Tinta Bruta, cinema queer com sexo e tristeza

Tinta Bruta conta a história de Pedro (Shico Menegat), um jovem que tenta sobreviver em meio a um processo criminal, à partida da irmã e única amiga e aos olhares que recebe sempre que sai na rua. Sob o codinome Garoto Neon, Pedro se apresenta no escuro do seu quarto para milhares de anônimos ao redor do mundo, pela internet. Com o corpo coberto de tinta, ele realiza performances eróticas na frente da webcam. Ao descobrir que outro rapaz (Bruno Fernandes) de sua cidade está copiando sua técnica, Pedro decide ir atrás do mesmo.

Parte 1 – Luiza

O filme se divide em três partes. Na primeira parte, vamos conhecer a rotina de Pedro como GarotoNeon. E também o fato de sua irmã Luiza estar se mudando para Salvador. Além disso, Pedro está passando por um processo judiciário que ainda não sabemos do que se trata.

Pedro e Luiza se despedem
Pedro e Luiza se despedem

Luiza é sua única amiga. Eles não tem mais seus pais e sua avó mora longe. Pedro, mesmo triste, aproveita quando sua irmã vai embora para ficar com seu quarto, que tem uma janela maior. Tinta Bruta é repleto de janelas por várias cenas. Não só Pedro observando, como também anônimos em suas casas. São os olhares de cobrança e reprovadores da sociedade.

Para Pedro, dançar na webcam todo melado de tinta neón é um trabalho. Ele vende seu corpo e sua arte online. De vez em quando arrisca conhecer um usuário que paga pelas suas performances, mas geralmente essas aproximações não funcionam. Até que conhece Leo.

Shico Menegat é Pedro, o Garoto Neon
Shico Menegat é Pedro, o Garoto Neon

Parte 2 – Leo

Leo é outro performer do mundo virtual que também pinta o corpo. Quando se conhecem, imediatamente Pedro leva Leo para sua casa (que confiança hein). Após uma bronca (“Você nunca mais se pinte se não for comigo”), eles resolvem fazer um show juntos. A dança sensual e colorida evolui para um sexo selvagem. E, obviamente, dá lucro para os garotos.

Só que Leo dança profissionalmente fora da webcam, o que faz com que o público de Garoto Neon caia. Eles cobram que a dupla se apresente novamente, sempre juntos. Leo e Pedro então engatam um relacionamento complicado. Mesmo na companhia de Leo, Pedro parece sempre isolado, triste e sem perspectiva.

Pedro e Leo
Pedro e Leo

Parte 3 – Garoto Neon

Pedro se envolve em algumas brigas e golpes. Seu julgamento está cada vez mais próximo. Sua avó vem lhe visitar. Mas aquele vazio está sempre presente. Bem antissocial, Pedro fala pouco e bem baixinho quando Leo o apresenta aos amigos. Com um estado emocional constantemente abalado, ele é um rapaz totalmente fechado.

Tinta Bruta, de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, é o grande vencedor do Festival Internacional de Cinema do Rio, onde foi premiado como Melhor Filme, Melhor Roteiro para Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, Melhor Ator para Shico Mengat e Melhor Ator Coadjuvante para Bruno Fernandes.

Concordo que os garotos tiveram cenas muito fortes para fazer, mas a atuação é um tanto fraca. A fala é mansa, típica de Porto Alegre, mas que no longa traz um desânimo grande demais. Assim, tudo ficou meio teatral.

Segundo Filipe, o projeto foi inspirado em outra produção da dupla. “O filme surgiu de uma vontade de falar sobre despedidas, raiva e resistência. Inicialmente a narrativa veio de um curta-metragem nosso, ‘Quarto Vazio’, mas durante o processo de escrita muito se modificou”, afirma o diretor.

Equipe de Tinta Bruta ao receber prêmios
Equipe de Tinta Bruta ao receber prêmios
Aspectos técnicos de Tinta Bruta

Os diretores explicam como funciona a parceria, que já foi realizada em trabalhos anteriores, como “Beira-Mar”, na série “O Ninho” e diversos curtas-metragens: “Nosso processo é bastante coletivo. Fazemos tudo juntos, desde a escrita do roteiro, os ensaios, decupagem, até durante as gravações e no acompanhamento da pós-produção. Temos bagagens muito semelhantes (somos também atores, por exemplo), mas alguns focos distintos que, quando combinados, acreditamos que contribuem para o nosso trabalho”, revela Filipe.

A trilha sonora é bem diferente, com músicas eletrônicas sensuais embalando não só as danças em frente à webcam, mas também as festas que Pedro acaba indo.

Enfim, pela quantidade de cenas de sexo, eu infelizmente tive a impressão de que os diretores queriam mesmo era fazer um filme pornô. Mas que optaram por uma história que pudesse passar nos cinemas. Tinta Bruta nos traz a vida de um garoto homossexual muito infeliz, que como muitos na vida real sofreram bullying e reagiram de forma violenta. Um garoto que sofre muito e raramente consegue extirpar os sentimentos ruins de dentro de si. O filme entra em cartaz no dia 06 de dezembro.

Tinta Bruta

Nome Original: Tinta Bruta
Elenco: Shico Menegat, Bruno Fernandes, Guega Peixoto, Sandra Dani
Direção: Filipe Matzembacher, Marcio Reolon
Gênero: Drama
Produtora: Avante Filmes
Distribuidora: Sessão Vitrine Petrobrás

Veri Luna

Veri Luna é fotógrafa, videomaker, formada em pedagogia e audiovisual, ama cinema, livros, comida e gatos.

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