O Poderoso Chefão, um livro clássico de Mario Puzo

Clássico que deu origem à premiada trilogia dirigida por Francis Ford Coppola – Publicado em 1969, a saga O poderoso Chefão é, até hoje, a mais perfeita reconstituição das famílias mafiosas de Nova York. O carismático Don Vito Corleone é o chefão de uma delas. Apesar de implacável, Don Vito é, essencialmente, um homem justo. Padrinho benevolente, nada recusa aos seus afilhados: conselho, dinheiro, vingança e até mesmo a morte de alguém. Em troca, o poderoso chefão pede apenas o respeito e a amizade de seus protegidos. Assim, todas as suas vontades se tornam realidade. Porém, ninguém pode vencer o tempo. Quando seus inimigos atacam juntos e tudo que sua família significa estão por um fio, o velho Corleone terá de escolher, entre seus filhos, um sucessor à altura. E Mario Puzo constrói de maneira hábil um mundo de intrigas, decisões cruéis e honra, num legado de tradição e sangue.

Fonte: https://www.amazon.com.br/Poderoso-Chef%C3%A3o-Mario-Puzo/dp/8501025437

Existem dois títulos para o livro de Mario Puzo, o título original era O Chefão, porém depois do lançamento do filme em 1972, o livro passou a ser publicado aqui no Brasil como O Poderoso Chefão.

O Poderoso Chefão é o primeiro livro da trilogia da máfia de Mario Puzo (os outros são O Último Chefão, de 1996 e Omertá, de 2000) e ficou famoso mundialmente por causa do filme de Frances Ford Coppola.

Em O Poderoso Chefão acompanhamos a história da família Corleone, onde o pai, Vito, é o chefão da máfia local e tem quatro filhos: Santino (ou Sony), Alfredo (Fredo), Constanza (Connie) e Michael.

Marlon Brando em cena do filme

Vito comanda a família (tanto a de sangue, quanto a da máfia) de maneira justa e é um homem comedido, embora poderoso. Mas logo Vito começa a sofrer atentados à sua vida e ele percebe que terá que escolher um filho para sucedê-lo.

A história de O Poderoso Chefão é na verdade baseada em histórias reais da máfia de Nova York. Puzo fez uma extensa pesquisa sobre o assunto antes de escrever o livro e embora não seja possível apontar exatamente para as inspirações reais, é possível que o autor tenha usado a história de diversas famílias para escrever o livro.

No entanto, dizem que o cantor que é afilhado de Don Corleone, Johnny Fontane seria inspirado em Frank Sinatra. A história parece mais realista quando se descobre que Sinatra deu um escândalo com Puzo em um restaurante por ele, supostamente, ter exposto a verdade. Justamente por isso, o livro é considerado um dos retratos mais fieis da Máfia italiana que existem.

Vito e seus filhos

O Poderoso Chefão é uma mistura perfeita entre a relação de Vito com sua família de sangue, que o vê como um homem bondoso e a relação de Vito como chefe de uma família da máfia. E se Vito consegue ser um chefe relativamente gentil nos dois aspectos da sua vida, o mesmo não pode ser dito de seus descendentes.

O livro nos dá a opção de conhecer os personagens como criminosos, mas também como maridos, pais e filhos. As duas famílias tem igual importância no romance.

Al Pacino como Michael Corleone

Se Vito pareceu aceitar com uma certa facilidade a vida que lhe foi imposta, ele não parece tão satisfeito em passar os negócios da família para os filhos. Em muitos momentos do livro, ele comenta que imaginava que quando chegasse a vez de seus filhos, a família já estaria legalizada e ele poderia ver um senador ou governador Corleone e não outro chefão da máfia, como ele.

O Poderoso Chefão também é um conto de ascensão social, começando com Vito, que saiu de sua cidade natal ainda criança, órfão e sem dinheiro e conseguiu se fazer na vida e passando para seus filhos, que diferentemente dele, puderam estudar e sonhar com uma vida melhor, como manda o sonho americano. Vito não deseja em momento nenhum, que seus filhos sejam como ele, ele vê a máfia como o meio que ele tem para dar melhores chances a seus filhos.

Ele se vê em uma encruzilhada quando seu filho mais velho, Sonny não pode assumir a família e o encargo fica para Michael, o filho que parece ser o favorito de Vito e para quem ele tinha grandes planos.

Robert De Niro no papel de Vito Corleone mais jovem

Não é a toa que Michael é o único dos filhos a receber um nome tipicamente americano, quase como se Vito pensasse em dar uma vida completamente diferente para ele.

O Poderoso Chefão também mostra ao leitor a infância e juventude de Vito, tanto na sua cidade natal, Corleone, quanto assim que ele chegou em Nova York e dessa forma ficamos sabendo como ele se transformou no chefão da família.

Os filhos de Vito também tem personalidades bem claras e diferentes uma da outra. Sonny, o filho mais velho, deveria ser o seguidor do pai, mas que é irascível e consequentemente fraco para a tarefa que o espera; já Michael, o filho mais novo, é um ex-soldado, que estudou e que aparenta ser mais sensível, mas na verdade, é frio e por isso, no fim das contas, é a opção mais assertiva para o cargo.

John Cazale e Al Pacino em cena do filme

O livro é repleto de personagens secundários que completam a história, como Kay, a namorada de Michael, que acaba de conhecer a família, Carlo Rizzi, o marido agressivo de Connie, Tom Hagen, filho adotivo de Don Corleone, que também é advogado da família e claro os outros integrantes da máfia, como Luca Brasi, Peter Clemenza e Philip Tattaglia.

O livro é escrito de maneira magistral e a leitura é muito fácil, principalmente porque é impossível colocá-lo de lado e é muito fácil se apegar à família Corleone. Mesmo que eles sejam criminosos, Puzo consegue nos mostrar o lado humano de cada personagem. Muito mais do que um livro sobre a máfia, O Poderoso Chefão é um livro sobre o amor de um pai pelos seus filhos.

O Poderoso Chefão virou filme em 1972, pelas mãos de Francis Ford Coppola, e tem no elenco Marlon Brando, como Vito, Al Pacino, como Michael, James Caan, como Sonny, Robert Duvall, como Tom, Diane Keaton como Kay, Tália Shire, como Connie e John Cazale, como Fredo. Em 1975, o segundo filme, que também é baseado no livro e narra a juventude de Vito chegou aos cinemas. Nesse filme, boa parte do elenco retorna e temos Robert De Niro no papel de Vito mais novo.

Na história, um chefão da Mafia quer legalizar a família para seus descendentes

O primeiro filme foi indicado a onze Oscars e ganhou três, de Melhor Filme, Melhor Roteiro e Melhor Ator para Marlon Brando, já O Poderoso Chefão II também foi indicado a onze Oscars e levou seis: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Direção de Arte, Melhor Trilha Sonora e Melhor Ator coadjuvante para Robert De Niro.

Em 1991, O Poderoso Chefão ganhou uma segunda continuação (O Poderoso Chefão III), que não tem qualquer relação com o livro, mas retrata a velhice de Michael (Al Pacino).

James Caan como o irascível, Sonny

O Poderoso Chefão é até hoje uma referência quando se fala em máfia e ele já foi citado em diversas outras obras, além disso, o livro ganhou duas continuações, A Volta do Poderoso Chefão, escrito por Mark Winegardner e A Família Corleone, escrito por Ed Falco.

Sendo a obra por trás de um grande clássico do cinema, O Poderoso Chefão foi quase esquecido ao longo dos anos, mas é um dos poucos casos de filmes que são tão bons quanto o livro. O livro narra a saga de uma família, em todos os seus aspectos e presenteia o leitor com personagens realistas e carismáticos.

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