrick Dennis (Kirby Furlong) morre, deixando o menino sozinho, fica decidido que ele deve ir viver com sua tia, Mame Dennis (Lucille Ball). Mame apresenta Patrick a seus amigos e resolve que o menino deve ter uma vida repleta de aventuras. Tudo funciona bem, até que Patrick começa a ter suas próprias opiniões.

A origem de Mame

Como boa parte dos filmes musicais, Mame é inspirado em um musical da Broadway, no entanto, o musical tem uma longa história. A trama vem do livro Auntie Mame, de Patrick Dennis, que mais tarde se tornou uma peça. O musical então, foi inspirado na peça e estreou na Broadway em 1966, estrelado por Angela Lansbury, Bea Arthur, Frankie Michaels, Jane Connell, Charles Braswell e Willard Waterman. A montagem original foi indicada a oito Tonys e ganhou três.

Angela Lansbury como Mame na montagem da Broadway
Angela Lansbury como Mame na montagem da Broadway

O musical ficou em cartaz por quatro anos e terminou sua temporada em 1970. Antes disso, em 1969, Mame ganhou uma montagem em West End, com Ginger Rogers e Margaret Courtenay no elenco. Também ganhou outras montagens ao longo dos anos, inclusive nos Estados Unidos, mas diferentemente de muitos musicais famosos, este nunca ganhou um revival.

Embora o telespectador comece acompanhando Patrick, a protagonista do filme é Mame. Ela é uma mulher extravagante, que vive cercada de boêmios. Sua vida é a vida típica de uma mulher solteira, que tem muito dinheiro. Ela dá festas caras, com muitos luxos e muitos convidados. No entanto, quando recebe a guarda do seu sobrinho, parece lógico que ela mudará seu modo de vida.

Lucille Ball em cena do filme
Lucille Ball em cena do filme

Será?

Certamente não é isso que acontece. A primeira coisa que ela faz é apresentar Patrick aos seus amigos e inserir o menino no meio em que ela vive. Para o garoto, então, aquela vida se torna a vida usual. A tia logo ensina seu lema de vida para o garoto: A vida é um banquete e a maioria das pessoas está morrendo de fome.

Os dois passam a viver sob esse lema e tudo funciona bem, até que ela se casa com Beau (Robert Preston) e os dois saem em uma lua de mel estendida, que dura anos. Quando ela retorna, Patrick (agora interpretado por Bruce Davison) já é um homem adulto, que se tornou uma pessoa completamente diferente da tia.

Vera e Mame
Vera e Mame

Mame e Patrick

O filme se foca basicamente na relação de Mame e de seu sobrinho, Patrick. Embora eles sejam tia e sobrinho, a mulher o cria e a situação dos dois é mais próxima da de uma mãe e de um filho.

Conhecemos Patrick quando ele tem apenas dez anos e acabou de perder o pai. Sua guarda fica para a tia, que é o exato oposto de uma pessoa maternal. No entanto, Patrick logo se acostuma com a vida ao lado dela e os dois acabam se dando muito bem.

Mame é uma mulher rica e extravagante
Mame é uma mulher rica e extravagante

Também fica claro que embora Mame seja uma boemia, que gosta de festas, ela também gosta muito do sobrinho e está disposta a criá-lo da forma que ela acha melhor. Sendo assim, o filme é quase o relato de uma relação de mãe e filho, mas é protagonizada por uma tia e um sobrinho.

Além disso, o filme ainda fala de questões que dizem respeito ao mundo todo, como a quebra da bolsa em 1929 e a segunda guerra mundial.

A produção é cuidadosa e bem feita
A produção é cuidadosa e bem feita
Aspectos técnicos

Mame tem, obviamente, uma boa produção. Os cenários e os figurinos são cuidadosos e grandiosos. Mas existe uma clara distinção entre o que acontece na casa do pai de Patrick, onde tudo é mais sóbrio e em tons escuros, e o que acontece na casa de Mame, onde tudo é colorido, iluminado e cheio de glitter.

O roteiro, por outro lado, é relativamente simples. Apresenta uma história comum com um ou outro aspecto diferente, mas essa trama pode ser vista em outros filmes e até em longas mais recentes como Um Presente para Helen, que também apresenta uma mulher jovem que precisa cuidar dos sobrinhos, depois da morte da irmã.

Mame
Mame

Boa parte da graça do filme provém de Lucille Ball, que interpreta a tia e o faz muito bem. Sem ela, o filme não teria tanta graça. Nesse filme, ela também está bem longe de Lucy, sua personagem mais famosa. Kirby Furlong, que interpreta Patrick criança também é gracioso. Temos então um filme com roteiro simples, mas que funciona e que apresenta uma boa qualidade técnica, tanto nos seus figurinos e cenários, quantos nos seus números musicais.

As músicas

As músicas que fazem parte da trilha sonora do filme foram compostas para a peça. O longa, no entanto, tem uma música original (Loving You) e uma que aparece no musical, mas não aparece no filme (That’s How Young I Feel). Entre as músicas que tocam no filme estão It’s Today, Open a New Window, My Best Girl, We Need a Little Christmas, If He Walked Into My Life e Mame. As músicas são cantadas pelo elenco.

Patrick e Mame
Patrick e Mame

O filme não tem números musicais especialmente grandes, mas eles são bem feitos e as músicas empurram o filme para frente, fazendo parte da história. Muitas delas têm uma aura de música de cabaret, como acontece com a trilha sonora de outros musicais filmados nos anos 1970.

De uma maneira geral, Mame é um filme divertido, com uma boa produção e ótimas atuações. O roteiro por outro lado, é relativamente simples, embora tenha a intenção de falar sobre questões maiores. Mame explora relações intensas e extremamente próximas, mesmo que elas não sejam de familiares diretos e fala sobre o amor acima do sangue.

Mame

Nome Original: Mame
Direção: Gene Saks
Elenco: Lucille Ball, Robert Preston, Bruce Davison, Beatrice Arthur, Kirby Furlong
Gênero: Musical
Produtora: Warner Bros.
Distribuidora: Warner Bros.
Ano de Lançamento: 1974

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