Jungle Cruise – filme inspirado em atração da Disneyland

Tá aí uma deliciosa sessão da tarde, com boas doses de aventura e diversão, que sim, poderia ser muito, muito mais, se não lhe faltasse um bocado de tempero. A ideia de querer criar uma nova franquia a partir de um brinquedo dos parques Disney, tal qual foi Piratas do Caribe, é muito válida, mas Jungle Cruise não chega aos pés, apesar de também jamais desapontar.

Jaume Collet-Serra já havia me conquistado como diretor com seus “filmes do Liam Neeson” (Desconhecido, Sem Escalas, Noite Sem Fim e O Passageiro — filmes estes diferentes da pegada brucutu, conseguindo atrelar muitas vezes Agatha Christie com ação e suspense em um trem, por exemplo), além de outros bons pontos no currículo (do divertido A Casa de Cera ao inesperado A Órfã), mas aqui não vemos absolutamente nada de seu DNA, em uma direção genérica, não ruim, mas sem identidade.

Jungle Cruise

Jungle Cruise

É claro que todo o carisma do longa reside no eternamente simpático Dwayne “The Rock” Johnson (com um personagem que não consegue ser icônico como Jack Sparrow, mas tem lá sua graça com os trocadilhos infames — que eu me identifiquei). A química que o grandalhão desenvolve com a sempre competente Emily Blunt é ótima e transborda além da tela. A dupla que os dois fazem, tem algo ali de Indiana Jones e Marion, ou ao menos tentam. Jack Whitehall não é um grande ator, mas sua representatividade é feita de maneira respeitosa e mais explícita.

Os cenários são deslumbrantes (e boa parte da história se passa na Amazônia brasileira), com cores vibrantes e suntuosas em escala, mas o mesmo não se pode dizer do 3D, tanto da onça, quanto de outras criaturas, que parece mal acabado, um tanto inverossímil e é meio imperdoável para um filme feito com quase 200 milhões de dólares, com três anos de pós-produção.

O enredo referencia outras produções do gênero e não tem uma batida sequer que surpreenda, indo até o último minuto com resoluções esperadas. Não me refiro exatamente a um uso de clichês, mas de uma previsibilidade narrativa (que estranhamente contou com o excessivo número de 5 roteiristas!). Também não consigo ver ganchos para possíveis continuações, apesar de que isso provavelmente será considerado.

Jungle Cruise

E o que mais?

Mesmo com o começo morno e o desfecho médio, é no miolo que residem as melhores partes do filme, desde as piadinhas sexuais infames (existe uma ali, envolvendo tirar uma espada, que periga até mesmo de uma criança subentender o contexto — e tudo bem), até boas sequências de ação, com um background interessante para os vilões (Édgar Ramírez é dedicado, mas não é Geoffrey Rush e não consegue criar uma figura icônica como o Capitão Barbossa), enquanto que Jesse Plemons se diverte — mas não sai disso — como um típico vilão Disney.

O único pecado realmente oneroso dessa produção foi a trilha sonora. Apagada, desinteressada e esquecível, é quase como se o compositor de O Sexto Sentido, Sinais e Animais Fantásticos, James Newton Howard, estivesse ligado no piloto automático e esse se desligasse no meio do caminho.

Jungle Cruise nunca desaponta, mas também não encanta à altura, se encontrando como um agradável entretenimento para toda a família, eternamente naquele rio sem fim.

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