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Camocim, a dualidade política no interior de Pernambuco em tempos de eleição

No documentário Camocim, acompanhamos o período pré-eleitoral na cidade de Camocim de São Félix, no interior de Pernambuco, quando a população se divide entre os eleitores que apoiam o partido vermelho e os eleitores que apoiam o partido azul.

No meio disso tudo, temos Mayara, uma jovem de 23 anos que luta para eleger seu amigo e candidato, César Lucena que concorre ao cargo de vereador pelo partido azul.

A principio, Camocim me lembrou muito o filme Primárias, de 1960, que acompanha o futuro presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy antes das eleições, uma vez que em Camocim também vemos César gravando jingles para sua campanha, fazendo propagandas e apresentando os seus projetos.

Mayara, a chefe de campanha

Por outro lado, Camocim parece mais interessado em mostrar o clima de divisão que acontece na cidade durante as eleições e o mais curioso é que isso acontece exclusivamente nessa época. O que chama a atenção é que esse clima quase de guerra que ronda a cidade parece se repetir em todo o Brasil nos últimos anos, especificamente em períodos eleitorais. O fanatismo político em Camocim é tão extremo que vemos muitas pessoas brigando em função de seus partidos. De uma certa maneira, os habitantes de Camocim são só um reflexo de como o país todo anda se comportando quando o assunto é política.

Durante o filme, Camocim soa como uma cidade extremamente politizada, mas os próprios habitantes parecem mudar seus partidos de eleições para eleições e por isso, fica claro que esse clima de militância só acontece durante o período em que o filme se passa, quase como se a eleição fosse uma paixão da cidade, como um campeonato de futebol. Inclusive tanto as cenas de comemoração, quanto as de briga, com cada pessoa usando as cores do seu partido parecem muito com imagens de estádios de futebol, com torcedores usando as camisas de seu time, chorando, comemorando e batendo boca uns com os outros em função do jogo.

Além disso, o filme também acompanha um pouco da vida pessoal e familiar de Mayara, a chefe de campanha de César, que é extremamente devotada à campanha. Mayara é jovem e a esperança que ela vê na possível eleição de César e consequentemente na mudança que isso pode causar (César se define como um candidato jovem para os jovens) é palpável durante o filme.

A equipe de campanha de César Lucena filma o candidato

O documentário acompanha a campanha e o dia da eleição, e no meio disso, vemos cenas da vida pessoal de alguns dos envolvidos. O filme se segura bem durante um tempo, especialmente enquanto o espectador tenta entender o que aqueles partidos e aquelas cores representam e como a cidade se organiza durante os períodos de eleição, mas ele se alonga demais nas cenas que não estão diretamente ligadas a eleição e por isso, vai se tornando cansativo.

Embora o filme não seja exatamente longo, ele acaba parecendo longo depois de um tempo.

Camocim é um filme interessante, que usa da divisão de uma cidade no interior do Pernambuco para falar da situação política de todo o Brasil (e talvez até do mundo), que assiste as pessoas cada vez mais radicais em relação a sua opinião e sem qualquer paciência ou empatia para escutar a dos outros.

Camocim estreia no dia 13 de setembro.

Camocim

Nome original: Camocim

Elenco: Mayara Gomes, César Lucena

Gênero: Documentário

Produtora: Ponte Produções

Distribuição: Sessão Vitrine Petrobrás

Direção: Quentin Delaroche

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Fernanda Cavalcanti

Formada em cinema, apaixonada por literatura, divide seu tempo livre entre ler, escrever e dançar. Gosta especialmente de terror, mas lê/assiste de tudo. Também escreve para o blog Além da Toca do Coelho.

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