Críticas

15h17 – Trem Para Paris

Clint Eastwood
Clint Eastwood

15h17: Trem Para Paris, que entra em cartaz dia 09 de março, é o novo filme de Clint Eastwood. Ele é baseado em eventos reais que aconteceram em 2015 dentro de um trem que ia de Amsterdã a Paris.

O longa narra a história de três amigos de infância, dois deles militares em treinamento, que foram capazes de impedir um atentado, salvando assim, a vida de diversas pessoas.

Spencer Stone, Clint Eastwood, Alek Scarlatos e Anthony Sedler
Spencer Stone, Clint Eastwood, Alek Scarlatos e Anthony Sedler

Eastwood faz escolhas interessantes para contar a história, como, por exemplo, ao invés de usar atores interpretando os papéis dos protagonistas, usar as pessoas reais, que passaram pela situação. O que a princípio pode dar a ideia de que a atuação é necessariamente ruim, já que o elenco é composto por alguns “não atores”, mas não é o que acontece. Os três protagonistas atuam muito bem e as cenas em que eles aparecem juntos todas soam muito naturais.

O longa começa retratando a infância dos três, como eles eram excluídos e arrumavam problemas na escola com freqüência e como eles, finalmente se tornaram amigos. É nesse período que também conhecemos o interesse extremo dos meninos não só pela guerra, como também pelas armas de fogo. O interesse deles por esses assuntos é tão grande, que pode levar alguém desavisado a achar que é um deles que vai vir a cometer o atentado no trem. Mais tarde, nós acompanhamos sua adolescência e juventude e como Spencer Stone e Alek Skarlatos, dois dos amigos, se juntam aos militares.

Bryce Gheisar, William Jennings e Paul-Mikél Williams
Bryce Gheisar, William Jennings e Paul-Mikél Williams

Embora o filme descreva com bastante detalhes a infância, a juventude e finalmente a viagem para Paris que levaria os três ao fatídico trem, ele também é bem raso. Ficamos sabendo poucas coisas sobre a personalidade de cada um, além do fato de que eles estão todos obcecados com o exército Americano. Mas outros aspectos da vida deles, como família, outras amizades, estudos, namoros são praticamente ignorados. O filme só joga luz sob momentos que podem ajudar a narrar o evento principal.

Também não temos a voz do homem que comete o atentado no trem. Vemos o rosto dele poucas vezes e não ficamos sabendo qual era a sua motivação e se aquilo de fato era um atentado terrorista. Ele é mostrado de maneira bem superficial, apenas como vilão, mais ou menos como os protagonistas, que embora tenham defeitos, são retratados apenas como heróis.

O terrorista anônimo
O terrorista anônimo

O tom do filme é quase documental, as cenas da viagem pela Europa soam como uma filmagem caseira dos garotos e talvez, justamente por isso, o filme não tenha nenhuma grande virada, já que ele retrata a vida mais ou menos como ela é. Por outro lado, isso se torna um pouco monótono, uma vez que passamos bastante tempo só acompanhando os protagonistas e esperando que algo aconteça.

 

15h17: Trem Para Paris

De uma maneira geral, o filme é bem realizado e bem produzido, e a história verídica por trás do filme é interessante, mas o longa em si é um pouco cansativo e não prende a atenção da platéia por muito tempo.

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Fernanda Cavalcanti

Formada em cinema, apaixonada por literatura, divide seu tempo livre entre ler, escrever e dançar. Gosta especialmente de terror, mas lê/assiste de tudo. Também escreve para o blog Além da Toca do Coelho.

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