SCOOBY! O Filme – Unindo o clássico com o moderno

Aventura simpática e engraçada, repleta de grandes promessas para o futuro

A Warner inicia o universo compartilhado da Hanna-Barbera usando seu personagem mais famoso para puxar o carro: Scooby-Doo e a turma da Mistério S/A. Então, velho nerd, não espere aqui uma adaptação dos quadrinhos “Future Quest”. Para tanto, Tony Cervone foi escalado para esta grande responsabilidade. Tendo escrito e dirigido centenas de séries e filmes animados do conglomerado (além de tramas do próprio dogue alemão, ainda fez “Tom & Jerry”, “Animaniacs”, “Flintstones” etc.), o diretor compreende cada um dos personagens que manipula em tela e isso fica evidente durante toda a rodagem.

Cervone preservou o design e personalidade de Scooby, Salsicha, Velma, Fred e Daphne, mantendo-os reconhecíveis para qualquer tipo de público. Seja o de ontem, seja o de hoje. Em contrapartida, criou novas versões de Falcão Azul, Bionicão, Dick Vigarista, Dee Dee, Capitão Caverna e outros; o que também não representa um problema, já que são reimaginações que respeitam as origens, mas que apresentam bem-vindas atualizações. Assim, elas se comunicam tanto com franquias de super-heróis, quanto com de aventuras clássicas, sem perder a essência.

Scooby traz um elenco de vozes portentoso que, na gringa, conta com nomes como Zac Efron, Amanda Seyfried, Mark Wahlberg etc; no Brasil, entre várias vozes ótimas, o centenário Orlando Drummond abre mão do cachorrão para o querido Guilherme Briggs assumir de um jeito tão certeiro, que fica impossível perceber a diferença.

Scooby

Scooby! O Filme

A história começa didática, mostrando como Scooby e Salsicha se conheceram na infância, logo criando amizade com Velma, Fred e Daphne. Assim, eles desvendam o primeiro mistério de “fantasma”, que daria origem à Mistério S/A (e que remete deliciosamente à série “O Pequeno Scooby-Doo”, que vamos combinar, foi a melhor coisa já feita com o personagem).

Enquanto isso, os créditos iniciais fazem uma montagem dinâmica com suas primeiras missões conforme vão crescendo, até o atual momento, quando Simon Cowell (quem? Não se preocupe, parece que só a Warner parece se importar com este executivo britânico criador de jogos de TV, como American Idol), uma figura irrelevante para o enredo, dá uma grande missão para o quinteto desvendar. Isso descamba para uma aventura de nível global, algo que até então eles nunca haviam se deparado (nem mesmo em outras adaptações).

A trama

O roteiro é certeiro ao dividir o grupo em dois. Então temos Velma, Fred e Daphne seguindo rastros mais tradicionais das animações clássicas atrás de um pequeno mistério (que nenhum jovem ou adulto terá dificuldade em decifrar, mas será incrível para a molecada). Enquanto isso, Salsicha e seu amigo peludo conhecem mais o lado heróico da trama, com Falcão Azul, Dee Dee e Bionicão em busca dos três crânios de Cérberus, os quais o vilanesco Dick Vigarista também está atrás, para abrir uma porta para o submundo.

Tudo isso embalado por uma trilha sonora pop moderninha e piadas realmente engraçadas (com aquele humor bobo e paspalhão clássico do personagem). Os efeitos sonoros são retirados diretamente dos desenhos antigos e os diálogos repletos de easter-eggs e referências. Essas que não passariam batidas nem mesmo pelo Capitão América. Mesmo que não inove na história (e nem precisa, pois em si, é competente na proposta, do começo ao fim), existe ao menos dois pontos falhos que não passam despercebidos.

Capitão Caverna em Scooby

Falhas?

O primeiro é sobre Dick Vigarista. Sim, é muito bem-vindo o piloto pilantra ganhando escopo de um vilão maior para a franquia (tal qual Loki foi para começar a unir os heróis do MCU). Aqui são preservados alguns de seus elementos (como os surtos quando seus planos dão errado, as bofetadas típicas que dá e recebe de Muttley, o design da nave remetendo à Máquina do Mal, alguns traços ainda oriundos de Terry-Thomas), mas ele se transforma numa versão completamente descarada de Gru, de “Meu Malvado Favorito”, contando até mesmo com sua própria versão dos minions (aqueles robozinhos fofos e sinistros que perseguem a dupla medrosa).

Outro desvio de caminho é o Capitão Caverna, que faz uma ponta, para depois voltar com maior participação numa já confirmada continuação. Entretanto, ele não faz qualquer diferença para o enredo, já que sua presença parece mais para encher linguiça, do que efetiva para o andamento da história. De qualquer maneira, seu visual atualizado ficou legal.

Portanto, mesmo com a inserção de inúmeros outros personagens e um enredo que desvia um pouco do terror (mas nem tanto, considerando que o chefão final é monstruoso), o longa ainda pertence a Scooby e seus amigos. Com uma narrativa típica de suas animações (as máscaras sobrepostas guardando a verdadeira identidade de alguém estão por todos os cantos), mas com anabolizantes interessantes e divertidos que ajudam a compor um universo maior e bem interessante para o futuro. Fique de olho nos créditos finais!

O que há de novo, Scooby?, perguntaria o narrador. Eu responderia que pouco, mas o suficiente. Que venha mais!

SCOOBY! O Filme

Nome Original: Scoob!
Direção: Tony Cervone
Elenco: Vozes de Will Forte, Mark Wahlberg, Jason Isaacs, Gina Rodriguez, Zac Efron, Amanda Seyfried
Gênero: Animação, Aventura, Comédia
Produtora: Warner Bros.
Distribuidora: Warner Bros.
Ano de Lançamento: 2020
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