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O Exorcista, De William Peter Blatty

Nos Estados Unidos da América, algo muito estranho acontece. Atingida por uma doença que os melhores especialistas não conseguem descobrir, uma criança caminha para a morte, semeando a destruição à sua volta, ao mesmo tempo que se vai apagando numa agonia atroz.

Fonte: Livraria Cultura

Publicado em 1971, O Exorcista ganhou popularidade muito em função do filme de 1974, que chocou platéias do mundo todo. Depois do lançamento do filme, o fato de existir um livro ficou praticamente esquecido.

Embora o filme seja cercado por lendas urbanas envolvendo as filmagens, o livro tem a lenda mais interessante e que parece mais próxima da verdade: ele supostamente foi baseado em um exorcismo real.

O livro conta a história de uma atriz que vê sua filha, de repente, adoentada. A menina, que tem 12 anos, começa a se comportar de maneira anti-social, falar palavrões e demonstra ter uma força muito superior a sua idade. Sua mãe, Chris a leva ao medico e realiza todos os exames possíveis, mas a menina não tem nenhum problema físico, elas vão então, a um psiquiatra, que também não consegue solucionar o problema.

Sem esperanças, Chris começa a procurar soluções para o problema de sua única filha e acaba chegando a uma conclusão que soa absurda: a menina está possuída.

O Exorcista tem um dos temas mais assustadores possíveis e é com certeza o livro mais famoso a tratar de possessão demoníaca, tendo sido inspiração para tudo que veio depois dele. Tudo isso fica muito claro durante a leitura. O livro tem momentos assustadores, que fazem o leitor ficar de cabelo em pé, e isso começa antes da própria possessão, já que logo no começo do livro, Regan, a menina, comenta que andou ouvindo barulhos estranhos vindo do forro da casa, e a mãe responde que provavelmente são ratos, mas quem já conhece a história sabe que não tem uma explicação tão simples para os barulhos.

O que acontece depois disso, é uma sucessão de cenas uma mais assustadoras que a outra: Regan fala com uma voz grossa e demoníaca, vomita em jatos, desce as escadas de ponta a cabeça, levita, entre outras coisas e nada disso faz o leitor largar o livro.

Claro que esse está longe de ser uma leitura leve, por isso eu a recomendo só para quem gosta muito de terror e não se choca ou se assusta com facilidade, mas o livro é extremamente bem escrito.

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A história não tem muitos personagens, ela roda em torno de Chris, a mãe desesperada por ajudar e Regan, a garota possuída, mas outros dois personagens tão importantes quanto as duas são os padres que vão realizar o exorcismo: o veterano Padre Marrin e o jovem Padre Karras. Durante a leitura, ficamos sabendo que o Padre Marrin vinha estudando demônios e possessão a um tempo, por isso parece não só mais capaz de realizar o exorcismo, mas também mais capaz de acreditar no que Chris conta para ele. Ele também tem consciência que aquela é uma batalha muito maior do que aparenta.

Já o Padre Karras acabou de perder sua mãe, depois de um longo tempo lutando contra uma doença e não tem mais tanta certeza da sua fé ou da sua escolha de vida, claro que o demônio que está no corpo de Regan sabe de tudo isso, por isso, o exorcismo tem camadas muito mais pessoais para ele.

Regan, também é uma personagem interessante, como eu disse, ela tem 12 anos, que é a idade em que geralmente se entra na puberdade. Antes da possessão, Regan é uma menina simpática, educada e que adora passar seu tempo com a mãe, então, da noite para o dia, ela começa a se comportar de maneira completamente diferente, sua voz esta diferente, ela fala palavrões, fala sobre sexo e além de não querer mais ficar perto da mãe, ela trata mal os amigos da mãe que a visitam. Soa familiar? Muito do comportamento de Regan pode ser interpretado como uma passagem da infância para a a adolescência, onde os pais muitas vezes alegam que “não conhecem mais” seus filhos.

Independente da interpretação que você prefira (ou que o autor tenha pensado), o Exorcita é um livro assustador, mas extremamente bem escrito, que merece o lugar que conquistou não só dentro do gênero do terror, como também de uma maneira geral.

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Fernanda Cavalcanti

Formada em cinema, apaixonada por literatura, divide seu tempo livre entre ler, escrever e dançar. Gosta especialmente de terror, mas lê/assiste de tudo. Também escreve para o blog Além da Toca do Coelho.

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2 thoughts on “O Exorcista, De William Peter Blatty”

  1. Esse livro é sensacional! Comprei num sebo, acho que eu tava com a Fernanda no dia, hahaha, não tenho certeza, mas foi uma leitura ótima, adorei!! E quando terminei de ler, assiste o filme pela milésima vez, claro…

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