Gabriela, Cravo e Canela, de Jorge Amado

Um clássico do autor

Nacib é um sírio que está vivendo em Ilhéus e Gabriela é uma sertaneja que precisa sobreviver. Ela quer arrumar um emprego como empregada para se manter.

Quando os dois se conhecem, parece lógico que ela passe a trabalhar como cozinheira na casa de Nacib. A convivência, então, faz com que os dois acabem se apaixonando.

Ao mesmo tempo que acompanhamos o dia a dia de Gabriela e Nacib, também acompanhamos as mudanças sociais de Ilhéus e uma série de outros personagens que vivem por ali.

Sônia Braga como Gabriela
Sônia Braga como Gabriela

O vasto universo de personagens de Gabriela

Este livro representa uma mudança na produção literária de Jorge Amado. Nos livros anteriores, o autor aborda temas sociais, no entanto, a partir de Gabriela, Cravo e Canela, Amado passa a explorar o universo pelo qual ele ficou famoso, que envolve personagens como coronéis, prostitutas e mulheres sensuais.

A obra tem como protagonista um homem sírio que resolve viver em Ilhéus e que, uma vez lá, se encanta pelo lugar e por seus habitantes. É a partir dos olhos de Nacib que nós, leitores, também conhecemos o cenário.

Gabriela, por sua vez, é a definição da mulher sensual típica das obras de Jorge Amado. A personagem inclusive, é uma das mais lembradas da literatura nacional. A moça se comporta de maneira quase animalesca, sendo uma mulher selvagem em quase todos os aspectos. E isso se contrasta com Nacib, que é contido e quase tímido.

Cena do filme de 1983
Cena do filme de 1983

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Além dos protagonistas, Amado explora uma série de personagens que cercam a vida de Nacib e Gabriela e constrói uma trama tão próxima da realidade que parece que o leitor também vive naquela cidade.

Os personagens secundários que Amado apresenta não estão muito diferentes do que ele apresenta em Dona Flor e seus Dois Maridos – que também faz parte da mesma fase literária – mas isso também traz uma sensação de que todo o universo do autor faz mais sentido ainda.

Questões sociais

O livro faz parte do ciclo do cacau, que é a fase literária que não dá tanta ênfase aos problemas sociais do Nordeste e, em muitas medidas, do Brasil. Mas, mesmo assim, isso não está completamente fora da trama.

Cena da novela de 1975
Cena da novela de 1975

A trama se passa na década de 1920 e, por isso, aborda as mudanças que aconteceram na época, como a abertura do porto aos grandes navios, o que aumentou a possibilidade da exportação e acabou fazendo com que a cultura do coronelismo – um assunto que Amado aborda com frequência – declinasse. Além disso, também aborda o período áureo do cacau na região de Ilhéus.

Gabriela, sempre Gabriela

A construção da personagem Gabriela pode soar um pouco machista e certamente não cai tão bem nos dias de hoje. Ela é quase um estereótipo da mulher sensual, inocente, mas que deixa todos os homens completamente apaixonados. Entretanto, ela representa as mudanças de hábitos e renovações políticas e sociais que estavam surgindo na época.

Justamente por ser muito sedutora, Gabriela faz com que todos os homens se apaixonem por ela. Nacib, que é um homem ciumento, não gosta da situação. As duas ideias são bem batidas para os dias de hoje e, em muitos momentos, temos a sensação de que estamos lendo Nacib culpar Gabriela pela ação de outros homens, mas isso muda quando Amado vira essa visão a favor da moça.

Sônia Braga interpretou a personagem na televisão e no cinema
Sônia Braga interpretou a personagem na televisão e no cinema

O livro discute o direito da mulher de manter relações românticas e sexuais com quem ela quiser através de Gabriela e traz uma crítica sobre o direito do marido sobre o corpo feminino, já que na época em que Gabriela, Cravo e Canela foi publicado, ainda era aceitável que um marido se vingasse da sua esposa, caso ela o traísse, inclusive a matando.

Gabriela, Cravo e Canela na mídia

Como boa parte das obras de Jorge Amado, esta também já ganhou várias adaptações. Jorge Amado, como Nelson Rodrigues, é um clássico brasileiro não só em termos literários, mas também audiovisuais, teatrais e cinematográficos. O livro virou um quadrinho em 1960, um romance de cordel em 1970, uma fotonovela da revista Amiga em 1975 e até um espetáculo de dança.

Juliana Paes como Gabriela na novela de 2012
Juliana Paes como Gabriela na novela de 2012

Gabriela, Cravo e Canela também inspirou um filme de mesmo nome, em 1983, dirigido por Bruno Barreto e estrelado por Sônia Braga. A obra teve ainda mais sucesso na televisão, onde ganhou três adaptações diferentes.

A primeira foi em 1960, com Janete Vollu no papel de Gabriela e Paulo Autran. Em 1975, a Globo produziu uma novela que também tinha Sônia Braga no papel principal. Em 2012, a emissora fez um remake da novela, que dessa vez contava com Juliana Paes como Gabriela e Humberto Martins como Nacib.

Talvez Gabriela, Cravo e Canela tenha aspectos que não envelheceram muito bem, mas o livro também traz à tona questões muito à frente do seu tempo e que ainda precisam ser discutidas.

Nome Original: Gabriela, Cravo e Canela
Autor: Jorge Amado
Editora: Edição Econômica
Gênero: Romance
Ano: 1958
Número de Páginas: 336

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