Um Século em 43 Minutos, filme de 1979

Pega essa premissa: o escritor H.G. Wells vai viajar em sua mais nova máquina no tempo atrás de Jack Estripador, que fugiu em Londres, 1893. Ele percorre um século em 43 minutos, de acordo com as anotações do escritor futurista e vai parar em 1979.

H.G. Wells acredita que o futuro nos reserva a paz mundial, uma sociedade utópica que ele nos traz em seus livros. Ele também acredita em viagem no tempo, e por isso construiu Argo, uma máquina capaz de levar pessoas tanto para o futuro quanto para o passado.

Um Século em 43 Minutos
H.G. Wells, seus amigos e sua governanta em 1893

Um Século em 43 Minutos

Entretanto, o autor de clássicos como “A Guerra dos Mundos” e “O Homem Invisível” ainda não criou coragem para testar a máquina em si mesmo. Ao contar a novidade para os amigos, eis que a polícia chega em sua residência e avisa que entre os homens presentes no recinto, está o assassino procurado pela Scotland Yard, Jack, o Estripador.

Assim, todos se espantam e percebem que um dos senhores desapareu. Stevenson se aproveitou da algazarra feita pela polícia na casa e usou a máquina do tempo para fugir do seu presente em Londres. Wells logo se dá conta do que aconteceu e resolve que partir atrás do assassino/amigo traidor é o mínimo que ele pode fazer.

Um Século em 43 Minutos
Efeitos especiais antigos

Quem?

Stenvenson, no caso, é o amigo de Wells que mata prostitutas nas noites de Londres. Ele se “disfarça” de cavalheiro inglês durante o dia e claro que nenhum dos nobres senhores que estavam na casa do escritor sabia dessa faceta do companheiro de jantares e charutos. Isso você certamente descobre nos primeiros cinco minutos de filme. Outra coisa que você também descobre, e que é ainda mais interessante, é que o personagem é interpretado por David Warner, aquele homem malvado chamado Lovejoy do filme Titanic. Só 18 anos mais novo.

H.G. Wells é interpretado pelo maravilhoso Malcolm McDowell, o Alex DeLarge de Laranja Mecânica, meu filme favorito da vida. Então não foi somente pela sinopse divertida que o filme me encantou, claro. Malcolm faz um Wells um tanto inocente, que acredita que a raça humana realmente evolui no futuro. Assim como o verdadeiro escritor, ele crê numa utopia de que dias melhores virão. Só que este aqui tem a chance de conhecer o futuro!

H.G. Wells e Stevenson já em 1979

Ah, o futuro!

A parte mais divertida de Um Século em 43 Minutos é aquela vivida em 1979. Quando Wells resolve utilizar a máquina para perseguir Stevenson, depois de muitos efeitos especiais parecidos com aqueles do Chapolin, o autor “aterriza” em um museu em San Francisco que está expondo a vida e a obra de ninguém mais, ninguém menos do que ele mesmo. Muito conveniente, não?

Não posso contar tudo o que acontece nas aventuras de H.G. Wells e Jack Estripador pelas ladeiras de San Francisco nos Estados Unidos, afinal, estou aqui para convencê-los (ou não) a assistir ao filme. Mas, posso adiantar que ele conhece uma moça muito simpática, doidinha e sem freios. A moça, no caso, é interpretada pela Mary Steenburgen.

Mary e Malcolm em cena

Ah, o passado!

Ela e Malcolm se conheceram e se apaixonaram durante a filmagem deste longa e ficaram casados por 10 anos. Além disso, em 1983 eles atuaram juntos como a Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Mau no clássico “Teatro dos Contos de Fada” que passava na TV Cultura, apresentado sempre pela Shelley Duvall. Ah… bons tempos em que podíamos nos surpreender com Mick Jagger fazendo papel de imperador chinês em “O Rouxinol” e Jeff Bridges chorando lágrimas de sangue laranja em “Rapunzel”.

Voltando ao filme, Um Século em 43 Minutos tem um título bem tosco aqui no Brasil. O nome original é “Time After Time” e foi o que inspirou Cindy Lauper a criar sua tão famosa canção. Ela alega que procurou por nomes de músicas imaginários em um guia de tv. Quem nunca?

O casal em cena do episódio Chapeuzinho Vermelho dos Contos de Fada

Mais algumas curiosidades de Um Século em 43 Minutos

Se vocês prestarem atenção, vão reparar em um Corey Feldman fazendo uma ponta como uma criança no museu. É a primeira atuação dele e já tem até o nome dos créditos. Boa, garoto! Ele ficou famoso mais tarde como o Bocão dos Goonies.

A rede de televisão ABC produziu uma série de 12 episódios baseada neste filme, em 2017, com o nome de Time After Time. A série não teve sucesso e foi removida da programação após somente 5 episódios, mas em outros países os 12 foram ao ar. Hoje em dia deve ser possível encontrar todos eles né… mas não estou incentivando, hein…

Corey Feldman no museu

Ou talvez eu esteja incentivando sim, a internet está aí pra isso. Pra assistir Um Século em 43 Minutos eu tive que caçar muito mesmo, fazer o quê? As plataformas de streaming não colocam muitos filmes antigos pros cinéfilos desfrutarem. Não digo que não tenha nenhum. Tem sim, mas não tem muitos.

Resumindo, o filme vale a sessão (em casa) pois tem diversão, aventura, ficção científica (o diretor e roteirista Nicholas Meyer também escreveu alguns filmes de Jornada nas Estrelas), romance (dentro e fora das telas) e até um lado filosófico. Se puderem, reparem nas reações distintas de Stevenson e de Wells para com a realidade da humanidade no futuro.

Um Século em 43 Minutos

Nome Original: Time After Time
Direção: Nicholas Meyer
Elenco: Malcolm McDowell, Mary Steenburgen, David Warner
Gênero: Aventura, Drama, Sci-Fi
Produtora: Orion Pictures
Distribuidora: Warner Bros.
Ano de Lançamento: 1979
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