Good Omens, minissérie com ótimas sacadas narrativas

Adaptando o livro “Belas Maldições”, coescrito por Terry Pratchett e Neil Gaiman, a trama de Good Omens acompanha a improvável amizade do anjo Aziraphale e o demônio Crowley. Em 2019, eles precisam se unir para encontrar o Anti-Cristo e impedir o fim do mundo. Assim, sempre vão contra os desejos de seus respectivos “chefes”.

Com Gaiman nos roteiros e como showrunner, a produção ganha ares mais autênticos e faz bom uso de todo seu potencial absurdista. É honestamente divertida, misturando o humor inglês de Pratchett com as tiradas irônicas do criador de Sandman.

Good Omens
Michael Sheen e David Tennant

O elenco de Good Omens

Michael Sheen e David Tennant são o maior acerto de Good Omens. O anjo e o demônio vivem um escrachado bromance, ao mesmo tempo fofo e repleto de humor negro, que funciona do começo ao fim. É seguro afirmar que este é o maior papel da carreira de ambos. Eles explicitam uma forte química em tela e conseguem ser absurdamente carismáticos. De um lado Aziraphale é doce e ingênuo, lembrando uma curiosa mistura de Chapolin com Mr. Bean. De outro, espetacularmente cômico, Crowley é cínico e cruel na medida, com uma linguagem corporal engraçadíssima. Também são aliados a ótimos diálogos.

Jon Hamm, Adria Arjona, Ned Dennehy, Michael McKean e Miranda Richardson conseguem sustentar as galhofices, compreendendo a obra pelo que é. Ainda conta com um vasto e divertido elenco. Além disso, há algumas participações especiais, como as de Benedict Cumberbatch, Frances McDormand e Brian Cox (encontre-os, se puder).

Good Omens
John Hamm e Michael Sheen em cena

O que esperar da série

Os seis longuíssimos episódios (que contam com mais de 1h cada) são dirigidos pelo mesmo diretor, Douglas Mackinnon. Isso confere à produção um ar mais legítimo, com uma única assinatura, sem jamais destoar. Dessa maneira, aliado ao roteiro sagaz de Gaiman e a direção com personalidade, a minissérie encontra em suas tramas fora da curva, ao longo da história da humanidade, uma força cômica e narrativa (muito mais do que a própria história principal).

É interessantíssimo ver, através desse viés nonsense, como rolaram as tretas entre Adão e Eva no Paraíso, a fuga do unicórnio da Arca de Noé, ou apontar que uma famosa e congestionada avenida de Londres é, na verdade, obra de demônios para propagarem mal-estar diário, entre outras gags geniais. Muitas das representações de figuras bíblicas, históricas ou pop, também são bastante inventivas. Da corporação fria que é o Céu, ou bagunçada como o Inferno, indo até os quatro motoqueiros do apocalipse, entre outras.

Adria Arjona

Hoje em dia pode soar clichê ou óbvio, mas é importante lembrar que a produção adapta um livro escrito a quatro mãos em maio de 1990, quando ainda muitas dessas ideias nem sequer tinham sido imaginadas.

Vale a pena assistir?

Com CGi vacilante, a maior parte peca, entregando ares oitentistas à minissérie. Mas isso acaba por fazer parte de todo o charme. Good Omens se perde um pouco nos dois episódios finais, engordurando o enredo com diversas subtramas e depois as acelerando para terminar. Mas mesmo com a conclusão satisfatória, fica evidente que menos é mais e ali faltou certa edição.

Fica a impressão que o autor não quer terminar a história e seu desfecho se arrasta por quase meia hora. Mesmo assim, toda a experiência é bastante válida e não há um produto semelhante nos streamings por aí. Portanto, Good Omens é engraçado, cheio de gags certeiras e com um enredo sem igual. Típico material para agradar gregos e troianos (e também seres oriundos de Atlântida).

Good Omens

Nome Original: Good Omens
Elenco: David Tennant, Michael Sheen, Frances McDormand, Sam Taylor Buck
Gênero: Comédia, Fantasia
Produtora: Amazon Studios
Disponível: Amazon Prime Video

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