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Musicais: Jesus Cristo Superstar, 1973

Sob a visão atormentada de Judas Iscariotes (Carl Anderson), conhecemos os sete últimos dias de Jesus (Ted Neely) na Terra, terminando com a sua crucificação, mas sem contar a ressureição. A narrativa é uma mistura de passado e presente, apresentando soldados romanos que usam metralhadora e perseguem um Cristo hippie. Musical dirigido por Norman Jewison.

Fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-57764/

Jesus Cristo Superstar era, inicialmente, um álbum conceitual de ópera rock, então, em 1970 ele foi transformado em um musical e chegou aos palcos da Broadway em 1971.

O musical é da autoria de Andrew Lloyd Webber, provavelmente o autor de musicais mais conhecido de todos, ele também fez Evita (1976), Cats (1981) e O Fantasma da Ópera (1986). O filme chegou aos cinemas em 1973.

Não é necessária muita explicação em relação à sinopse de Jesus Cristo Superstar, uma vez que essa é uma das histórias mais famosas do mundo. O que o filme se propõe a cobrir são os últimos sete dias da vida de Jesus Cristo (Ted Neely) e o que faz a obra diferente de qualquer outro filme religioso que retrata o período é que ele utiliza de músicas para isso.

Jesus Cristo e um dos soldados de Pontius Pilate

Outra coisa que difere da visão da igreja é a personalidade de Jesus. No filme, Jesus aparece como um homem bondoso, sempre disposto a ajudar e que não faz nenhum julgamento, seja de classe, sexo ou raça. Se pensarmos em Jesus Cristo como uma figura histórica, longe da ideia que a igreja católica propaga, ele jamais poderia ser um homem que julga as pessoas, uma vez que ele mesmo disse que devemos amar a todos como se fossemos irmãos.

Mais importante do que isso, o filme coloca Jesus como um excluído, o que também condiz muito com uma visão realista da figura de Jesus. Jesus Cristo foi um perseguido, que ajudava pobres e marginalizados, tanto que acabou sendo preso, julgado e morto por isso. Mostrar Jesus como fazendo parte de algumas minorias que eram condenadas na época, além de ser muito corajoso por parte do autor, também faz um paralelo com os dias de hoje e com as minorias que a igreja ainda condena. Além de desmascarar a hipocrisia que ronda a igreja católica.

O Jesus Cristo de Jesus Cristo Superstar também é retratado muito mais como um homem do que como um santo, afinal, ele de fato foi um homem por 33 anos.

No filme, Jesus Cristo é mostrado como um excluído

O filme também mostra o ponto de vista de Judas (Carl Anderson), o vilão mais conhecido de toda a história e cujo nome virou quase um sinônimo de “traidor” e o telespectador é capaz de ver que ele também tinha suas dúvidas, porque assim como Jesus, ele era um homem.

Outro vilão que aparece representado de uma maneira bem diferente é Pontius Pilate, que no filme aparece como um homem extremamente afeminado, cercado por um exercito de homens musculosos usando roupas sumárias, quase como em uma fantasia sexual gay. O filme não fala diretamente sobre sexualidade, mas deixa várias pistas no ar.

A grande vantagem de Jesus Cristo Superstar se comparado a um filme religioso que narre a vida de Jesus é que aqui as coisas fluem mais naturalmente e embora ele tenha seu ponto de vista religioso, ele nos mostra isso de uma maneira diferente, perdendo aquela aura que afasta muita gente do gênero.

Judas

As músicas que compõe a trilha sonora do filme são divertidas, animadas e em nada lembram as músicas típicas de igreja, entre elas estão This Jesus Must Die, Hosanna, Superstar, Poor Jerusalem e a mais famosa de todos, I Dont Know How To Love Him, que é cantada por Maria Madalena (Yvonne Elliman).

Claro que com uma temática tão polemica, Jesus Cristo Superstar foi duramente criticado por grupos religiosos. Tim Rice, responsável pelas letras do musical disse que a obra não foi bem recebida por algumas pessoas porque vê Jesus como o homem certo, na hora certa e não como um Deus e porque o musical parece simpático a Judas, por apenas mostrar o ponto de vista dele.

O filme ganhou um remake em 2000.

O elenco da montagem brasileira

Na Broadway, a peça teve 713 apresentações, e ganhou dois revivals, um em 2000 e outro em 2012, que foi indicado a dois Emmys. O musical rodou por diversos países entre eles Irlanda, Hungria, Itália e França.

No Brasil, Jesus Cristo Superstar esteve em cartaz em 2014.

Jesus Cristo Superstar moderniza uma história muito famosa e transforma Jesus em um ícone pop.

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Fernanda Cavalcanti

Formada em cinema, apaixonada por literatura, divide seu tempo livre entre ler, escrever e dançar. Gosta especialmente de terror, mas lê/assiste de tudo. Também escreve para o blog Além da Toca do Coelho.

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