Batman Ninja, praticamente uma fanfic

A proposta de Batman Ninja fracassa miseravelmente em tudo o que se propõe. Nem mesmo a incrível qualidade técnica e visual salvam.

Ao invés de seguir uma premissa simples, situando o homem morcego e cia. no Japão Feudal como se fosse uma realidade alternativa (como tantas HQs já provaram funcionar), o roteiro opta pelo caminho inútil da viagem no tempo. Assim, figuras improváveis precisam se adaptar ao novo contexto.


Mas no final das contas, tudo soa simplesmente como se os personagens estivessem brincando de guerrinha e atuando num teatro japonês. Eles passam a maior parte do tempo explicando o óbvio pro espectador. No primeiro ato, Batman usa e abusa de todos seus recursos tecnológicos contra um inimigo. Como se quisesse mostrar pro amiguinho todos os brinquedos que tem.

Tecnicamente impressionante, a animação é fluída e ousada. Principalmente naquele trecho com o Coringa desmemoriado. Com um character design inspirado (não o Bruce padre com morcego na careca, aquilo é vergonhoso), bonito e que soa coeso em seus heróis e vilões. Além de sacadas bem-vindas envolvendo todos os clichês possíveis. Assim como robôs gigantes, mascotes inteligentes, o uso de golpes especiais com kanjis explodindo na tela, entre outros elementos divertidos de tão descarados que são.

Mesmo assim, nada disso é capaz de salvar o fiapo de roteiro. Temos um Batman ordinário em um embate somente apaixonado contra o Palhaço do Crime, que nunca se justifica. A não ser pelo uso excessivo de fanservices da mitologia do morcego adaptados para essa realidade.

Provavelmente realizado única e exclusivamente para vender uma nova linha de bonecos do Cavaleiro das Trevas, Batman Ninja é uma animação bonita, mas ordinária, que não vale seu tempo. A não ser que você tenha menos de 15 anos.

Batman Ninja

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Douglas MCT

Douglas MCT já escreveu para os gibis da "Turma da Mônica", roteirizou o desenho animado "Galera Animal" da TV Globo, participou do enredo do game "Chico Bento" para as redes sociais, é autor dos quadrinhos “Edgar Alan Corvo”, "SUPER" e “Hansel&Gretel”, e dos livros "O Coletor de Almas" e da série "Necrópolis".

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