Atrás da Estante, um documentário LGBTQ+

A história do ponto turístico LGBTQ+, de Los Angeles

O documentário Atrás da Estante acompanha Karen e Barry Mason, um casal que, nos anos 1980, foi dono da loja Circus of Books, uma livraria especializada em produtos pornográficos e que tinha como clientes, principalmente, homens gays.

A livraria acaba se tornando extremamente popular e os Manson passam a produzir e distribuir filmes pornôs voltados para o público gay. Isso ao mesmo tempo em que criam os três filhos dentro da religião judaica e escondem seu negócio de todas as pessoas que conhecem.

O doc nos apresenta a loja Circus of Books, localizada em West Hollywood. Até hoje ela é considerada um ponto de turismo gay na cidade e é, naturalmente, conhecida por toda a comunidade gay.

A Circus of Books em Atrás da Estante
A Circus of Books

Atrás da Estante

O documentário, então, nos conta a história do local e como Barry e Karen Manson se tornaram os donos da Circus of Books, que originalmente era uma livraria, e como ela se tornou uma loja quase que praticamente voltada para o público LGBTQ+. O doc nos mostra que, primeiro era crime vender pornografia na época em que o casal fazia isso, segundo que eles eram pioneiros porque atendiam basicamente homens gays, em uma época onde havia ainda mais preconceito.

Atrás da Estante apresenta uma série de entrevistas com funcionários – entre eles a drag queen Alaska Thunderfuck – e de frequentadores que falam sobre experiências importantes que envolvem a loja e sobre a liberdade que sentiam quando estavam dentro do local. Fica claro para o telespectador que a Circus of Books não era um lugar onde as pessoas iam só comprar pornografia. Ali também conheciam pessoas e forjavam relações.

A ideia que se tem da Circus of Books é que ela era um local quase familiar. Lá todos se conheciam e eram amigos, mesmo que a sua existência fosse desconhecida entre os amigos e familiares dos Manson.

A loja é um marco do turismo gay
A loja é um marco do turismo gay

Os Manson

O documentário então mostra o outro extremo que circunda a loja: a família Manson. Barry e Karen, os donos da loja, também eram um casal judeu religioso. Eles criavam três filhos e escondiam de todos o seu verdadeiro trabalho.

Os dois dão entrevistas que deixam claro que, embora eles tirassem seu sustento da loja, ainda sentiam vergonha do que faziam. Os filhos do casal, por exemplo, não faziam a menor ideia do que os pais faziam. Já os amigos de seus filhos, entrevistados nos dias de hoje, nem conseguem acreditar que Barry e Karen eram donos de uma loja que vendia pornografia, já que os consideravam rígidos e até meio caretas.

É interessante assistir à reação do casal, quando as duas coisas começam a se misturar de uma maneira ou de outra, e como eles, especialmente Karen que parece bem mais envergonhada com o seu trabalho, tem que lidar com isso. O filme é dirigido pela filha do casal, Rachel Manson, o que dá uma sensação de que é tudo muito doméstico, não só o que se passa na casa da família, como também o que acontece na loja.

Rachel Manson e os pais, Barry e Karen em Atrás da Estante
Rachel Manson e os pais, Barry e Karen

Aspectos técnicos de Atrás da Estante

O filme tem muitos aspectos do documentário clássico, uma vez que acompanhamos uma série de entrevistas misturadas com imagens tanto da cidade na época em que a livraria fazia sucesso, quanto da Circus of Books, mas ele inova em outros aspectos.

Uma vez que a diretora e, aparentemente, principal cinegrafista é Rachel Manson, a filha do casal, o filme é em muitas medidas extremamente pessoal. Nesse quesito, é muito parecido com vários documentários mais atuais, como Democracia em Vertigem e Fotografação, onde o autor se preocupa muito mais em falar da sua experiência com o assunto, do que em dar informações sobre tal.

A loja e a família eram tratados como polo opostos
A loja e a família eram tratados como polo opostos

A diretora nos dá informações sobre a loja e sobre os seus pais, mas depois de um tempo, somos inundados com mais informações da família do que da loja. Certamente pode ficar um pouco chato. Claro que as entrevistas com os filhos do casal e com os amigos são importantes, uma vez que o filme quer falar sobre a dualidade da vida dos Manson, mas, em alguns momentos isso extrapola e parece que é mais um filme sobre a dinâmica familiar do que sobre a loja.

Considerações finais

Atrás da Estante também tem cenas da loja nos dias de hoje, onde os donos limpam e esvaziam as prateleiras e falam sobre como perderam público depois da invenção da internet e da facilidade em encontrar pornografia online, muitas vezes, sem nem precisar pagar por ela.

O grande triunfo do doc é apresentar o público geral a Book of Circus, que parece ter sido um grande marco da vida LGBTQ+ de West Hollywood e que foi sem dúvida nenhuma, uma pioneira. A ideia de que a loja era gerida por um casal heterossexual com muitas ideias conservadoras só torna tudo ainda mais interessante.

Karen e Barry Manson
Karen e Barry Manson

Além de Alaska Thunderfuck, o filme ainda entrevista Larry Flynt e Jeff Stryker.

Atrás da Estante retrata um lugar incomum e muito à frente do seu tempo, ressaltando a sua importância não só para a história LGBTQ+, mas também na vida de pessoas que podiam sentir que não se encaixavam, mas que encontraram o seu lugar na Circus of Books.

Atrás da Estante

Nome Original: Circus Of Books
Direção: Rachel Mason
Elenco: Larry Flynt, Rachel Mason, Jeff Stryker, Alaska Thunderfuck
Gênero: Documentário
Produtora: Netflix
Distribuidora: Netflix
Ano de Lançamento: 2019
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