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Com Amor, Simon: Para ler e assistir

Simon tem dezesseis anos e é gay, mas ninguém sabe. Sair ou não do armário é um drama que ele prefere deixar para depois. Tudo muda quando Martin, o bobão da escola, descobre uma troca de e-mails entre Simon e um garoto misterioso que se identifica como Blue e que a cada dia faz o coração de Simon bater mais forte.
Martin começa a chantageá-lo, e, se Simon não ceder, seu segredo cairá na boca de todos. Pior: sua relação com Blue poderá chegar ao fim, antes mesmo de começar. Agora, o adolescente avesso a mudanças precisará encontrar uma forma de sair de sua zona de conforto e dar uma chance à felicidade ao lado do menino mais confuso e encantador que ele já conheceu. Uma história que trata com naturalidade e bom humor de questões delicadas, explorando a difícil tarefa que é amadurecer e as mudanças e os dilemas pelos quais todos nós, adolescentes ou não, precisamos enfrentar para nos encontrarmos.
Fonte: https://www.saraiva.com.br/simon-vs-a-agenda-homo-sapiens-9258947.html

Anteriormente publicado como Simon Vs A Agenda Homo Sapiens, o livro de Becky Albertalli escrito em 2015, foi republicado como Com Amor, Simon depois do lançamento do filme em 2018.

Com Amor, Simon conta a história de Simon, um adolescente que ainda não contou para ninguém que é gay. Até que um dia, um dos colegas de escola de Simon descobre uma troca de e-mails do garoto com Blue, um rapaz misterioso, por quem Simon está apaixonado. Então ele começa a chantageá-lo.

Literatura LGBTQ+, especialmente voltada para homens gays, não é exatamente uma novidade, uma vez que personagens gays já existiam desde a Grécia Antiga, mas não se pode negar que ultimamente o gênero teve um boom, que atingiu especialmente os livros Young Adult. Nada mais natural, afinal cada vez o mundo se torna mais tolerante e as pessoas se assumem mais cedo, então, é claro que vão buscar personagens que se pareçam com eles.

Com Amor, Simon é um Young Adult típico, que se passa no colegial, fala de romance e de problemas comuns na adolescência e por isso mesmo que é o livro é interessante e diferente. É muito comum que os livros com personagens homossexuais sejam cheio de angustias e tragédias, quase como se o autor tivesse punindo seu próprio personagem justamente por ser gay, Com Amor, Simon é o extremo oposto disso.

O livro é um romance adolescente, quase como aquelas comédias adolescentes muito populares nos anos 90, que agora passam à exaustão na Sessão da Tarde, a única diferença é que o protagonista é um garoto gay.
Essa iniciativa abre um todo um novo leque para esse nicho que quer e merece ser representado. É muito mais fácil para um adolescente gay se assumir sabendo que ele também pode viver uma história de amor, do que entrando em contato com obras aonde não existe nada além do sofrimento para quem sai do armário.

Outro ponto interessante do livro é que desde o começo, Simon já sabe que é gay, e isso em momento algum é um problema para ele, o livro não fala sobre um adolescente se descobrindo e se aceitando, fala sobre um adolescente se apaixonando pela primeira vez, que é uma premissa com a qual todos nós podemos nos identificar, independentemente das nossas orientações sexuais.

Nick Robinson como Simon.

Além de Simon, o livro é repleto de personagens com sexualidades diferentes, como a melhor amiga dele, Leah e nova aluna da escola, Abby, que parecem estar apaixonadas por Nick e o próprio Nick, que corresponde o sentimento de Abby. Então, o livro se preocupa em falar de problemas e relacionamentos de adolescentes de uma maneira geral. E embora o protagonista seja branco, o livro tem muitos personagens negros, por isso consegue falar não só de representação sexual, mas também de representação e diversidade racial.

Outra coisa que faz de Com Amor, Simon um livro diferente de outros do gênero é a família de Simon. Ele é o filho do meio, de uma família de classe media/alta, moderna, que é compreensiva e parece não ter qualquer problema com homossexuais. O próprio Simon comenta que sua mãe é gentil com todos e que seu pai está bem longe do estereótipo de homem super masculinizado, ou seja, os dois parecem mais do que propensos a aceitar o filho do jeito que ele é e mesmo assim, ele ainda não contou para ninguém que é gay, mostrando que se assumir do jeito que você é (isso não se aplica só ao caso de homossexuais, mas se aceitar como você é, de uma maneira geral) nunca é fácil, mesmo que todo o ambiente que você vive seja saudável. E também é muito importante entrar em contato com uma história onde os pais aceitam seu filho gay do jeito que ele é, isso mostra para os adolescente que estão lendo que é possível ser aceito pela família, e dá um ótimo exemplo aos pais.

O livro também não usa estereótipos comuns para personagens gays, Simon não é um garoto especialmente feminino, não gosta de divas pop e nem parece interessado em coisas que são geralmente relacionadas ao gênero feminino ou a alguns personagens gays, tanto que não existe nenhuma desconfiança sobre a sexualidade de Simon em nenhum momento do livro, isso mostra que existem milhões de formas de ser gay e que ninguém é igual a ninguém.

Simon e os amigos.

É muito fácil se apaixonar por Simon e seguir sua história, justamente porque o que o livro apresenta é uma história de amor universal, então, é impossível pegar o livro e não torcer pelo protagonista, além de que naturalmente, o leitor vai querer saber quem é Blue, o garoto com quem Simon troca emails. Por isso, a leitura se torna muito fácil, é quase impossível soltar o livro.

Uma das coisas que eu mais gostei em Com Amor, Simon é o fato do livro ter um protagonista gay e isso não ser exatamente um drama na vida dele. Simon é muito mais do que só um protagonista gay, ele tem outras características e sua história não se resume a ser gay, se assumir ou ter que lutar com isso. Sua história poderia ter qualquer um como protagonista, independentemente de ser gay, heterossexual ou bissexual.

Com Amor, Simon virou filme em 2018 e é tão interessante quanto o livro. Ele também funciona exatamente como uma comédia romântica, aonde a orientação sexual do personagem principal é completamente irrelevante. No filme, Simon e Abby fazem parte de uma montagem de Cabaret na escola. Eu achei essa escolha extramente interessante, uma vez que Cabaret é um musical que também fala sobre sexualidade.
O elenco é repleto de jovens estrelas, como Nick Robinson (de Tudo e Todas as Coisas), Katherine Langford (a protagonista de 13 Reasons Why), Jorge Lendeborg (Homem Aranha: De Volta ao Lar), Keiynan Lonsdale (ator assumidamente bissexual que também esteve na série The Flash) e Miles Heizer (também de 13 Reasons Why).

A família de Simon.

Com Amor, Simon pode ser só uma comédia romântica (um gênero que sempre foi considerado menor que outros), mas também é uma obra extremamente importante, que abre portas para pessoas que quase nunca são retratadas e que tem muita coisa a ensinar. Que daqui para frente, a gente tenha muito mais conteúdo nesse estilo.

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Fernanda Cavalcanti

Formada em cinema, apaixonada por literatura, divide seu tempo livre entre ler, escrever e dançar. Gosta especialmente de terror, mas lê/assiste de tudo. Também escreve para o blog Além da Toca do Coelho.

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