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Musicais: Hedwig – Rock, Amor e Traição, 2001

Hansel é um jovem que mora na Berlim Ocidental e que sonha em se tornar uma grande estrela do rock nos Estados Unidos. Até que ele conhece um belo americano que lhe promete amor e liberdade e que pode fazer com que todos os seus sonhos se tornem reais. Mas para ir para os Estados Unidos juntamente com ele, Hansel precisará fazer uma operação de mudança de sexo, pois somente assim com ele poderá se casar. Assim nasce Hedwig (John Cameron Mitchell), que chega a Kansas no mesmo dia em que o Muro de Berlim é derrubado. Preparando-se para dar início à sua carreira, Hedwig utiliza pesada maquiagem, uma peruca a la Farrah Fawcett e forma sua própria banda, chamada The Angry Inch. Porém, Hedwig logo se apaixona por um garoto de 16 anos chamado Tommy Gnosis (Michael Pitt) que acaba lhe dando um golpe e roubando suas canções, tornando-se assim a estrela do rock que Hedwig sempre sonhou ser. Recusando-se a ser derrotada, Hedwig começa então a cantar juntamente com sua banda em restaurantes e bares, buscando o reconhecimento por seu trabalho.

Fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-35372/

 

Hedwig And The Angry Inch é originalmente uma produção Off- Broadway, de John Cameron Mitchell (que mais tarde, estrelaria o filme), que estreou em 1998. Em 2000, o musical ganhou uma montagem na West End, a Broadway Londrina e só chegou a Broadway em 2014. O filme é de 2001. A peça é inspirada na história do próprio John Cameron Mitchell.

Hedwig – Rock, Amor e Traição conta a história de Hansel (John Cameron Mitchell), que sonha em ser uma estrela do rock, mas está preso na Berlim Ocidental pré-queda do Muro. Tudo muda para Hansel, quando ele conhece um homem mais velho, que se apaixona por ele e promete o levar para os Estados Unidos, desde que ele mude de sexo. Hansel, então, se torna Hedwig, uma mulher transgênera, que se monta como uma drag queen.

Hedwig – Rock, Amor e Traição é um musical que não fez qualquer barulho aqui no Brasil e ainda hoje é um filme desconhecido, o que é uma pena, uma vez que é uma obra extremamente moderna para a época que foi feita.

John Cameron Mitchell e Michael Pitt, em cena do filme.

Embora o gênero musical esteja de alguma maneira ligada ao público gay, existem poucos musicais com protagonistas LGBTQ+, Hedwig – Rock, Amor e Traição é um desses casos.

O filme começa retratando Hansel como um garoto gay, que se sente atraído por homens mais velhos. Então, ele se torna Hedwig, uma mulher transgênera e, embora ela tenha feito a cirurgia, Hedwig se maquia como uma drag queen, então, é possível dizer que a obra cobre muitas das letras na sigla LGBTQ+. Além disso, o filme nos apresenta o homem mais velho que obviamente se sente atraído por Hansel, mas só consegue conceber que os dois fiquem juntos se Hansel se tornar uma mulher e Tommy Gnosis (Michael Pitt), um cantor bissexual, por quem Hedwig é completamente apaixonada.

Claro que o filme não se resume a isso, nós acompanhamos também a carreira de Hedwig, que após ser passada para trás por Tommy, tem que se contentar em cantar em espeluncas. O filme também tem um background histórico, uma vez que se passa no período em que a Alemanha ainda era dividida, e Hansel se sente tão preso nesse lugar, que aceita mudar de sexo para poder sair. A situação política da Alemanha não é o ponto mais importante do filme, mas faz um contraponto com a própria protagonista, dividida entre o seu lado masculino e seu lado feminino.

John Cameron Mitchell escreveu e estrelou o musical.

Também é importante lembrar que a aceitação de drag queens, inclusive pelo público gay, é um fenômeno relativamente recente, impulsionada pelo programa RuPaul’s Drag Race. Até pouco tempo atrás, existia um preconceito enorme em relação a drag queens, atrelado a ideia de que elas são necessariamente violentas. Hedwig – Rock, Amor e Traição é um dos primeiros musicais (junto com Priscilla, a Rainha do Deserto) a nos mostrar uma realidade bem diferente.

O musical nos fala sobre a vida de um artista, lutando para vencer e viver da arte que ele produz, independentemente de sua orientação sexual. Nós acompanhamos toda a dificuldade que Hedwig passa enquanto tenta fazer sucesso.

A estética do filme é completamente inspirada no Glam Rock, as referências a David Bowie, Lou Reed e Iggy Pop são claras, desde o estilo das músicas, quanto ao figurino e a maquiagem. Uma ótima escolha, uma vez que Bowie nos anos 70, era uma figura tão ambígua que muita gente não sabia dizer se ele era homem ou mulher, mais ou menos como a protagonista do filme, que é (e já foi) um pouco dos dois.

Neil Patrick Harris como Hedwig, na primeira versão da Broadway.

O filme não é uma grande produção e não utiliza de grande números musicais, super coreografados, mas o figurino e a maquiagem são lindos e retratam com perfeição o que quer passar. O filme se passa no final dos anos 80, e os figurinistas conseguiram juntar muito bem o exagero atribuído à década, com o exagero atribuído às drag queens.

Como Hedwig – Rock, Amor e Traição conta a história de uma cantora, ele também é um daqueles musicais aonde boa parte das músicas acontece no palco, o que pode agradar até quem não está acostumado ao gênero. Algumas das músicas presentes no filme são The Origin Of Love, Sugar Daddy, Wig in a Box e Freaks.

Embora tenha começado como uma montagem Off- Broadway, Hedwig já teve vários atores famosos no seu elenco no teatro como Andrew Rannells (famoso pelo musical The Book Of Mormon e pela série Girls), Michael C. Hall (de Dexter), Neil Patrick Harris (De How I Meet Your Mother), em uma performance que parece impressionante, Anthony Rapp (estrela de Rent, tanto no teatro, quanto no cinema) e Darren Criss (de Glee). Recentemente, o autor da peça, John Cameron Mitchell retornou aos palcos no papel principal.

Vários dos atores que interpretaram Hedwig.

No Brasil. Hedwig foi encenada em 2011, com Paulinho Vilhena no papel principal. Embora pouco conhecido no Brasil, Hedwig é um sucesso internacional, que nos apresenta personagens diferentes e criativos.

Bônus: Neil Patrick Harris como Hedwig no Tony Awards, de 2014: https://www.youtube.com/watch?v=uIaFn5lsLd8

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Fernanda Cavalcanti

Formada em cinema, apaixonada por literatura, divide seu tempo livre entre ler, escrever e dançar. Gosta especialmente de terror, mas lê/assiste de tudo. Também escreve para o blog Além da Toca do Coelho.

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