Planeta do Tesouro, aventura divertida e honesta

Planeta do Tesouro trata da tradicional busca por um tesouro e também por uma figura paterna. Adaptando o clássico livro “A Ilha do Tesouro”, de Robert Louis Stevenson, os diretores Ron Clements e John Musker (dupla conhecida pelos sucessos de A Pequena Sereia, Aladdin, Hércules, Moana, entre outros), aliados aos roteiristas Ted Elliott e Terry Rossio (que depois escreveriam a franquia Piratas do Caribe), compõem aqui uma autêntica narrativa de pirataria.

Só que situada num universo futurista no espaço, que flerta com a ficção científica. Assim, transforma caravelas em espaçonaves, mapas em globos de projeção e troca tapa-olhos e ganchos por olhos robóticos e braços mecânicos.

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O longa animado não só é fiel às origens, como consegue dar um passo além em sua proposta. Faz bom uso da tecnologia, dos conceitos de mundo e da reimaginação de alguns elementos. Assim como trocar a ilha por um planeta. Mas mantém o tesouro e todos os signos ao redor da pirataria, com traições e muitas, muitas mortes (talvez seja a animação da Disney com mais baixas).

Os personagens de Planeta do Tesouro

O protagonista cativa à sua maneira, sem depender de romance para qualquer impulso. E sua jornada, que se divide entre a evidente caça ao tesouro e a inconsciente busca de uma figura paterna, torna Jim Hawkins ainda mais identificável. Dr. Delbert Doppler (que lembra uma versão culta do Pateta), Capitã Amélia (que já sinalizava a importância do feminismo num período onde isso ainda não era debatido) e B.E.N. (praticamente um C3PO misturado com Jar Jar Binks) são coadjuvantes que, se não agregam muito ao andamento da história, também não a atrapalham e divertem pelo caminho. Morf é mais ou menos como um papagaio de pirata e suas habilidades se misturam com boas saídas de roteiro, além de toda fofurice.

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É Silver, portanto, o grande personagem por aqui e talvez um dos mais complexos elaborados pela Casa do Mickey. Nem herói nem vilão, esta figura anti-heroica nunca abandona seus objetivos mesquinhos e não se redime pelo passado tenebroso. Mas ganha fácil o carisma do público com seu jeito sincero, sagaz e de grande coração, principalmente quanto ao protagonista. Assim fazendo as vezes do pai que ele nunca teve, porque o abandonou quando pequeno.

O que esperar

Sendo Silver a figura mais improvável que cobre uma parte da jornada de Jim, ele é também seu principal obstáculo. Isso que torna o desfecho inesperado, ainda que com resultados previsíveis. De qualquer forma, o roteiro cria uma escala de eventos que funciona do começo ao fim, à medida que trabalha mestre e aprendiz como pai e filho, em uma aventura honesta e divertida, que teve a infelicidade de estrear na mesma semana que Harry Potter e a Pedra Filosofal nos cinemas, o que levou o filme ao fracasso, sendo redescoberto e admirado pelas pessoas somente anos depois.

Planeta do Tesouro foi o primeiro longa do gênero a mesclar animação tradicional com elementos em 3D. Além de fazer isso muito bem, tem uma qualidade técnica impecável. A movimentação de cada personagem é detalhada e orgânica, com cenários deslumbrantes, uma direção de arte impecável e um roteiro redondinho, que além de trazer redenção, punição e conquista às devidas figuras em tela, ainda emociona antes do fim, nesta adaptação mais do que honesta de um clássico da aventura. Portanto, Robert Louis Stevenson deve ter aplaudido de seu túmulo.

Planeta do Tesouro

Nome Original: Treasure Planet
Direção: Ron Clements, John Musker
Elenco: Vozes de Joseph Gordon-Levitt, Emma Thompson, Martin Short
Gênero: Animação, Aventura, Família
Produtora: Walt Disney Feature Animation
Distribuidora: Walt Disney Pictures
Ano de Lançamento: 2002
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