Elvis

A cinebiografia (nada convencional) de Elvis Presley

Através do ponto de vista do Coronel Tom Parker (Tom Hanks), somos apresentados à história de vida de Elvis Presley (Austin Butler), desde a sua infância (nessa fase interpretado por Chaydon Jay), passando pelo seu sucesso na música e o seu reconhecimento como Rei do Rock.

Como o próprio nome do longa deixa claro, Elvis é a cinebiografia de Elvis Presley, que vem depois do sucesso de outras cinebiografias de músicos famosos, como Bohemian Rhapsody e Rocketman, mas diferentemente de boa parte dos filmes que narram a vida de personalidades, este não faz nenhum recorte de tempo ou espaço e retrata praticamente toda a vida do cantor.

É verdade que não é necessário fazer nenhuma contextualização sobre quem foi Elvis Presley ou sobre a carreira dele, ele é o artista solo que mais vendeu no mundo e é conhecido até hoje como o Rei do Rock, mas o que acontece é que grande parte do público muito provavelmente não sabe detalhes da sua vida e é por esse caminho que o filme segue. A produção parte do princípio de que quem quer que esteja no cinema, sabe quem está prestes a ver, mas o público ainda pode sair da sessão com algumas informações novas.

Austin Butler como Elvis Presley
Austin Butler como Elvis Presley

*Elvis*

O longa, então, cobre um pouco da infância do cantor e mostra como ele começou a se interessar por música e, especificamente, pela música feita pelos negros; o encontro dele com Tom Parker, que viria a se tornar seu empresário; sua carreira em ascensão; o efeito que ele causava na plateia; as tentativas do cantor de sempre evoluir; a busca dele por papéis no cinema (que, segundo ele, lhe dariam uma aura mais séria); sua paixão por Priscilla (Olivia DeJonge), sua esposa, e até os altos e baixos da carreira do rei do rock.

A trama foge de algumas das polêmicas mais recentes que envolvem o nome de Elvis, como a suposta apropriação da música negra – que aqui só aparece quando ele diz que quer regravar uma música de Little Richard (Alton Mason) – e o fato dele ter começado a se relacionar com Priscilla quando ela ainda era adolescente, e se foca em retratar o astro quase como um super-herói que luta contra Parker, o homem que controla sua carreira com mãos de ferro.

Uma cinebiografia diferente

É trabalho de uma cinebiografia retratar a vida de seu biografado e este filme faz isso, mas faz de uma maneira nada convencional. O primeiro elemento diferente no longa é a narração, que aqui fica por conta de Tom Parker. O longa também começa quando o cantor e Parker se conhecem, o que faz sentido, já que o narrador só pode narrar o que viu ou viveu, mas logo temos um flashback que remonta a infância e a adolescência de Elvis. Como a narração é de Parker, ela também é pessoal e até emocional, ele chama Elvis de “meu garoto” e se questiona sobre a culpa que tem na morte do cantor.

O longa acompanha praticamente a vida toda do cantor
O longa acompanha praticamente a vida toda do cantor

O roteiro se preocupa até em voltar ao passado do próprio Parker e, em um momento ou outro, um detalhe sobre a vida do empresário aparece na tela de cinema.

Também não existe recorte de tempo aqui: praticamente toda a vida do rei do rock aparece em cena, em maior ou menor medida. A carreira dele é, naturalmente, o ponto alto da obra, que se preocupa até em copiar de maneira idêntica imagens de shows famosos do biografado, mas sua vida pessoal ganha destaque, especialmente seu relacionamento bem próximo com a mãe, Gladys (Helen Thomson), seu romance com Priscilla e, claro, a relação com Parker, que definiu a carreira de Elvis para o bem ou para o mal.

O longa também mostra o crescimento dele como cantor, no início ele é um rapaz bonito que causa histeria nas meninas com seus movimentos; com o tempo, seus movimentos são vetados, e ele muda para agradar um público mais conservador, mas com a idade, ele também vai se interessando mais pelas músicas que canta e almeja passar mensagens através delas. Ao mesmo tempo, Parker deseja que Elvis seja sempre inofensivo, seja com seu rebolado, que excita os jovens e incomoda os pais, seja com as mensagens um tanto políticas que ele tenta passar, mas que não agradam os poderosos.

Elvis é uma cinebiografia que foge do tradicional
Elvis é uma cinebiografia que foge do tradicional

Alguns dos momentos da vida de Elvis ganham até outras formas de narração, como a infância dele, que tem aura de graphic novel, já que o próprio Elvis se sentia inspirado pelos quadrinhos de herói que lia quando mais novo, ou a vida dele com Priscilla, que no começo parece um filme e é mostrada dessa maneira na tela.

Cortes rápidos, muita cor e atuações poderosas

É muito fácil reconhecer um filme de Baz Luhrmann e isso também acontece neste, que tem praticamente todos os aspectos típicos das obras do diretor. Com cortes muito rápidos, em segundos somos apresentados a anos da vida de Elvis, o que pode ficar um pouco confuso se o telespectador não estiver acostumado com o trabalho de Luhrmann ou não estiver prestando atenção o suficiente no filme, mas essa é a única maneira possível de colocar quase toda a vida de uma pessoa em 2h39 minutos de filme.

As cores fortes e em excesso são outra das características dos trabalhos do diretor que estão presentes aqui. Tudo é muito colorido, diferentemente do que Luhrmann fez em Moulin Rouge – Amor em Vermelho, onde ele se esbalda no vermelho, aqui ele usa e abusa de várias cores, todas muito fortes, embora ele dê prioridade para os tons de rosa.

É natural, no entanto, que uma cinebiografia que retrata uma pessoa real, não se atenha a um tom só, afinal, a produção replica vários figurinos que o próprio Elvis usou e, portanto, é necessário que exista uma realidade em relação a isso. Os figurinos, a propósito, são impecáveis, eles não só retratam com perfeição as roupas que o cantor usava – ainda que sejam um pouco mais femininas e dêem esse ar para o protagonista -, como também nos remetem a época retratada. É possível notar isso também nos figurinos, penteados e maquiagem de Priscilla, que aparece pela primeira vez como uma típica garota dos anos 1950, mas passa pela década de 1960 e 1970 e mostra isso no seu estilo.

Os cortes são muito rápidos
Os cortes são muito rápidos

Outro ponto alto são as atuações, que chamam muita atenção. Boa parte do elenco não tem tanto espaço de tela e fica restrita a alguns momentos, como Olivia DeJonge, Kodi Smit-McPhee, Helen Thomson e Alton Mason, mas Tom Hanks entrega uma atuação ótima que nos deixa sem saber se Parker é o responsável pela carreira de Elvis ou um vilão cruel que usou de Elvis até ele morrer. E claro, Austin Butler está muito bem caracterizado e muito parecido com Elvis, mas também rouba todas as cenas em que aparece e evoca Elvis em todos os momentos, Butler até canta algumas das músicas que fazem parte da trilha sonora.

A trilha sonora de Elvis

Uma vez que o filme conta a história de um músico real, parece óbvio que se use as músicas do repertório dele para a trilha sonora do filme e o longa faz isso, mas não de maneira tradicional.

Fazem parte da trilha sonora músicas como I Got A Feelin’ In My Body, Craw-Fever, Baby, Let’s Play House, Hound Dog, Trouble e Suspicious Minds, que foram gravadas por Elvis, mas também músicas atuais como Vegas, de Doja Cat, The King and I, de Eminem e CeeLo Green e Tupelo Shuffle, de Swae Lee e Diplo, e Luhrmann as mistura com perfeição.

Tom Hanks como Tom Parker
Tom Hanks como Tom Parker

Elvis é sim, um musical, mas não muito tradicional, alguns números musicais se dão no palco, outros em bares ou em ensaios, mas tudo parece muito natural, bem distante do que se vê em um musical tradicional.

Esta não é uma cinebiografia comum e não segue o beabá do gênero, mas é justamente isso que faz deste um filme tão incrível. Em função dos seus cortes nada tradicionais, o longa pode não ser para todo mundo, mas ele é um espetáculo de tirar o fôlego, capaz de deixar qualquer um hipnotizado. Elvis chega aos cinemas no dia 14 de julho.

Elvis de Baz Luhrmann | Trailer 2 Oficial - Legendado

Elvis

Nome Original: Elvis
Direção: Baz Luhrmann
Elenco: Austin Butler, Tom Hanks, Olivia DeJonge, Richard Roxburgh, Kelvin Harrison Jr.
Gênero: Biografia, Musical
Produtora: Warner Bros.
Distribuidora: Warner Bros.
Ano de Lançamento: 2022
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