A Cor Que Caiu do Espaço, brega, mas bem intencionado

Nicolas Cage mais uma vez surtado

Richard Stanley estreia nas telonas (o longa chegou em várias salas de cinema lá fora no ano passado, antes da quarentena), depois de um carreira escrevendo e dirigindo curtas e documentários. É evidente o quão apaixonado é o diretor pela literatura de H. P. Lovecraft e aqui ele adapta uma de suas obras mais conhecidas, A Cor Que Caiu do Espaço.

Na história, um vilarejo a oeste de Arkham vê-se ameaçado quando um meteoro cai na propriedade de um fazendeiro local e traz consigo uma estranha aberração cromática que afeta a flora e a fauna da região, criando o bizarro e estéril descampado maldito onde nada cresce.

O longa oferece uma montanha-russa de sensações, variando do bom para o médio e descendo para o fraco diversas vezes. Mas, primeiramente, é importante que o espectador saiba que, independentemente das opiniões, esta é uma produção assumidamente B. Sendo assim, dentro desse escopo, funciona melhor do que se levada para outros patamares.

A Cor Que Caiu do Espaço

A Cor Que Caiu do Espaço

Stanley não esconde seu conhecimento da trama original e procura despejar alguns easter-eggs ao longo da rodagem. Entretanto, a inconstância da narrativa não contribui o tempo inteiro para uma boa experiência. Tudo no filme soa coreografado demais, artificial demais, com diálogos risíveis e atuações capengas, com exceção de Joely Richardson e Elliot Knight, que fazem o que podem com o que lhes é entregue. Madeleine Arthur e Brendan Meyer ainda estão crus demais e parecem saídos de uma estreia de seriado teen da Disney, meio perdidos no ora terror psicológico e ora horror físico proposto aqui.

Mas é Nicolas Cage quem faz feio em cena. Sim, virou senso comum acusar o ex-astro da falta de qualidade na última uma década e meia, mas não tem como fechar os olhos para sua interpretação exagerada, histérica e forçadamente cômica, como não se via desde “O Sacrifício”. Patético é como eu poderia definir, infelizmente, e acaba derrubando a produção em sua maior parte. A outra parcela de culpa recai para o roteiro mal amarrado escrito por Stanley e Scarlett Amaris, que fornece os piores diálogos para o ator.

A Cor Que Caiu do Espaço

E o que mais?

No mais, clichês descarados nas construções de cenas, estereótipos marcados (como o velho louco da cabana, a criança esquisita, o animal sacrificado, a figura paternalista que vai se tornando um perigo ainda maior que a ameaça real etc) empobrecem a história, porque já vimos e revimos isso uma dezena de vezes antes.

Claro que A Cor Que Caiu do Espaço ainda guarda boas surpresas, tanto para fãs do gênero quanto para idólatras de Lovecraft e, em seu escopo de filme B, pode sobreviver alguns anos a mais na memória do público. Portanto, aplausos para os momentos realmente tensos e perturbadores de uma fusão de corpos (que é impossível não deixar qualquer um agonizando junto da criatura); das escolhas de cores misturadas (para gerar visualmente a tal “cor que veio do espaço”) e da cena com as alpacas. Pouco se salva por aqui, mas é o suficiente para o entretenimento proposto no gênero.

A Cor que Caiu do Espaço

Nome Original: Color Out of Space
Direção: Richard Stanley
Elenco: Nicolas Cage, Joely Richardson, Madeleine Arthur
Gênero: Horror, Mistério, Sci-Fi
Produtora: SpectreVision
Distribuidora: RLJE Films
Ano de Lançamento: 2019
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