Honeyland, doc que concorreu em duas categorias

O documentário Honeyland fez um feito raro para um longa do gênero: foi indicado ao Oscar este ano em duas categorias. Ele foi indicado como melhor documentário, no qual perdeu para American Factory, um filme apenas mediano mas que tem o incentivo de Michele Obama, o que deve ter feito alguma diferença na premiação. E também foi a escolha da Macedônia do Norte (antiga Macedônia, mas o país mudou de nome recentemente por conta de uns problemas de copyright com a Grécia) para representar o país na categoria “Melhor filme estrangeiro”, na qual previsivelmente perdeu de Parasita.

Mas o fato dele ter entrado como um dos concorrentes de melhor filme estrangeiro (categoria que deixou de fora películas excelentes, como o francês “Retrato de Uma Jovem em Chamas”) já é o suficiente para evidenciar a sua qualidade.

Honeyland – Mel na Chupeta – Bee Movie

O filme segue uma cuidadora de abelhas em algum lugar remoto do Leste Europeu que vive do mel produzido da forma mais artesanal possível pelas abelhas que ela cuida. “Pegue metade e deixe metade para as abelhas”, ensina ela. A vida dela muda quando um grupo (de ciganos, acho) chega e sua produção mais agressiva começa a ameaçar o ecossistema de toda a região.

Honeyland

O documentário nem parece um documentário. Não há aquelas entrevistas “talking head” estilo “The Office”, não há uma narração em off, não há mensagens descritivas sobre o que está acontecendo. São poucos personagens, vistos bem de perto, de uma forma que parece extremamente pessoal. Assim, uma das característica marcantes de sua protagonista é a solidão.

Produção impecável

Fica difícil imaginar como foram as filmagens. Será que as pessoas foram orientadas a não olhar para as câmeras? Quanto a presença de uma produção impactou no cotidiano dessas pessoas? Em uma entrevista, os produtores disseram que passaram pela capital do país, Skpoje, perguntando sobre as origens do mel vendido até chegar em Hatidze, a cuidadora de abelhas. Eles nem falavam a mesma língua: ela falava turco com a mãe e os produtores nem conseguiam entender o que estavam filmando.

Foi só conforme as traduções foram saindo que eles perceberam o material lindo e poético que estavam gerando. E a história também vai se desenrolando de uma forma tão bonita e profunda que seria fácil acreditar que estamos vendo uma obra totalmente roteirizada.

O resultado é sensacional, e se não merecia ganhar o Oscar de melhor filme estrangeiro (tava difícil mesmo competir com Parasita), certamente merecia ganhar o de melhor documentário. Não é leviano afirmar que é o melhor documentário, não só do ano passado, mas em muito tempo.

Honeyland

Nome Original: Honeyland
Direção: Tamara Kotevska, Ljubomir Stefanov
Elenco: Hatidze Muratova, Nazife Muratova, Hussein Sam
Gênero: Documentário, Drama
Produtora: Apolo Media
Distribuidora: Bretz Filmes
Ano de Lançamento: 2019
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